Capítulo 2 Capítulo 2

O time estava no vestiário, se preparando para o treino. Alguns jogadores amarravam os patins, outros brincavam entre si, enquanto uns poucos já estavam vestidos com o equipamento.

De repente, o treinador entrou e soprou o apito com força.

— Atenção, rapazes. Tenho um aviso.

A sala foi ficando em silêncio aos poucos. Um a um, os jogadores pararam o que estavam fazendo e voltaram a atenção para ele.

O treinador assentiu, satisfeito.

— Temos um novo membro entrando para o time. Quero que todos o tratem bem — como um irmão. Ensinem o que ele precisa saber. Não quero nenhuma sacanagem. Entendido?

— Sim, treinador! — gritaram todos juntos.

— Ótimo. — disse o treinador. Então olhou para a porta. — Pode entrar, Maddox. Não sei por que você ainda está aí fora.

A porta do vestiário se abriu, e Jace entrou. Apesar de estar nervoso, não demonstrou. O rosto permaneceu calmo, quase entediado, enquanto ele olhava ao redor.

Alguns jogadores cochicharam entre si, curiosos sobre o recém-chegado.

No fundo da sala, Scott franziu a testa no instante em que o viu. Reconheceu-o na hora: o idiota da noite passada que quase tinha batido no carro dele. Nunca esperou vê-lo de novo — muito menos ali.

Scott deu um passo à frente, interrompendo o treinador antes que ele pudesse continuar.

— Por que ele, treinador?

O clima pesou.

Os olhos de Jace se fixaram em Scott, e a expressão dele se fechou. A raiva da noite anterior voltou com tudo. Ele cerrou os punhos com força. Se não fosse o primeiro dia ali, já teria socado aquele desgraçado.

Scott continuou, a voz fria e firme.

— Ele não combina com este time. A gente não precisa de alguém como ele aqui.

O treinador franziu o cenho.

— Todo mundo merece uma chance, Scott. Eu acredito que ele pode ser uma boa adição ao time. E precisamos de mais jogadores.

Scott cruzou os braços.

— Se o problema é número, eu encontro outra pessoa.

— Não vai ser necessário. — disse o treinador, com um tom definitivo. — Só dê uma chance a ele. Isso é uma ordem.

A conversa acabou ali.

Scott encarou Jace com ódio, os olhos frios e cortantes.

Jace apenas deu um sorrisinho. Colocou a língua para fora de leve e articulou, sem som:

— Vai se foder.

Os punhos de Scott se fecharam ao lado do corpo. Por um segundo, ele teve vontade de socá-lo ali mesmo. Mas se obrigou a ficar parado. Não deixaria alguém como Jace estragar sua reputação.

O treinador soprou o apito outra vez.

— Certo, chega disso. Todo mundo se aprontando. Quero todos no gelo em dez minutos.

Então apontou para um armário perto do canto.

— Maddox, aquele é o seu. Seu equipamento está aí dentro. Se vista e encontre os outros no gelo.

Jace assentiu.

— Sim, treinador.

O treinador deu uma última olhada pelo vestiário antes de se virar e sair.

Assim que a porta se fechou, a tensão no vestiário voltou. Scott e Jace ainda se encaravam, nenhum dos dois disposto a desviar o olhar.

O resto do time apenas observava, tentando entender o que estava acontecendo. Parecia que uma briga podia estourar. Eles nunca tinham visto Scott discutir com alguém, então aquilo soava diferente. Mas não aconteceu nada. Scott só gritou:

— Vamos, rapazes, vamos!

E então voltou a vestir o equipamento.

Enquanto isso, Jace bufou e foi até o próprio armário. Abriu e viu todo o equipamento lá dentro. Ao encarar aquilo, percebeu que nem sabia como vestir direito. Não queria pedir ajuda aos outros, porque tinha medo de não ajudarem — e o orgulho também não deixaria. Então pegou o celular e pesquisou.

Mesmo depois que o resto do time saiu do vestiário, Jace ainda estava apanhando. Após alguns minutos lutando com o equipamento, finalmente conseguiu colocar tudo. Era pesado demais, como se o peso do mundo estivesse em cima dele, mas ele soltou um suspiro fundo e se encorajou. Pegou o taco de hóquei e seguiu para a pista de gelo.

Quando ele chegou, o treinador foi até ele e perguntou por que tinha demorado tanto. Jace se desculpou e disse que teve dificuldade para vestir o equipamento. O treinador assentiu e disse: “Certo, certo.” Então explicou a posição de Jace como ponta e mandou que ele se juntasse ao resto do time no gelo.

Jace assentiu e patinou para a pista.

Assim que entrou no gelo, Scott olhou para ele com irritação e desgosto. Mas não era só Scott. Outro jogador do time também encarava Jace com ódio.

Logo, o treinador apitou de novo e mandou todos começarem a treinar.

O time começou a passar o disco pelo gelo.

No início, tudo correu bem. Os jogadores patinavam rápido, trocando passes entre si. Então o disco foi para Jace.

Ele tentou dominá-lo, mas o disco escapou do seu taco. Correu atrás dele, se atrapalhou de novo e perdeu a chance de chutar para o gol.

Alguns jogadores suspiraram, frustrados.

De novo, o disco foi para Jace. De novo, ele perdeu o controle.

Um dos jogadores, um cara alto de olhar afiado, estalou a língua, irritado. Depois disso, parou de passar o disco para Jace. Em vez disso, começou a esbarrar nele sempre que patinavam perto um do outro.

Na primeira vez, Jace caiu com força no gelo.

Ele deixou passar. “Talvez tenha sido sem querer”, pensou.

Mas aconteceu de novo. E de novo. E de novo.

A cada vez, o cara batia nele com mais força, derrubando-o como se não fosse nada. Quando Jace ergueu o olhar, viu o brilho frio e odioso nos olhos do sujeito.

Foi aí que Jace percebeu.

Ele está fazendo isso de propósito.

A raiva de Jace explodiu. Ele não era do tipo que deixava os outros intimidá-lo.

Então esperou.

No momento em que o cara patinou em sua direção de novo, Jace se preparou. Assim que o sujeito tentou se chocar contra ele, Jace bateu nele primeiro.

O impacto foi forte. O cara perdeu o equilíbrio e caiu com tudo no gelo.

Antes que alguém pudesse reagir, Jace pulou em cima dele e começou a socá-lo repetidas vezes.

O treinador apitou alto. “Maddox! Para! Para agora mesmo!”

Mas Jace não parou.

Foram necessários dois companheiros de time e Scott para tirá-lo de cima do cara.

Scott empurrou Jace para trás com brutalidade. “Que porra há de errado com você? Ficou maluco?!”

Jace respirava com dificuldade, o peito subindo e descendo. “Ele começou! Você não viu ele batendo em mim e me derrubando? Eu revido e agora o vilão sou eu? Quem diabos você pensa que é?”

Os olhos de Scott escureceram. “Seu capitão. Agora mete a porra da sua bunda na caixa de penalidade. Você vai ficar lá pelo resto do treino.”

Jace piscou, chocado. “O quê?”, disse, dando um passo à frente.

Scott avançou também, ficando com o rosto a poucos centímetros do dele. Seus olhos ardiam de raiva.

“O quê? Vai me bater também? Eu te desafio.”

A tensão entre os dois era sufocante. O time inteiro parou de se mover, observando os dois.

Os punhos de Jace se fecharam. Scott não desviou o olhar.

Nesse momento, o treinador patinou até eles.

“Chega!”, disse ele com firmeza. “Vocês dois, parem com isso.”

Ele se virou para Jace. “Maddox, você ouviu seu capitão. Vá para a caixa de penalidade. Você quebrou as regras. Vou falar com você depois. Por enquanto, todo mundo de volta ao treino.”

Então olhou para o jogador caído no gelo.

“Faça uma pausa, Shane. Isso é uma ordem.”

O resto do time voltou rapidamente ao treino.

Jace lançou um último olhar fulminante para Scott antes de patinar até a caixa de penalidade. Sentou-se com força no banco e tirou o capacete, ainda encarando Scott do outro lado da pista.

Scott sustentou o olhar, com o maxilar tenso.

“Desgraçado”, Jace murmurou baixinho, por fim desviando o olhar antes que seu temperamento explodisse de novo.

No gelo, Scott voltou ao treino, mas seus movimentos eram secos e agressivos. Ele ainda fervia de raiva.

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