Dor
/-RILEY-/
Acordo sentindo uma dor incrível. Lágrimas se acumulam nos meus olhos ao perceber que não foi um sonho. Acabei de perder minha virgindade para um homem sobre o qual sei quase nada.
Choro na cama, incapaz de me mover. O que vou dizer para a mamãe? Como vou encarar o papai? O que vou contar para eles? Que fui a uma festa escondida e fui estuprada? Meu telefone toca na cama e eu o alcanço imediatamente.
"Onde diabos você está, Riley? Eu sei que disse diabos..."
"Eu fui estuprada, Diane," eu solto. Ela fica em silêncio por um tempo antes de explodir em uma risada. Uma risada cruel.
"Ok, você me pegou..."
"Não estou brincando. Você me abandonou. Você me fez vir e me deixou. Você me deixou, Diane. Sozinha em um clube perigoso e eu fui estuprada," eu grito ao telefone com lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
Jogo o telefone longe e choro. Me sinto tão inútil. Será que algum dia vou conseguir superar isso? Posso viver com essa cicatriz?
Rolo para fora da cama e rastejo até o banheiro. Encho a banheira com água quente e me mergulho nela. As memórias continuam passando pela minha cabeça, e eu fecho os olhos tentando esquecer, mas a dor na minha vagina me lembra constantemente de cada momento.
Choro até dormir na banheira. Me sinto um pouco melhor depois de acordar e saio cuidadosamente da banheira. Dou passos cuidadosos até o quarto e os lençóis ensanguentados me lembram mais uma vez do que tentei esquecer.
Incapaz de chorar mais, enrolo o roupão no corpo e saio do quarto. Pego roupas emprestadas de uma das funcionárias e dinheiro também. Chamo um táxi e vou para casa encontrar minha mãe parecendo muito brava. Finjo um sorriso e vou até ela.
"Onde você estava ontem à noite?" Ela pergunta com raiva. Abro a boca para falar, mas nada sai. Nunca pensei em mentir para a mamãe.
"Desculpa, mamãe," peço desculpas. Ela me dá um tapa e eu pisco rapidamente.
"Você sabe que nunca pensei que poderia criar uma prostituta como filha," ela grita e meus olhos se voltam para ela. Minha mãe acabou de me chamar de prostituta?
"Eu te dei tudo o que você pediu. Te mandei para a melhor escola de ensino médio em São Francisco. Eu estava pronta para... Deus! O que esses vagabundos te dão?" Ela grita.
"Do que você está falando, mamãe?" Eu choro. Ela levanta a mão para me bater de novo, mas Diane a impede.
"Pare de bater nela, Sarah. Isso não vai mudar nada. O mais importante é que você conheça a verdadeira Riley. Eu tentei te contar e ao papai várias vezes, mas como sempre, ninguém ouve a Diane. Dizem que a Diane é a má. Talvez eu seja má, mas pelo menos eu não fico dormindo por aí," ela diz e o choque toma conta.
"Diane, você..."
"Não quero ouvir. Eu te disse para não ir, não disse? Você disse que ninguém descobriria," ela me repreende. Lágrimas rolam incontrolavelmente pelo meu rosto.
Eu deveria saber que não havia como ela simplesmente decidir sair comigo. Eu deveria saber que ela nunca gastaria tanto tempo me arrumando.
Mamãe me lança um olhar desapontado e entra. Diane se vira para mim.
"Que tal essa, sua pequena prostituta?" Ela sorri maliciosamente.
"Você planejou isso? Por que faria isso comigo? Eu sou sua irmã..."
"Você é filha da Sarah, Riley. O que você achou? Que poderia simplesmente entrar na minha vida com sua mãe e tirar meu pai de mim? Isso não vai acontecer," ela diz com uma voz cheia de ódio e entra.
Minha cabeça gira. Nunca pensei que Diane pudesse me odiar tanto. Eu sei que ela não gosta de mim, mas precisava me arruinar desse jeito? Mamãe nem vai me ouvir. Vou para o meu quarto e fecho a porta.
Sento na cama pensando em como meu mundo está desmoronando rapidamente. Nem tenho mais forças para chorar. Minha cabeça também dói.
Abro a gaveta e procuro por aspirina, mas o barulho do carro me interrompe. Ignoro e alcanço o frasco, mas a voz trovejante do papai me interrompe novamente. Será que Diane mentiu para ele também?
"Quero essa prostituta suja fora da minha casa agora mesmo," ele troveja.
