CAPÍTULO 3
Ponto de vista de Leo
“Gatinho, você é tão leve e selvagem. Foi por isso que eu te peguei na estrada. De agora em diante, eu mesmo vou cuidar de você.”
“Que porra é essa?! Me põe no chão agora mesmo! Você acha que isso é brincadeira?” retruquei, furioso.
A expressão dele endureceu na mesma hora. O sorrisinho provocador desapareceu, substituído por algo frio e afiado.
“Você ainda não é obediente, mesmo eu tendo sido quem te trouxe para esta universidade. Sabia? Fui eu que recomendei você.”
Recomendou? Meu coração falhou uma batida. Só alunos da elite tinham o poder de recomendar outras pessoas. Por que ele faria isso por mim, se eu nem conhecia ele?
“Com licença, mas será que dá para você pelo menos ter bom senso e manter distância?” murmurei, desconfortável sob o olhar intenso dele.
Por fim, ele me colocou no chão e então puxou o celular, dando uma olhada na tela.
“O que você está esperando? Não ouviu o diretor chamar todos os novatos para o salão principal?”
“Onde fica o salão principal?” perguntei, tentando soar educado.
“Por que eu deveria te dizer, gatinho ingrato?” ele zombou.
Percebi que ele não ia me ajudar, então fui sozinho. Pela disposição do lugar, estava claro que aquele era o prédio dos dormitórios, e o prédio principal da universidade ficava à esquerda.
Seguindo o fluxo dos outros alunos, logo me vi no salão principal. Fileiras de cadeiras ocupavam o espaço, e no palco estava o diretor com um microfone.
“Bem-vindos, todos vocês! Este é o começo da sua nova vida”, ele disse. E então... simplesmente continuou falando.
Os minutos se arrastaram como se fossem horas. Minhas pálpebras começaram a pesar. Sério, quem faz um discurso tão longo assim? Poupa a gente, pelo amor de Deus!
Varrendo a multidão com os olhos, avistei Zoha conversando com um alfa não muito longe. Uau. Ele já arrumou um namorado. Faz sentido. Foi exatamente por isso que veio para cá.
Revirei os olhos e voltei a prestar atenção no diretor bem na hora em que ele finalmente terminou o discurso interminável e nos dispensou.
Os alunos correram em direção às saídas, mas o ritmo na porta era dolorosamente lento. Quinze minutos depois, finalmente consegui me espremer para fora — só para ver cinco ou seis alfas encostados ali perto, encarando os alunos novos.
Valentões, pensei, apressando o passo sem olhar para trás.
Mas antes que eu pudesse ir longe, alguém agarrou minha mão. Congelei e olhei por cima do ombro.
“O quê?” exigi.
“Nosso chefe gostou de você. Vem comigo”, disse o alfa secamente, me puxando antes que eu pudesse resistir.
Em poucos instantes, ele me arrastou até o ginásio. O “chefe” dele estava ali, imponente, erguendo-se sobre dois alfas já espancados e caídos inconscientes no chão.
“Chefe, trouxemos o ômega que você queria”, anunciou o cara, então se afastou.
Encarei o alfa à minha frente. Ele era alto, largo, e o rosto dele tinha uma semelhança impressionante com o de Zale.
Antes que eu conseguisse processar aquilo, ele se aproximou. Havia sangue manchando sua mão, e ele estendeu o braço, roçando os dedos pela minha bochecha.
Um arrepio percorreu minha espinha quando o sangue se espalhou pela minha pele.
“Sua beleza é incrível. De agora em diante, você será minha companheira”, ele declarou.
No início, achei que ele estivesse me perguntando. Mas então a sala explodiu.
“ÉÉÉÉÉÉÉÉÉ! Parabéns, chefe! Você finalmente encontrou sua primeira companheira!”, a multidão comemorou.
Então não era um pedido — era um anúncio. Um fato.
“Espera, você não pode simplesmente—”, comecei, mas ele me interrompeu ao envolver minha cintura com os braços, me puxando para um abraço sufocante.
Minha respiração falhou, e eu congelei.
Em poucos instantes, ele tocou meu queixo e o ergueu, forçando-me a encará-lo. Antes que eu pudesse reagir, ele se abaixou, com a intenção de me beijar.
Eu não me importava com quem ele fosse — ele não podia me assediar desse jeito. Eu não ia tolerar isso.
Mesmo com o medo se revirando dentro de mim, tentei desviar. Mas, no instante em que os lábios dele roçaram os meus, eu o empurrei com toda a minha força e lhe dei um tapa forte no rosto.
No momento em que minha mão atingiu o rosto dele, um clique seco ecoou pelo ar. Parecia que alguém tinha acabado de tirar uma foto — ou talvez até gravado um vídeo. Eu não tinha certeza, mas podia imaginar pelo som.
Mas eu não tinha o luxo de pensar nisso agora. Eu tinha meu próprio problema —
um bem maior.
O alfa em quem eu acabara de dar um tapa estava rangendo os dentes, os olhos dourados em chamas enquanto me encarava como se quisesse me despedaçar.
“E-Espere! Você me beijou — foi por isso que eu te dei um tapa!”, soltei antes de me virar nos calcanhares.
Sem perder mais um segundo, disparei para fora do ginásio. Minha respiração vinha em arfadas curtas quando cheguei ao lado de fora, com o peito subindo e descendo com força. Ao olhar para trás, percebi que ninguém estava me perseguindo. Eu não sabia por que não tinham vindo atrás de mim — mas, fosse qual fosse o motivo, era um alívio.
No instante em que tentei me recompor, um homem se aproximou. “O diretor está chamando você. Você precisa encontrá-lo na sala dele agora mesmo.”
Como era o diretor, eu não podia recusar. O homem usava um crachá de funcionário da universidade no pescoço, então eu o segui. Fiel à palavra dele, ele me levou direto até a sala do diretor antes de me deixar à porta.
Bati na porta.
“Sim, entre”, chamou uma voz lá de dentro.
Eu sabia quem era o diretor — tinha visto ele mais cedo, fazendo seu discurso no palco. Mas por que ele estava me chamando ali? Ele também achava que eu tinha feito algo errado? Ou talvez que eu tivesse mentido sobre ter recebido a carta-convite?
Afastando esses pensamentos, entrei. O diretor estava sentado atrás da mesa, sorrindo quando seus olhos pousaram em mim.
“Então, você é Leo. Bem-vindo à Universidade Companheira da Lua, Leo”, disse ele, gesticulando para que eu me sentasse.
Congelei por um segundo, confuso sobre como ele já sabia meu nome. Mesmo assim, puxei a cadeira, sentei-me e olhei para ele com cautela.
