CAPÍTULO 4

Ponto de vista de Leo

“Senhor, se não se importar, posso perguntar… o senhor me conhece?”, perguntei. Claro que eu tinha que perguntar.

Mesmo sendo o diretor, eu sabia que era impossível ele lembrar o nome de cada aluno só de olhar para o rosto. E como eu tinha chegado hoje, não tinha como.

Ele sorriu com a minha pergunta, então pegou os óculos que estavam sobre a mesa e os colocou antes de me encarar.

“Leo, sua mãe e eu nos conhecemos. Ela era minha amiga e me pediu que convidasse você para a minha universidade quando você se formasse no ensino médio.”

Eu ouvi, com a cabeça girando. Tudo o que ele dizia era tão chocante que eu só consegui ficar ali sentado, atônito.

Então ele era amigo da minha mãe. Era o desejo dela, e ele tinha cumprido a promessa enviando aquela carta-convite.

Não era à toa que ninguém tinha acreditado em mim mais cedo, na entrada. O convite era tão raro que até o homem que conferia as cartas dos alunos tinha rasgado a minha, achando que era falsa — quando não era.

“Senhor, o senhor devia ter contado isso aos outros. Eles não acreditaram em mim na entrada”, eu disse.

“Ha-ha.” Ele riu ao me ouvir.

Eu franzi a testa. O que tinha de engraçado nisso agora?

“Eu não contei a ninguém, mas não sabia que isso causaria problemas para você. Desculpe por isso”, ele disse.

“Tudo bem”, respondi. Afinal, ele era o diretor — quem tinha me convidado para cá — então, é claro que eu precisava aceitar o pedido de desculpas rapidamente.

Depois de conversar com ele, eu me curvei com educação e saí. Antes, porém, ele me alertou sobre algumas coisas.

Havia certos assuntos acontecendo na universidade que nem ele conseguia controlar, então eu teria que me manter longe de confusão. E, como ele deixou bem claro, também havia determinadas pessoas que eu nunca deveria ofender. Especificamente, os irmãos gêmeos alfas.

Eu assenti e me despedi. Se eu ficasse mais tempo, eu sabia que ele continuaria me dando sermão sem parar, e, sinceramente, eu não queria isso.

Mas, assim que eu pus o pé para fora da sala do diretor, de repente trombei com alguém.

“Aff, você não olha por onde anda?”, rosnei, esfregando a testa. Não estava sangrando, mas o impacto tinha deixado minha cabeça inteira latejando. Quem quer que eu tivesse acertado tinha um peito duro como pedra.

Quando levantei o olhar, congelei. Era o mesmo homem que eu tinha visto mais cedo — ainda no terno impecável, com o mesmo ar intimidador de antes.

“O que você está fazendo aqui?”, ele perguntou, como se eu estivesse invadindo.

“O diretor me chamou. Por que você está perguntando?”, rebati.

Ele só fez uma cara de nojo, me ignorou, empurrou a porta e entrou a passos largos na sala.

Eu soltei o ar com força e fui embora.

Quando saí da universidade e fui em direção ao prédio do dormitório, percebi que já tinham me designado um quarto. Mas a minha bagagem… estava em outro quarto.

No quarto dele. Do alfa que tinha me ajudado a entrar mais cedo.

Eu realmente não queria ver a cara dele de novo, mas não era como se eu tivesse escolha.

Fiquei parado diante da porta do alfa, hesitando. O jeito como ele tinha me tocado antes me deixou desconfortável, e a ideia de encará-lo de novo me inquietava.

Mas eu não podia ficar ali para sempre. Respirei fundo e empurrei a porta para abrir.

Lá dentro, eu congelei.

Aquele alfa — Zale — estava fazendo flexões. Ele não estava usando camisa, só calças. Seu corpo brilhava de suor, os músculos ondulando a cada movimento. O peito, os braços e os ombros pareciam tão fortes... fortes até demais.

Engoli em seco, com a garganta de repente árida quando percebi que estava encarando.

Enquanto eu o observava, ele parou de repente de fazer flexões e se levantou. Pegando a toalha na cama, enxugou o pescoço e o rosto.

Enquanto se secava, seus olhos se voltaram para mim.

— Ooh, gatinho, você finalmente chegou! Aproveitou seu tempo enquanto eu não estava com você? — perguntou.

O olhar dele percorreu meu corpo da cabeça aos pés, mas, em vez de encará-lo, meus olhos vagaram pelo quarto. Foi então que finalmente notei minha bagagem colocada perto do guarda-roupa.

Ao ver aquilo, caminhei até o guarda-roupa, ignorando Zale de propósito. Quando estendi a mão para pegar minha bagagem, uma força repentina me puxou para trás, e minhas costas bateram com força contra o peito dele.

— Aonde você está planejando ir, gatinho?

— Com licença, meu nome é Leo, não gatinho. Por favor, me chame pelo meu nome. Aonde eu vou é inteiramente problema meu, e eu agradeceria se você mantivesse certa distância.

Com isso, enfiei o cotovelo no estômago dele e me desvencilhei, lançando-lhe um olhar afiado.

— Uau, você realmente é arisco. Mas, gatinho, você honestamente acha que pode fugir de mim só se mudando para outro quarto?

Ele enlouqueceu? Eu só vou para o quarto que realmente foi designado para mim. Ele acha mesmo que eu estou com medo dele? Até parece.

Apontei o indicador para ele.

— Escuta, ninguém está com medo de você. Então não se ache só porque é um alfa.

Um sorriso puxou os lábios dele quando deu um passo à frente e segurou meu dedo.

— Sabe, é falta de educação apontar para alguém que é seu veterano. Gatinho, tem certeza de que quer ser punido?

Arranquei a mão da dele e recuei o dedo, depois peguei minha bagagem. Quando ergui os olhos, ele estava apenas ali, de braços cruzados sobre o peito, me observando em silêncio.

Ele não ia mais tentar me impedir? Ótimo. Melhor assim.

Comecei a andar em direção à porta, olhando para trás a cada poucos passos — vai saber se ele tentaria me parar de novo?

— Gatinho, não fique tão na defensiva. Eu não vou te impedir. Afinal, eu sou um bom garoto — disse ele com um sorrisinho de canto.

Revirei os olhos para as palavras dele e saí rapidamente, fechando a porta atrás de mim.

Meu quarto ficava no quinto andar, então fui direto para o elevador. Bem quando as portas estavam prestes a se fechar, mais algumas pessoas entraram. Quando o elevador finalmente chegou ao meu andar, saí às pressas. Mas notei algo estranho — as pessoas estavam olhando para as minhas costas.

Espera... o que foi? Minha roupa rasgou?

Enquanto andava pelo corredor, vi um espelho. Em vez de me virar, liguei rapidamente a câmera de selfie e tirei uma foto das minhas costas.

E, quando vi...

— Eu sou um idiota que come merda.

As palavras estavam rabiscadas numa folha branca que tinham grudado em mim.

Meu rosto queimou de raiva. Não me diga... foi obra do Zale? Aquele desgraçado não tem educação nenhuma!

Arranquei o papel, rasguei-o em pedacinhos e marchei até o quarto designado para mim. A porta se abriu com facilidade, e eu entrei.

Mas, no instante em que fiz isso, meus olhos se arregalaram, e meu corpo inteiro congelou. Havia alguém parado ali.

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