Capítulo 1 Um dólar pela minha ruína

Chloe

Acordei numa escuridão tão espessa que eu não conseguia ver nem a minha própria mão. Por um segundo apavorante, achei que tinha ficado cega.

Então eu senti ele.

Meu Deus. O que foi que eu tinha feito?

Eu estava nua. Ele estava nu. Quando a mão dele roçou na minha cintura, eu me afastei num tranco tão forte que a cama rangeu.

—Calma —ele murmurou, a voz baixa e áspera como cascalho. Não cruel. Só… gentil. —Eu tô aqui.

Ele se mexeu devagar, com intenção, como se eu pudesse me estilhaçar. O corpo dele era sólido contra o meu — peito largo, músculos definidos se movendo sob a pele quente.

O hálito dele queimou na minha nuca e, meu Deus, aquelas mãos eram enormes, envolvendo minha cintura como se não fosse nada. Os dedos dele desceram pela minha coluna, suaves, mas firmes, deixando rastros de calor.

—Você tá tremendo —ele sussurrou. —Me diz se você quer que eu pare.

Os lábios dele encontraram meu ombro, cuidadosos e sem pressa. O peso dele sobre mim era sólido, me ancorava — só músculo duro e força controlada.

Quando a mão dele segurou meu rosto, o polegar roçando na minha maçã do rosto, alguma coisa dentro de mim rachou — não quebrando, só… se abrindo.

O corpo dele se movia com uma precisão cuidadosa, como se ele estivesse se segurando, mantendo a força sob controle. Sempre que eu arfava, ele diminuía, sussurrando promessas que ninguém deveria fazer a uma desconhecida.

Quando acabou, ele não simplesmente rolou para o lado. Ouvi passos pelo carpete, água correndo; então ele voltou com algo quente e úmido. Ele me limpou com a mesma gentileza, como se eu fosse algo frágil. Quando beijou minha testa, eu quase desmoronei.

—Dorme —ele disse, puxando o cobertor sobre nós. O braço dele se acomodou ao redor da minha cintura, sólido e seguro. —Amanhã vai ser melhor.


Acordei com uma luz cinzenta, a cabeça latejando, a boca com gosto de morte. O homem ao meu lado ainda dormia, respirando fundo e regular.

Na penumbra, eu conseguia distinguir a silhueta dele — alto, mais de um metro e oitenta, ombros largos afinando para uma cintura estreita. Braços definidos de trabalho de verdade, não só vaidade de academia. Mas o rosto? Virado para o outro lado, enterrado no travesseiro.

Minhas roupas estavam espalhadas por toda parte — vestido rasgado, calcinha sumida. Mas as roupas dele estavam jogadas sobre uma cadeira.

Eu as peguei rápido.

A camisa caiu até minhas coxas, grande demais mesmo no meu corpo de noventa quilos. A calça precisou ser dobrada quatro vezes na barra. Eu estava ridícula, mas pelo menos estava coberta.

Minha bolsa estava no chão, o conteúdo espalhado como cena de crime. Enfiei tudo de volta com as mãos tremendo — celular morto, chaves, carteira vazia, exceto por…

Uma nota de um dólar. Amassada e rasgada. Meu último dólar.

Fiquei olhando para aquele pedaço de papel patético. Esse cara tinha sido gentil comigo. Tinha cuidado de mim. E eu ia sair andando com as roupas dele, sem deixar nada?

NÃO!

Eu podia estar falida, gorda, o maior desastre de Los Angeles. Mas eu não era caso de caridade. E eu com certeza não ia ficar devendo nada a ninguém, principalmente a um desconhecido que tinha me visto no meu pior.

Alisei a nota e coloquei sobre o criado-mudo. Depois rabisquei no bloquinho do hotel:

Obrigada pela gentileza de ontem à noite. É tudo o que eu tenho. Agora estamos quites. —C

Dobrei o bilhete em volta da nota, peguei meu celular e escorreguei para o corredor.


No meio do caminho pelo saguão, ouvi vozes vindas da escada de emergência. Vozes familiares. Eu congelei e, em seguida, me escondi atrás de uma palmeira enorme num vaso, o coração martelando.

—Mãe, está feito. —A voz de Mia vibrava de satisfação. —Eu mesma entreguei aquela porca gorda direto no quarto dele.

Meu sangue virou gelo.

—E ninguém consegue rastrear isso até a gente? —Aquela era Evelyn Sterling — que me criou por dezoito anos e depois me expulsou no dia em que o teste de DNA deu resultado.

—Ah, por favor. Eu apaguei as imagens das câmeras. Para todo mundo, a Chloe entrou cambaleando, bêbada e desesperada. —Mia riu como vidro quebrando. —Você tinha que ter visto ela. Noventa quilos de puro desespero. Que nem uma porca no cio.

Eu pressionei a mão sobre a boca, lutando contra a náusea.

—E o homem? —Evelyn perguntou, ríspida.

—Um velho bêbado, cinquenta e tantos. Careca. Barriga de chope. Exatamente o tipo de perdedor que aquela vaca merece.

Pera. O quê?

Careca? Barriga de chope? Cinquenta e tantos?

Minha mente voltou, girando, para o homem lá em cima. Aqueles ombros largos. Os músculos definidos se movendo sob a pele quente a cada movimento. A cintura estreita. Aquele peso sólido sobre mim — força controlada e poder bruto.

Aquele não era o corpo de um homem de cinquenta anos com barriga de cerveja. Era o corpo de alguém jovem, em forma, construído como a porra de um deus.

Mia tinha me colocado no quarto errado? Ou eu tinha ido parar na cama errada?

De qualquer forma, o homem com quem eu tinha dormido não era aquele com quem Mia achava que tinha armado para mim.

"Ah, e a mamãe? Aqueles vitaminas que eu vinha dando pra ela?"

"O que tem eles?"

"Não são vitaminas. São hormônios. Há cinco anos. Cada comprimido foi feito para fazê-la engordar. Foi por isso que ela passou do peso normal para duzentos quilos. Porque fui eu que a deixei assim."

A porta da escadaria bateu com força ao se fechar.

Cinco anos.

Cinco anos desde que eles me expulsaram da mansão deles e me jogaram naquele apartamento infestado de baratas no leste de Los Angeles.

Cinco anos de Mia aparecendo todo mês com seus "pacotes de cuidado" — aqueles frascos de vitaminas, cada um entregue com um sorriso solidário e um abraço que fazia minha pele se arrepiar.

E eu os tomei. Todos eles. Cada um. Porque alguma parte patética de mim ainda queria acreditar que ela se importava.


Cambaleei para casa e fui direto ao banheiro, quase não conseguindo chegar ao vaso. Quando não sobrou mais nada, sentei no piso frio e me permiti chorar — soluços enormes, feios, presos dentro de mim havia cinco anos.

Então me levantei, lavei o rosto e fui até a cozinha.

Todos aqueles frascos que ela tinha me trazido — enfileirados no balcão como troféus. Varri todos para o lixo com um único movimento violento, ouvindo-os se despedaçarem.

"Vai se foder, Mia", sussurrei. "Vai se foder, seu veneno, sua cara perfeita e sua vida perfeita. Acabou. Não vou mais ser sua vítima."

Eu não estava destruída. Só enterrada. E ia cavar meu caminho para fora.

"Um ano", eu disse ao meu reflexo. "Um ano para perder noventa quilos. Um ano para ficar forte o suficiente para fazer todos eles pagarem. Um ano para me tornar alguém que eles não possam ignorar, não possam desprezar, não possam destruir."

A garota no espelho assentiu devagar.


Doze meses de inferno — correndo ao amanhecer até vomitar, refeições que mal podiam ser chamadas de comida, treinos que me faziam chorar.

Doze meses contando calorias, controlando macronutrientes, forçando meu corpo durante semanas inteiras sem progresso. Indo dormir com fome, acordando dolorida.

Mas funcionou. Eu não era mais aquela garota. Eu era algo mais duro. Algo que revidava.

Meu celular vibrou. Número desconhecido.

"Chloe Harrison?" Voz feminina, fria. "Aqui é Evelyn Sterling. Precisamos conversar sobre sua mãe."

Eu não falava com Evelyn havia seis anos. Não desde que ela tinha olhado para mim, aos dezoito anos, naquela cama de hospital, e dito: "Você não é minha filha. Saia." Se ela estava ligando, queria alguma coisa.

"Estou ouvindo."

"Sua mãe biológica, Margaret Harrison, está morrendo. Câncer em estágio quatro. O tratamento ultrapassa cento e cinquenta mil por mês. Seu pai gastou tudo procurando por você antes de morrer. Não sobrou nada."

Meu peito se apertou, mas mantive a voz firme. "Aonde você quer chegar?"

"Tenho acesso a um programa experimental de tratamento. Terapia oncológica de ponta, disponível apenas para pacientes selecionados. Posso conseguir uma vaga para sua mãe. Mas há um preço."

Claro. Com Evelyn sempre havia um preço.

"O que você quer?"

"A família Astor propôs uma aliança matrimonial", disse Evelyn, com a voz suave como seda. "O noivo é Julian Astor — de uma das famílias mais prestigiadas de Los Angeles. Dinheiro antigo, linhagem impecável. Esta é uma oportunidade extraordinária para alguém na sua... posição."

Julian Astor.

Eu conhecia esse nome. Qualquer pessoa que acompanhasse as fofocas da alta sociedade de Los Angeles conhecia o segredo trágico da família Astor. Um homem de cinquenta e tantos anos. Desfigurado por um acidente de carro. Preso a uma cadeira de rodas. Supostamente falido e mentalmente instável.

O homem com quem ninguém queria se casar.

Se é tão generoso, por que Mia não está correndo para aceitar?

O silêncio se estendeu entre nós como uma corda bamba.

"Sua mãe está morrendo—"

"E você está mantendo a vida dela como refém." Eu a interrompi. "Não vamos fingir que isso é outra coisa além de extorsão."

Pensei em Margaret Harrison, deitada naquela cama de hospital. Uma estranha que compartilhava meu DNA. Pensei no meu pai, que morreu me procurando.

E pensei em Mia e Evelyn, que me envenenaram por cinco anos e riram.

"Você quer me mandar para casar com algum velho quebrado que ninguém mais quer", eu disse em voz baixa.

Próximo Capítulo