Capítulo 8 Você está jogando comigo
Percebendo o sorriso de deboche no rosto da Kathie, Jonathan não se conteve e perguntou:
— Você não tem medo de absolutamente nada?
Kathie jogou a cabeça para trás, o orgulho estampado no rosto. Se ele achava que ia fazer ela admitir alguma coisa, estava muito enganado.
— De nada — respondeu.
Jonathan franziu a testa, respirou fundo e tomou o remédio de uma vez.
O gosto horrível o atingiu como um soco, revirando seu estômago. Ele quase engasgou, mas forçou a engolir.
Vendo a expressão de sofrimento dele, Kathie caçoou:
— Você tomou tudo, né? Quer que eu pegue um docinho pra você?
Jonathan pensou, amargo: “Droga, ela ainda me trata como se eu fosse uma criança!”
Ele abaixou a cabeça, um sorriso maroto surgindo nos lábios. Então, olhando por trás dela, arregalou os olhos de repente, fingindo pânico:
— Cuidado, tem uma cobra atrás de você!
— Ah! — Kathie pulou nos braços de Jonathan antes mesmo de perceber o que estava fazendo.
Ainda bem que Kathie era pequena e os braços de Jonathan já tinham recuperado força suficiente — do contrário, aquele salto podia ter jogado por terra todo o progresso da recuperação dele.
Ela se agarrou ao pescoço de Jonathan, com medo demais para olhar para trás.
— Tira isso daqui, rápido!
Kathie sempre foi destemida, não se incomodava com ratos nem baratas — mas tinha um pavor enraizado de cobras. Jonathan tinha ouvido ela comentar isso com as crianças uma vez, e agora usava essa informação a seu favor.
Enquanto os ombros de Jonathan sacudiam de tanto rir, Kathie foi afrouxando o abraço. Quando se virou para encará-lo, não viu cobra nenhuma.
— Você me enganou! — exclamou, com a irritação brilhando no rosto.
Jonathan deu de ombros.
— Como eu ia saber? Só fiz um teste. Pelo visto, você também não é tão sincera assim.
Kathie rangeu os dentes.
— Seu cretino!
Jonathan caiu na risada, satisfeito por finalmente ter levado a melhor. Depois de dias aguentando as provocações dela, era bom conseguir virar o jogo.
Kathie fuzilou Jonathan com o olhar, os olhos lindos praticamente faiscando de raiva.
Então, ela sentiu algo diferente — outro coração batendo contra o peito dela, uma mão grande em sua cintura, e seu corpo inteiro pareceu pegar fogo.
De repente se deu conta de que estava nos braços de Jonathan!
O rosto de Kathie ficou vermelho como tomate, e ela praticamente saltou para fora do abraço dele.
Jonathan sentiu uma pontada de relutância quando ela se afastou. A cintura fina dela era tão macia, e daquele ângulo ele tinha vislumbrado suas curvas, o que só atiçou ainda mais sua curiosidade.
O olhar dele era tão intenso que parecia capaz de queimá-la.
Kathie não aguentou mais. Tentou se afastar, mas Jonathan bloqueou o caminho.
— Você não ia me dar um docinho? — ele perguntou.
— Não tem mais.
Mesmo que tivesse, ela não ia dar. Kathie percebeu que, perto dele, sempre acabava perdendo o controle.
Kathie foi para o quintal dos fundos, onde seus três filhos estavam ocupados preparando os ingredientes para o almoço.
Kyle observou o rosto corado da mãe e perguntou, aflito:
— Mamãe, você tá bem? Tá passando mal?
Zachary acrescentou:
— Eu ouvi você gritar antes… alguém te assustou ou mexeu com você?
Eileen correu até ela e segurou sua mão.
— Mamãe, sua mão tá tão quente, e seu rosto tá vermelho que nem maçã.
Os olhos de Kyle brilharam, cheios de travessura.
— Você deu um beijo no homem bonito?
Kathie ficou chocada.
Como é que o filho dela já sabia dessas coisas?
Ela abanou o próprio rosto.
— Não, é só o vapor do remédio. Kyle, não fala essas coisas… ou eu não vou fazer a sua comida favorita.
Kyle se endireitou na hora.
— Eu vou obedecer você.
— Continuem trabalhando aí. Eu vou pra cozinha — disse Kathie.
Assim que entrou na cozinha, Kyle chamou os irmãos.
— Zachary, você reparou? A mamãe tá estranha… ela não encarou a gente, isso quer dizer que tá escondendo alguma coisa.
Eles conheciam bem a mãe — sempre que ela tentava esconder algo, fazia exatamente aquela cara.
— É, e ela parecia meio envergonhada — acrescentou Zachary.
Eileen, madura demais pra idade, comentou:
— A mamãe passa o dia inteiro com o homem bonito. Claro que ela fica com vergonha.
Kyle e Zachary trocaram olhares cheios de ciúmes e perguntaram em coro:
— Quem é mais bonito, a gente ou ele?
Eileen respondeu docemente:
— Vocês.
Mesmo gostando de Jonathan, Eileen sabia o que vinha primeiro: ela gostava dele porque ele fazia ela se sentir segura, igual à mamãe.
Kyle assentiu, satisfeito.
— Assim tá melhor. Lembrem: nós quatro temos que ficar sempre do mesmo lado.
Zachary perguntou:
— Então, o que a gente faz agora?
Kyle olhou pra cesta de cebolinha e abriu um sorriso.
— Ele tá morando aqui de graça enquanto a mamãe cuida dele. Ele tem que ajudar em alguma coisa.
Zachary concordou e imediatamente chamou Jonathan para o quintal.
Entediado, Jonathan ficou feliz em ajudar.
— Me fala o que vocês precisam.
Kyle entregou a cesta e apontou para a tábua em cima da mesa de pedra:
— A gente não alcança direito… você pode picar essa cebolinha? A mamãe vai fazer uma coisa deliciosa.
Jonathan nunca tinha colocado o pé numa cozinha e agora estava ali, recebendo ordens de um bando de crianças.
— Sem problema.
Ele não deu muita importância à tarefa e começou a picar.
Percebendo que os pedaços estavam muito grandes, Zachary avisou:
— Sete, tem que picar bem miudinho.
Jonathan nem desconfiou que as crianças tivessem alguma segunda intenção e tentou picar o mais fino possível.
Mas logo os olhos começaram a arder, as lágrimas desciam sem parar. Ele ainda fungou.
Kyle e Zachary se entreolharam, a diversão estampada no rosto.
Kyle caçoou:
— Sete, eu só pedi pra você picar umas cebolinhas. Por que você tá chorando? Tá achando que a gente tá te maltratando?
Jonathan ficou sem palavras.
Caiu a ficha de que tinha sido passado pra trás. Quem eram os pais dessas crianças? Eram arteiras demais pra idade que tinham.
Vendo os olhos vermelhos e lacrimejando de Jonathan, Eileen gritou em direção à cozinha:
— Mamãe, vem rápido! O homem bonito tá morrendo!
Jonathan ficou sem graça. Também não precisava exagerar.
Kathie veio correndo e viu Jonathan de olhos fechados, com lágrimas escorrendo pelo rosto bonito — era ao mesmo tempo de dar dó e engraçado.
— O que aconteceu? — perguntou.
Zachary confessou:
— Mamãe, a gente pediu pra ele picar umas cebolinhas, mas ele não sabe e acabou entrando no olho dele.
Kathie empurrou a cadeira de rodas de Jonathan até a pia.
— Ai, coitado do filhinho de papai. Viver vida de gente normal deve ser difícil, hein? Se você ficasse preso numa ilha deserta, morria de fome.
Ela não resistiu a provocar. Só tinha feito uma pequena pegadinha e ele já levava tão a sério.
Apesar da zoeira, Kathie molhou uma toalha e começou a limpar delicadamente os olhos dele.
Tão perto dela, Jonathan sentiu o perfume suave que ela exalava, surpreendentemente tranquilizador.
— Melhorou? — perguntou Kathie.
Jonathan tentou abrir os olhos, a visão embaçada pelas lágrimas. Quando olhou para Kathie, se perguntou se ela poderia ser a mulher com quem ele tinha ficado quatro anos atrás.
Kathie provocou:
— Se alguém souber que você chorou só de picar cebolinha, vai rir até dizer chega.
Jonathan descartou a ideia na mesma hora — não tinha como ser ela.
