Capítulo 3

A sala de controle independente era o centro nervoso de toda a ilha.

Ao passar de mansinho pela piscina, notei um punhado de gente fazendo uma festa noturna ali. Alguns se gabavam dos bônus recém-caídos na conta; outros alardeavam o quanto tinham martelado a porta blindada do porão mais cedo.

Todos eles, sem exceção, eram culpados.

Aproximei-me de uma estrutura de concreto cinza atrás da vila principal. Por fora, não parecia mais do que uma casa de bombas de alta pressão, banal e sem nada que chamasse atenção.

Estava destrancada. Entrei direto e encontrei um interruptor oculto na parede. Com um pressionar seco, uma seção da parede de concreto se deslocou para dentro, revelando uma passagem. Atravessei e tranquei a porta com firmeza atrás de mim.

A sala de controle estava escura, iluminada apenas pela densa constelação de LEDs verdes e vermelhos piscando em fileiras de racks de servidores pretos. Aquele núcleo comandava a energia da ilha, as comunicações de rede e todas as câmeras de vigilância dentro e fora da vila.

Fui até a caixa vermelha de emergência na parede, quebrei o vidro e puxei o telefone via satélite, com alimentação própria.

Antes, acreditando que o mundo lá fora tinha caído num apocalipse, eu nunca teria cogitado arriscar a vida saindo do bunker só para pegar aquele telefone. Mas agora era diferente.

Disquei uma longa sequência de números.

Chamou só duas vezes antes de atenderem, e uma voz masculina, grave e cautelosa, respondeu: “Blackwater Security. Informe seu código de autorização.”

“É o Adrian”, falei no fone. “Código de autorização: Atlas. Em exatamente dez minutos, eu quero meu helicóptero médico particular pousando no heliponto atrás da montanha da ilha. Tragam antipiréticos pediátricos do mais alto nível e fluidos intravenosos. Apaguem todas as luzes de navegação e mantenham silêncio absoluto no rádio o caminho inteiro.”

Houve uma pausa audível de dois segundos do outro lado, seguida por uma onda de choque e alívio sem freio. “Chefe?! Meu Deus, a gente tenta falar com o senhor há um ano! Considere feito. A evacuação médica está de prontidão nas águas adjacentes. Chegamos à zona de pouso no cume em menos de dez minutos!”

Desliguei. Soltei o telefone via satélite no chão de concreto e o esmaguei com o pé até virar pedaços.

Em seguida, caminhei a passos largos até a caixa de ferramentas no canto e tirei exatamente o que eu procurava: um machado de incêndio reforçado.

Então fui até os dois armários centrais de servidores, claramente identificados como “REDE” e “COMUNICAÇÕES”.

Erguendo o machado pesado, desci o golpe com toda a força que ainda me restava.

Faíscas choveram na penumbra, mas eu não parei. Balancei com fúria, de novo e de novo, retalhando sem piedade as máquinas até virarem um amontoado retorcido e fumegante de sucata.

Alguns segundos depois, todas as luzes verdes piscantes da sala de controle se apagaram.

A ilha estava agora completamente cortada da rede. Sem internet externa, sem sinal de celular. Nem um mísero lampejo de SOS conseguiria sair daqui.

Com o trabalho feito, joguei o machado lascado de lado.

Fui até o canto mais distante da sala, arranquei um tijolo solto da parede e puxei um estojinho metálico, impermeável, de um compartimento oculto.

Dentro, repousava uma ampola de vidro não mais grossa do que meu dedo mindinho, cheia de um líquido azul-pálido.

Esse era o verdadeiro vírus do “Projeto Gênesis”.

Ele tinha sido criado originalmente para purificar anticorpos para uma doença sanguínea rara. Mas depois descobri que, se entrasse em contato direto com um organismo vivo, devastaria as vias neurais do cérebro humano a uma velocidade sem precedentes, lançando o hospedeiro num estado de frenesi hiper-violento e sedento de sangue.

Eu pretendia continuar sintetizando até que se tornasse inofensivo. Mas, ao perceber o perigo extremo, escondi em segredo aqui esta única amostra original, para garantir que ninguém jamais encostasse nela.

A Sarah não achava que o capitão de segurança tão precioso dela podia protegê-la no apocalipse?

Eles não adoravam pagar figurantes para usar maquiagem e fingir ser uma horda de zumbis do lado de fora da minha porta todos os dias?

Já que eles gostavam tanto de assistir a essa pecinha, como dono desta ilha, era justo que eu atendesse aos desejos deles e providenciasse alguns adereços de verdade.

Com a ampola na mão, saí da sala de controle.

Bem ao lado do prédio ficava o reservatório central a céu aberto da ilha. O abastecimento diário de água da vila, as máquinas de gelo da cozinha, até as torneiras filtradas do jardim dos fundos — tudo vinha diretamente daquele tanque enorme.

A água que aqueles figurantes comedores de churrasco estavam bebendo e os cubos de gelo no champanhe caro de Victor e Sarah? Sem exceção, tudo vinha daqui.

Aproximei-me da borda do reservatório, desenrosquei a tampa do frasco de vidro e despejei o líquido azul diretamente na água escura e profunda.

Em menos de um segundo, o vírus se dissolveu por completo, sem deixar vestígios. A água cristalina parecia perfeitamente normal.

Desde que eu não bebesse desse abastecimento, eu estava completamente seguro.

Mas, em poucas horas, esses zumbis falsos, de atuação, iam se transformar em monstros de verdade.

Joguei o tubo de vidro vazio nos arbustos próximos. Usando a cobertura da escuridão, virei e refiz o caminho em silêncio, voltando para a vegetação.

Leo estava exatamente onde eu o deixara. Encolhido junto à base do muro, sua respiração era tão rasa que, se eu não olhasse com atenção, nem teria notado o peito dele subir.

— Voltei, Leo — ajoelhei-me e o ergui nas costas.

Daqui até o heliponto na montanha dos fundos havia um trecho íngreme de escadas de pedra.

Carregando meu filho, comecei a subida, um passo torturante de cada vez.

O vento ficou mais feroz perto do topo.

O helicóptero médico preto e elegante já tinha pousado na clareira à frente.

A porta da cabine deslizou e se abriu na mesma hora. Dois agentes e um paramédico correram para fora. O paramédico pegou uma maca portátil e deitou Leo nela com cuidado. Enquanto isso, os agentes se aproximaram, amparando meu corpo cambaleante e exausto.

— Chefe... como o senhor ficou tão magro... — murmurou um dos mercenários, com a voz realmente tremendo.

— Levem-no para dentro. Comecem o soro e os antitérmicos — rosnei, dispensando o apoio com um gesto. Contando apenas com a adrenalina e os últimos restos de força, subi para dentro do helicóptero.

— Deixem dois homens para trás com trajes de contenção máxima. Quero que destruam todos os barcos capazes de sair desta ilha. Quando terminarem, peguem a lancha e evacuem imediatamente. NÃO deixem a pele descoberta encostar no abastecimento de água local.

Eles não fizeram perguntas. Apenas assentiram.

A porta da cabine deslizou devagar e se fechou, e o helicóptero ganhou altura de repente.

A aeronave logo desapareceu nas nuvens espessas sobre o oceano.

…………

Algumas horas depois.

Quando os primeiros raios do sol da manhã atravessaram as enormes janelas do quarto principal da vila, a luz ofuscante fez o homem na cama se revirar, irritado.

Victor abriu os olhos num sobressalto, erguendo a mão para esfregar as têmporas latejantes, sentindo como se o cérebro encharcado de álcool fosse se partir ao meio.

Aqueles champanhes vintage caríssimos da noite passada tinham batido com força. Ele olhou para Sarah, ainda profundamente adormecida ao seu lado. Tinham comemorado noite adentro naquele colchão sem preço.

Hoje seria um bom dia.

Só de pensar naquele cientista dolorosamente ingênuo, provavelmente roendo lençóis mofados lá embaixo, no bunker, enquanto ele estava prestes a herdar uma fortuna astronômica... a ressaca de Victor pareceu bem mais leve.

Jogando as cobertas para o lado, ele foi descalço até a mesinha de cabeceira e pegou o tablet, pronto para entrar direto nos sistemas bancários offshore e conferir os depósitos.

Mas, no instante em que deslizou o dedo pela tela, as sobrancelhas se contraíram num franzido profundo.

— Porra, o transmissor de sinal da ilha deu problema de novo?

Victor praguejou baixinho e pegou o smartphone. Sem serviço.

Aborrecido, atirou o tablet de volta na cama e caminhou até as janelas do chão ao teto. Ia gritar com os guardas de plantão para irem checar a sala dos servidores e ver qual cabo tinha se soltado.

Abrindo as portas de vidro duplas e à prova de som, Victor saiu para a varanda, sem camisa.

Ele estava prestes a gritar para o pátio quando, pelo canto do olho, avistou uma cena inacreditável no meio do gramado.

Um dos figurantes de zumbi pairava sobre a grama numa postura extremamente antinatural, prendendo um segurança sob ele.

— Que diabos eles estão fazendo...

Victor apertou a ponte do nariz, achando que a equipe lá embaixo estava aprontando algum tipo de pegadinha doentia. Ele se inclinou sobre o corrimão da varanda e gritou:

— Chega! Ainda não atuaram o bastante? Limpem este maldito jardim agora!

O figurante soltou um rosnado úmido e gutural do fundo da garganta. Num instante, ele se lançou para baixo e cravou os dentes diretamente no pescoço do segurança.

Sangue arterial espesso espirrou violentamente no ar.

Victor ficou paralisado.

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