Inimigo?

/-Riley-/

"Você não pode estar falando sério. Como seus pais puderam te entregar assim?" Tess pergunta. Eu tomo um gole da minha bebida e suspiro.

"Não sei. Me sinto uma merda".

"Então você vai embora amanhã? Nunca mais vamos te ver?" Jamie diz e eu me sinto péssima.

Eles estavam ansiosos para me entregar ontem à noite, mas ele me deixou ficar para que eu pudesse me despedir dos meus amigos.

"Ainda não sei. Minha vida está desmoronando e eu não posso fazer nada. Supliquei, chorei e praticamente me joguei aos pés do meu pai, mas ele não mudou de ideia. Quase acho que sou um azar" digo baixinho.

Jamie dá um tapinha no meu ombro e sorri.

"Você vai ficar bem".

"Não, ela não vai. Isso é uma loucura. Eles a venderam para um homem que a estuprou. Quem faz isso?" Tess resmunga. Isso só me faz sentir mais pena de mim mesma.

Não consigo evitar o ódio crescente por eles, especialmente pela minha mãe. Ela deveria estar ao meu lado e meu pai, esse homem deveria ser meu herói.

"O que eu faço, Tess? Meu mundo está desmoronando" pergunto desesperada.

"Você não pode ser fraca, Riley. Vai precisar de muito mais do que lágrimas. Tem que ser forte, especialmente agora que vai passar sua vida com um homem desconhecido" Jamie diz. Ele é bom em dar conselhos, embora isso não resolva exatamente meu problema.

"Se você me perguntar, eu diria para frustrá-lo. Traga o inferno para ele. Ele fala, você grita. Ele grita, você berra. Não deixe ele te tocar de jeito nenhum. Pelo que você contou, ele veio porque te quer. Ótimo, seduza ele e negue seu corpo. Se possível, tranque-se no banheiro. Alguns dias de bolas azuis severas vão trazer ele de volta à realidade" Tess diz. Ok, ela é péssima em dar conselhos.

Poucas vezes que a ouvi me meteram em grandes problemas.

.

"Tess! Você está falando com a Riley aqui. Ela não é tão implacável quanto você. O cara a estuprou antes, qual a garantia de que ele não vai fazer isso de novo, se ela seguir seu conselho" Jamie diz. Outro pensamento que tenho tentado manter fora da minha mente.

Não sei que tipo de homem Dean é. Sei que não gosto de estar perto dele. Ele me deixa nervosa e estranha.

"Se ele tentar alguma coisa, amiga, eu digo para cortar as bolas dele com uma tesoura" Tess diz e Jamie fica pálido.

"Caramba, não. Não faça isso, Riley. Jesus, Tess, por que você diria isso".

Ela revira os olhos e eu dou uma risada. Diane entra na cozinha e o silêncio se instala. Ela olha feio para meus amigos e vai até a geladeira.

"Meu Deus! Mal posso esperar para nos mudarmos. Estou cansada de ver perdedores ao meu redor" ela resmunga saindo da cozinha com uma caixinha de suco.

"Por que ela é sempre tão nojenta?" Tess se irrita.

"Seus pais estão se mudando?" Jamie pergunta.

"Sim. Compraram uma casa maior e mais bonita. Eles queriam me manter no escuro, mas Diane estava ansiosa demais para esfregar isso na minha cara".

"Uau. Isso é muita coisa. De qualquer forma, eu queria perguntar. Quem é nosso estuprador?".

"Dean Shaw" dou de ombros e Tess deixa cair suas batatas fritas.

Eles me olham incrédulos antes de cair na risada. Eu permaneço séria e eles param.

"Meu Deus. Você não está brincando. Você quer dizer Dean Shaw. Tipo 'o' Dean Shaw?" Jamie pergunta. Eu aceno.

"Não acredito!" Eles gritam e eu cubro meus ouvidos.

"Detalhes, por favor. Como ele é? Ele é tão bonito quanto nas notícias? Como você se sentiu? Me conte tudo. Estou super curiosa" Tess fala sem parar.

Eu a olho com descrença e diversão. O que aconteceu com a Tess do "corte as bolas dele"?

*. *

Mais tarde à noite, depois que meus amigos foram embora, fico em frente à penteadeira e me olho no espelho.

Eu realmente vou embora hoje. Isso está realmente acontecendo.

Prendo meu cabelo castanho cacheado em dois rabos de cavalo como sempre faço e passo um pente na franja.

Uma batida na porta me impede de tirar as lentes de contato. Fico parada esperando quem quer que seja entrar. Mamãe entra com um sorriso.

"O motorista está esperando lá embaixo" ela diz. Eu a ignoro e tiro as lentes de contato. Olho para o espelho com raiva e ódio.

Odeio como pareço frágil. Odeio como sou fraca. Odeio o fato de não poder simplesmente fugir.

Meus olhos jade estranhos não revelam nada além de dor crua. Coloco as lentes de volta.

"Querida, você sabe que estamos fazendo isso por você, certo?" Mamãe diz, alimentando minha raiva. Não respondo.

Tento sair quando ela coloca a mão no meu ombro. Eu a afasto com um tapa.

"Vamos, querida. Você não pode ficar brava conosco" ela tenta me acalmar. Eu a encaro com um sorriso.

"Não estou apenas brava, mas também odeio todos vocês. Vocês podem ter se livrado de mim hoje, mas não será por muito tempo. Eu voltarei para arruinar suas vidas do mesmo jeito que arruinaram a minha. É uma promessa".

Desço as escadas sem dar tempo para ela se recuperar. Entro no carro e olho para frente sem me preocupar em dizer adeus. No que me diz respeito, esta não será a última vez que eles me verão.

A viagem é tão longa que mal consigo ficar acordada. Quando finalmente fecho os olhos para dormir, sinto um toque.

Abro os olhos para um segundo paraíso. Pulo do carro de excitação. O lugar inteiro está decorado com diferentes tipos de flores e luzes. Rapidamente pego uma flor e a coloco no cabelo.

Tudo é tão bonito e pavimentado. Sigo o motorista enquanto os homens ao redor se curvam.

Fico boquiaberta com o interior. Nunca mais vou para casa. As paredes são revestidas com espelhos e barras. Nem quero falar sobre as antiguidades. Tudo grita riqueza e beleza.

A sala de estar é organizada em quatro cantos com televisores e sofás em cada canto. Cada mesa tem uma tigela de frutas e não hesito em pegar uma tigela. Eu amo frutas.

Me acomodo no meu pequeno paraíso para devorar as bananas quando ouço o som de saltos.

Olho para cima e vejo uma mulher deslumbrante. Ela é bem jovem, mas mais velha que eu. Provavelmente na casa dos vinte.

Admiro seu macacão de couro com o casaco de pele ao redor de seu corpo esguio. Seu cabelo loiro cai livremente sobre o casaco e seus lábios estão franzidos.

"Olá. Adoro seu casaco, é de pele verdadeira?" Pergunto inocentemente.

"Você é a esposinha dele, não é?" Ela zomba, caminhando até um dos bares. Adoro os saltos dela. Como ela consegue andar neles?

"Meu nome é Riley. Qual é o seu?" Pergunto. Ela se serve de vinho em vez de responder.

"Você não sabe no que está se metendo. Dean não pertence a ninguém. Você é apenas mais um brinquedo que ele gosta. Nem vejo o que o atraiu em você" ela diz friamente.

"Por que você está sendo tão má?" Pergunto. Achei que ela fosse legal.

"Isso não é um playground, Riley. Fuja enquanto pode" ela diz, saindo com seu copo.

"Qual é o seu problema? Você nem me conhece" eu franzo a testa.

"Talvez. Mas eu não gosto de você".

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