CAPÍTULO 2

Ponto de vista de Leo

— Não ultrapasse seus limites — eu avisei.

Sacudi a poeira das minhas roupas e olhei para a frente, ignorando-o. Por fim, chegou a minha vez.

— Mostre sua carta de admissão — disse o homem atrás da mesa. Ele era um beta; eu sabia porque não senti feromônios vindo dele.

O que eu não gostei foi do jeito como ele me olhou, como se eu fosse imundície.

Revirando os olhos, entreguei a carta e cruzei os braços. Mas ele estava demorando demais.

Meus dedos tamborilaram no meu braço por hábito, enquanto minha paciência se esgotava. Quando eu estava prestes a falar, ele de repente bateu a carta com força na mesa.

— O que é isso? — ele latiu, alto o bastante para chamar a atenção de todo mundo.

Ótimo. Agora todos os olhos estavam em mim, como se eu tivesse feito algo errado.

— Eu conheço ômegas como você, que falsificam cartas de convite para se infiltrar na universidade depois que a inscrição é rejeitada — ele zombou.

Que absurdo ele estava falando?

— Como assim, falsa? — exigi.

— Isso aqui é falso, não é? Eu sei que é.

E, claro, a voz de Zoha veio de trás de mim. Ele deu um passo à frente, sorrindo como um professor prestes a dar uma bronca num aluno.

— Não se meta — rosnei, estendendo a mão para pegar a carta, mas o beta a arrancou primeiro.

Então ele a rasgou ao meio.

Meus olhos se arregalaram com a audácia dele. Atrás de mim, Zoha riu baixinho, satisfeito com o espetáculo.

— Qual é o significado disso? — exigi.

— Significa que você não vai entrar. Vá para casa e nunca mais volte.

A fúria explodiu dentro de mim. Bati as duas mãos na mesa, lançando um olhar mortal para ele.

— Que tipo de comportamento é esse? Você é um ômega, esqueceu o seu lugar? — ele gritou.

— Eu não esqueci o meu lugar. Na verdade, eu estou acima de você, não estou, velho?

— Guardas, joguem esse ômega para fora. Ele está bloqueando a passagem para os outros estudantes — ordenou o homem, entregando a Zoha um formulário com um sorriso presunçoso.

Em questão de segundos, cinco ou seis seguranças de terno preto me cercaram, tentando me arrastar para fora.

Mas isso não era justo. Eu chutei um e empurrei os outros para trás com uma força que eles não esperavam.

— Não ousem me subestimar só porque eu sou um maldito ômega!

Sim, eu conseguia lutar até contra alfas. Os feromônios deles não me afetavam em nada. Eu era forte desde o dia em que nasci. Talvez a Deusa da Lua tivesse pensado: Vamos criar algo novo, e me fez.

Ainda assim, a injustiça queimava. Por que ele tinha destruído minha carta de convite?

— Pare de fazer cena e vá embora — alertou um guarda.

— Não — retruquei.

— O que está acontecendo aqui?

A voz ecoou, carregada de autoridade. No mesmo instante, os seguranças recuaram e abaixaram a cabeça.

Todos se viraram para olhar atrás de mim, então eu também me virei.

Havia um homem ali.

Ele usava um terno azul-marinho com camisa e gravata combinando. Parecia ter uns trinta e poucos anos; maduro, bonito, com um corpo talhado como aço. A única palavra que me veio à mente foi: gostoso.

Nossos olhares se encontraram. Ele deu um passo na minha direção, e o silêncio caiu sobre a multidão. Quem quer que ele fosse, uma coisa estava clara: ele não era comum.

Seu olhar afiado me examinou da cabeça aos pés, como se estivesse pesando a minha própria existência.

— Quem é você? E por que está fazendo uma cena aqui? — A voz dele era fria.

— Eu sou o Leo. Recebi um convite para esta universidade, e é por isso que estou aqui. Mas aquele homem rasgou, dizendo que era falso.

Eu expliquei, embora a expressão dele dissesse que não acreditava em mim. Talvez outros ômegas já tivessem tentado falsificar convites antes, mas eu não. Ter vindo aqui tinha sido um erro?

— Então você está dizendo que nós lhe enviamos uma carta? Você ao menos sabe o que essas cartas significam ou a quem elas são dadas?

Meus olhos se estreitaram.

— Nós só enviamos convites a alunos de elite, aqueles que não são comuns.

Então ele também estava chamando minha carta de falsa.

— Pelo visto eu nem deveria ter vindo — murmurei, virando para ir embora. Mas de repente colidi com um peito sólido, músculo duro.

— Ugh. — O som escapou antes que eu conseguisse impedir.

Ergui o olhar e vi outro alfa parado à minha frente. Ele não era tão enorme quanto o homem atrás de mim, mas a presença dele era igualmente esmagadora.

Seu rosto era perigosamente bonito: olhos dourados, cabelo escuro e um terno preto que só aumentava sua aura intimidadora. Ele parecia alguém saído direto da máfia.

— Ora, ora... quem é esse gracinha? — perguntou o alfa, mordendo o lábio enquanto o olhar dele demorava em mim.

Dei um passo para trás por instinto, mas ele agarrou minha mão e me puxou com força para a frente. Meu corpo colidiu com o dele, e o cheiro suave dos feromônios dele me envolveu.

Minha pele formigou, meus joelhos cederam, e, antes que eu percebesse, minhas mãos já estavam apoiadas no peito dele para me sustentar.

— Zale, você está tentando jogar esse ômega no cio? Pare de liberar seus feromônios — disse, ríspido, o homem atrás de mim.

Espera. Os feromônios do Zale estavam me afetando? Isso nunca tinha acontecido antes.

Ou talvez... eu só estivesse exausto demais. Minha visão embaçou, e o mundo escureceu.

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Quando abri os olhos de novo, eu estava deitado numa cama.

Sentei num pulo. O quarto era desconhecido, com duas camas e nenhum sinal de onde eu estava.

Levantando, fui até a porta. Minha última lembrança era Zale me puxando para perto antes de tudo apagar. Então como eu tinha ido parar ali?

Ao abrir a porta, quase trombei com alguém. Zale.

— Pra onde você acha que vai fugir, gatinho? — A voz rouca dele me provocou um arrepio estranho na espinha. Ele entrou, fechando a porta e me empurrando de volta para dentro do quarto.

— Quem é você? Por que me trouxe pra cá? — exigi.

Sem aviso, ele enfiou os braços por baixo dos meus e me ergueu no ar como se eu não pesasse nada, como se eu fosse algum brinquedo.

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