Capítulo 1 Capítulo 1
Jace tinha acabado de sair do banho quando o celular começou a tocar. Ele suspirou fundo, já sabendo quem era. Caminhou devagar até a cama, com a água ainda pingando do cabelo, e pegou o telefone antes de atender.
— O que foi agora, Chase? Eu disse que não vou. — falou, revirando os olhos.
— É a noite dos calouros. Você não pode perder. Ouvi dizer que vai ter um monte de garotas gostosas. — Chase respondeu. Mesmo sem poder vê-lo, Jace conseguia imaginar perfeitamente o sorriso idiota estampado no rosto dele.
Jace revirou os olhos de novo.
— Eu nem sinto atração por mulheres.
— Verdade, foi mal. — Chase disse rapidamente. — Vai ter um monte de caras gostosos também. Você não vai querer perder. Quem sabe? Talvez encontre alguém interessante. Enfim, você vai, e ponto final. Te vejo lá.
A ligação terminou antes que Jace pudesse dizer mais alguma coisa.
— Chase! — ele gritou, só para perceber que a linha já tinha caído. Conferiu a tela e soltou um gemido de irritação. — Idiota. — murmurou entre os dentes, jogando o celular na cama.
Não era como se ele não quisesse ir à festa. Ele só não estava no clima. Sua cabeça já estava cheia de preocupações, e a última coisa de que precisava era música alta e uma multidão de estranhos.
Mas talvez... talvez uma festa o ajudasse a esquecer por algumas horas.
Ele jogou a toalha que estava usando para secar o cabelo na cama e foi até o guarda-roupa. Seus olhos percorreram as roupas penduradas lá dentro. A maioria era velha, algumas já um pouco gastas, mas ainda serviam.
Depois de um momento, escolheu algo simples: uma camiseta preta, calças escuras, sua jaqueta de couro preta e seus tênis Nike surrados. Nada demais, mas servia.
Vestiu-se rapidamente, borrifou um perfume barato no pescoço e na jaqueta, depois pegou o celular e o capacete antes de sair.
Quando chegou à sala no andar de baixo, deu de cara com o pai, que tinha acabado de voltar para casa. O forte cheiro de álcool tomou o ar imediatamente.
Bêbado. Como sempre.
Jace encarou o homem com uma expressão de puro nojo. Estava prestes a ignorá-lo e ir embora, mas o pai de repente perdeu o equilíbrio e desabou no chão com um baque seco.
Jace suspirou pesadamente. Por mais cansado que estivesse do comportamento do pai, não podia simplesmente deixá-lo largado ali.
Foi até a mesinha, colocou o capacete sobre ela, depois se abaixou e ergueu o pai. Deu trabalho, mas ele conseguiu arrastá-lo até o sofá.
Deitou-o ali e recuou. Por um instante, pensou em pegar um cobertor, mas a ideia logo desapareceu.
Ele não merecia isso.
Sem olhar de novo, Jace pegou o capacete e saiu de casa.
Jace não esperava que fosse chover. Se soubesse, provavelmente nem teria saído de casa. Mas agora já estava na estrada, com a chuva caindo pesadamente ao seu redor.
Gotas frias batiam na jaqueta e no capacete dele enquanto pilotava. A estrada parecia escorregadia e perigosa sob a luz dos postes.
Ele praguejou em silêncio contra Chase.
De repente, seu celular começou a tocar de novo. Ele ignorou, já certo de que era Chase. Mas o telefone continuou vibrando no bolso, sem parar.
— Droga, Chase — resmungou.
Irritado, ele levantou a viseira do capacete e enfiou a mão no bolso para pegar o celular. Olhou para baixo por apenas um segundo, mas, quando ergueu a cabeça de novo, uma luz forte brilhou direto nos seus olhos.
Buzinas altas soaram.
O coração de Jace quase saltou pela boca quando ele desviou a moto rapidamente, por muito pouco evitando uma batida. Os pneus escorregaram um pouco na pista molhada antes que ele conseguisse retomar o controle.
Respirando com dificuldade, ele encostou no acostamento da rodovia. A raiva logo substituiu o medo em seu peito. Ele se virou e viu que o carro que quase o atingira também havia parado.
— Seu desgraçado! — gritou Jace.
Ele desceu da moto de um pulo e marchou em direção ao carro, com a chuva encharcando suas roupas. Bateu com raiva na janela.
O vidro baixou lentamente, e Jace ficou imóvel.
O homem atrás do volante parecia completamente deslocado numa rodovia escura e chuvosa. Tinha traços marcantes, pele pálida e cabelos escuros que caíam de forma impecável sobre a testa. Parecia calmo — calmo demais para alguém que quase tinha causado um acidente. Seus olhos frios e indecifráveis examinaram Jace como se ele não passasse de um pequeno incômodo.
Por um breve momento, Jace se esqueceu do motivo de estar com raiva.
O homem soltou um muxoxo, e sua expressão se transformou em um claro desgosto. Aquilo tirou Jace de seus pensamentos imediatamente.
— Você tem noção de que quase matou alguém? — exigiu Jace, com a voz afiada de raiva.
— E você tem noção de que era você quem estava pilotando como um idiota? — o homem respondeu calmamente.
Jace soltou uma risada áspera.
— Claro. Um desses babacas ricos e mimados que acham que dinheiro resolve tudo.
O homem não reagiu. Simplesmente abriu o porta-luvas, tirou algumas notas de cem dólares e as jogou pela janela.
— Aqui. Pelo transtorno — disse, em tom indiferente. — Agora saia da minha frente.
O vidro subiu, e o carro foi embora antes mesmo que Jace pudesse responder.
— Ei! — gritou Jace, mas o carro já estava longe na estrada.
Ele ficou parado na chuva, encarando o dinheiro espalhado no chão molhado. Seu peito queimava de raiva e humilhação. Tudo o que queria era ir atrás daquele carro e dar um soco na cara do sujeito. Mas fazer isso significaria perder a festa dos calouros… tudo por causa de um riquinho mimado que nem valia o seu tempo.
— É melhor você rezar para nunca mais nos encontrarmos — murmurou.
Ele se virou, voltou para a moto e deixou o dinheiro para trás.
