Capítulo 3 Capítulo 3

O treinador estava em seu escritório quando alguém bateu à porta.

— Entre — chamou ele.

A porta se abriu, e Jace entrou, com uma expressão neutra. A mochila da escola estava pendurada no ombro.

— Bem-vindo, Maddox. Sente-se — disse o treinador.

Jace se sentou e suspirou, encarando o treinador.

— Sinto muito pelo que aconteceu, senhor — disse ele. — Mas foi ele quem começou. Eu não podia simplesmente deixar ele sair impune.

O treinador assentiu.

— Eu entendo — disse calmamente. — Mas você precisa aprender a controlar sua raiva, Jace. Já conheço você bem o bastante a esta altura, sei como você é cabeça-quente. Shane não estava certo. Não sei por que ele agiu daquele jeito, porque isso não é do feitio dele. Não estou apoiando o comportamento dele, e vou falar com ele mais tarde. Mas, às vezes, você precisa relevar certas coisas. Não pode sempre deixar sua raiva controlar você. Isso vai arruinar muita coisa na sua vida.

Ele se recostou levemente.

— Você acabou de entrar para o time e já brigou com um companheiro, quando deveria estar construindo união. Como isso fica?

Jace percebeu que tinha ido longe demais. Baixou o olhar e murmurou:

— Desculpe, treinador. Vou melhorar.

O treinador assentiu.

— É bom mesmo — disse com um pequeno suspiro. — Você tem potencial, Jace. Foi por isso que eu lhe dei uma chance. Mas não vou conseguir manter você no time por muito tempo se continuar se metendo em problemas. Vai ter que aprender a tolerar seus companheiros de equipe. E é por isso que tenho a pessoa perfeita para ajudar a manter você sob controle e também lhe dar um treino extra para aprimorar suas habilidades mais rápido.

Jace franziu a testa e estava prestes a falar quando houve outra batida na porta.

— Na hora certa — disse o treinador com um sorriso. — Entre.

A porta se abriu, e Scott entrou. No momento em que viu Jace, sua expressão fechada se intensificou. Jace franziu a testa de volta, esperando em silêncio que Scott não fosse a pessoa de quem o treinador estava falando.

Por favor, não ele, pensou. Prefiro morrer a fazer dupla com esse idiota.

— O senhor mandou me chamar, treinador? — perguntou Scott.

— Sim — respondeu o treinador. — Sente-se.

Scott se sentou, e o treinador foi direto ao ponto.

— Preciso de um favor seu — disse. — Quero que você se torne o colega de quarto de Jace. Também quero que dê treinamento particular a ele. Isso vai ajudá-lo a melhorar mais rápido e, no fim, vai beneficiar o time inteiro.

Os olhos de Scott se arregalaram.

— O quê?! — soltou ele. — Eu... não. Não quero ser colega de quarto dele. Não quero ter nada a ver com ele. Ele é imprudente, e eu não posso ficar preso com alguém assim. Já não estou nem feliz por ele estar no time, e agora o senhor quer que eu more com ele e ainda o treine? De jeito nenhum.

O treinador se inclinou para a frente, com a voz firme.

— Você não tem escolha, Scott. É seu dever como capitão fazer o que beneficia o time.

Scott abriu a boca para protestar de novo, mas o treinador o interrompeu.

— Por favor. Faça isso pelo time. — Ele se levantou. — Tenho uma reunião importante para ir. É só por enquanto.

E, com isso, ele saiu do escritório, deixando Scott e Jace encarando um ao outro do outro lado da sala.

Jace foi o primeiro a falar, com a voz cortante e cheia de desprezo.

— O quê? Não finja que você é o único que não quer isso. Eu preferia ser devorado vivo a ficar preso com você.

Scott sorriu de canto, com um tom igualmente mordaz. — Ótimo. Eu teria o maior prazer em arrumar uns canibais para fazer o serviço.

Ele se levantou e acrescentou:

— Se você não conseguir achar o caminho até o dormitório, fale com o treinador sobre levar tudo isso de volta.

Com isso, ele se virou e saiu do escritório.

Jace fuzilou a porta por onde ele tinha saído, murmurando entre os dentes:

— Idiota mimado filhinho de papai!

Por fim, ele se levantou, jogando a bolsa no ombro. Mas, em vez de ir para o dormitório, decidiu fazer um desvio. Saiu do escritório e foi até um bar encontrar os amigos, precisando se livrar da raiva que ainda queimava dentro dele.


Jace entrou no bar e foi direto para a mesa que ele e os amigos sempre ocupavam.

Quando o viram, eles comemoraram. Chase abriu um sorriso.

— Não achei que você fosse aparecer hoje à noite. Pensei que estaria ocupado com o treino de hóquei.

Jace revirou os olhos.

— O treino acabou faz horas. O treinador só pediu que eu ficasse depois para conversar.

Jacob se inclinou para a frente, com um sorriso debochado.

— Chamado para a sala do treinador no seu primeiro dia? Que confusão você arrumou, Tornado?

Os amigos caíram na gargalhada.

Jace pegou um copo de cerveja que já estava esperando por ele e virou tudo de uma vez. Os amigos olharam para ele, surpresos.

Depois de esvaziar o copo, ele limpou os lábios e murmurou:

— Eu tô puto.

Chase ergueu uma sobrancelha.

— Vai com calma, cara. A gente não quer que você morra na nossa frente. Mas, se isso vai te fazer se sentir melhor, conta o que aconteceu. A gente ajuda. Se alguém estiver te enchendo, a gente dá um jeito nele.

Jace balançou a cabeça.

— Não precisa. Eu mesmo resolvi. Mas, se eu arrumar mais confusão, vou ser expulso do time.

Os amigos franziram a testa.

Ele contou tudo o que tinha acontecido. Quando terminou, eles estavam tão irritados quanto ele.

Chase bateu a mão na mesa.

— Isso é um absurdo! Quem eles pensam que são? Um bando de riquinhos irritantes e mimados! A gente devia dar o troco, ensinar uma lição que eles nunca vão esquecer. Aí eles param de mexer com você.

Jace balançou a cabeça e pegou outra cerveja, virando-a de uma vez.

— Seria mais fácil se eu não tivesse nada a perder. Mas eu tenho. Vocês sabem o quanto eu sempre quis jogar hóquei. Agora eu tenho uma chance, e não posso estragar isso. Vou só aguentar eles… por enquanto.

Jacob ergueu uma sobrancelha.

— E o capitão do seu time? O que você vai fazer com ele?

Jace sorriu de canto.

— Ele não é nada. Eu mesmo vou cuidar dele.

Os amigos assentiram em aprovação.

Chase deu um tapinha no ombro de Jace.

— Beleza. Mas, se precisar de ajuda para lidar com ele, lembra: a gente sempre vai estar do seu lado.

Jacob acrescentou:

— É. Sério. A gente faria qualquer coisa por você. É só falar, e a gente resolve.

Jace sorriu.

— Valeu, pessoal.

Ele terminou a bebida e se levantou.

— Tô indo embora agora.

Chase franziu a testa.

— Por que a pressa? Você acabou de chegar.

Jace deu de ombros.

— Preciso pegar algumas coisas em casa e levar para o dormitório. Vou ficar lá de agora em diante.

Chase ergueu uma sobrancelha.

— Quer que a gente vá junto? E você ao menos sabe onde fica seu dormitório, já que aquele idiota se recusou a te dar o número do quarto?

Jace sorriu de canto.

— Confia em mim. Eu sei.

Os amigos riram e balançaram a cabeça, nem um pouco surpresos.

Jace saiu do bar. Encontrar o dormitório de Scott não foi difícil — ele só precisou perguntar a algumas pessoas, já que Scott era popular no campus, e pronto.

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