Capítulo 8 Dormir? Impossível

Chloe

Na Astor Capital, o elegante prédio de vidro fazia a Goldman parecer caindo aos pedaços em comparação. A primeira entrevista correu bem — o diretor do departamento me bombardeou com perguntas sobre modelagem financeira, e minhas respostas saíram com confiança. A segunda rodada trouxe a diretora de RH e o CFO, testando minha capacidade de lidar com pressão.

— Parabéns, Srta. Harrison. Você passou nas duas etapas. A liderança sênior fará a entrevista final — entraremos em contato dentro de uma semana.

Ao sair, chequei o celular. Outras duas firmas boutique tinham respondido com pedidos de entrevista.

Eu não podia depositar todas as minhas esperanças na Astor Capital, mesmo que Julian fosse o dono. Eu precisava de opções de reserva.

Antes de seguir para a entrevista da tarde, meu telefone tocou. Evelyn.

— Só ligando para saber como você está, querida — a voz dela pingava falsa doçura. — Ainda procurando emprego? Imagino que seu marido nem consiga ajudar com isso.

A voz chorosa de Mia veio ao fundo.

— A pobre da Mia conheceu um dos primos ricos do Julian num jantar na semana passada — gastou milhares em um vestido de grife, mas ele simplesmente a ignorou completamente.

— Mãe, será que ele descobriu que eu cresci pobre?

— Querida, você ainda é melhor do que a Chloe — pelo menos é nossa filha de verdade.

Meu aperto no celular se intensificou.

— Essa ligação tem algum propósito?

— Só estava me perguntando como você está se virando com aquele inválido falido. Onde é que você está morando, afinal?

— Onde eu moro não é da sua conta. — Minha voz ficou gelada. — Mas diga à Mia que ela desperdiçou esse dinheiro, porque as pessoas desses círculos sentem o cheiro de desespero a quilômetros de distância. Nenhuma quantidade de Chanel esconde o fato de que ela é uma alpinista social sem classe.

Mia gritou:

— Pelo menos eu estou tentando subir na vida! Você está presa servindo um aleijado acabado!

— Quer saber por que ele te ignorou, Mia? Porque você fede a desespero de nova-rica. As pessoas que realmente pertencem àquele meio enxergam você através de você num segundo.

Desliguei, com a mão tremendo.

A entrevista da tarde na firma boutique foi exatamente como eu esperava — sorrisos educados, promessas vagas e uma oferta insultuosamente baixa.

Quando citaram cento e vinte mil dólares, mantive o rosto neutro e disse que pensaria, mas por dentro eu fervia. Eram trinta mil dólares a menos do que eu ganhava na Goldman.

Ao sair, a realidade desabou sobre mim.

Se a rodada final da Astor Capital não desse certo, talvez eu não tivesse escolha a não ser engolir o orgulho e aceitar aquela oferta humilhante. Só de pensar nisso, meu estômago revirava.

Depois de tudo pelo que eu tinha lutado — a perda de peso, reconstruir minha confiança, escapar do assédio do Richard — eu ia mesmo deixar alguma firma boutique me pagar tão abaixo do que eu valia?

Embora os cinquenta mil dólares tivessem aliviado meu pânico imediato, estar desempregada significava que eu ainda precisava contar cada centavo.

Afastei os pensamentos em espiral.

Ethan vinha treinando brutalmente para seus próximos jogos — eu o ouvira se arrastar para casa, exausto, todas as noites desta semana. O mínimo que eu podia fazer era cozinhar algo decente para ele, alimentá-lo direito.

Eu estava no supermercado de East LA, escolhendo com cuidado legumes em promoção e peito de frango, planejando mentalmente os pratos ricos em proteína de que ele mais gostava.

Voltando para casa com duas sacolas pesadas, notei o mesmo grupo de senhoras idosas de ontem, desta vez apontando para um familiar Rolls-Royce preto.

— Está de volta! Dois dias seguidos!

Meu coração disparou. Julian estava me esperando de novo.

Ele saiu do carro quando me aproximei, injustamente bonito em um terno grafite, claramente vindo direto de alguma reunião de negócios. Sem dizer uma palavra, ele pegou as duas sacolas das minhas mãos.

— Você não precisava vir de novo — eu disse, embora um calor se espalhasse pelo meu peito.

— Precisava, sim. — Os olhos âmbar dele prenderam os meus. — Eu te disse: quero fazer parte da sua vida de verdade. Isso inclui buscar você no trabalho.

Enquanto subíamos as escadas, ele perguntou sobre o meu dia. Contei que tinha passado nas duas primeiras etapas da Astor Capital, grata pela oportunidade que ele me proporcionou, mas orgulhosa por ter conquistado esse avanço pelos meus próprios méritos.

— E a outra entrevista? — ele perguntou casualmente.

Parei no patamar da escada e me virei para encará-lo.

— Como você sempre sabe dessas coisas?

— Eu presto atenção no que importa para mim. — A mão livre dele subiu para segurar meu rosto. — Você importa para mim, Chloe.


Na cozinha, entramos num ritmo fácil.

Julian estava ficando melhor em cortar legumes, embora ainda precisasse de orientação.

O espaço pequeno nos obrigava a ficar perto, e eu estava intensamente ciente de cada roçar da mão dele na minha, de cada vez que o peito dele pressionava minhas costas ao se esticar ao meu redor.

"Você está ficando bom nisso", eu disse enquanto ele cortava tomates em cubos com habilidade.

"Tenho uma boa professora." A voz dele estava calorosa. "Embora eu esteja começando a achar que você mantém esta cozinha pequena de propósito."

"De propósito?"

Ele pousou a faca e me virou para ficar de frente para ele, me encurralando de leve contra a bancada. "Para a gente ter que ficar assim, bem perto." As mãos dele pousaram em cada lado meu, me prendendo ali. "Não estou reclamando."

Minha respiração falhou. "Julian—"

"Me conta sobre a outra entrevista. Como foi?"

Mordi o lábio. "Me ofereceram a vaga. Cento e vinte mil dólares por ano."

"Menos do que o seu salário no Goldman."

"Eu sei. Pedi cento e sessenta e três mil. Disseram que me dariam uma resposta." Ergui os olhos para ele. "Não vão dar. Eu vi isso no rosto deles. Mas eu não ia me desvalorizar só porque estou desesperada."

Algo feroz e orgulhoso brilhou nos olhos dele. "Muito bem. Você não devia mesmo." O polegar dele deslizou pelo meu lábio inferior. "Embora você deva saber uma coisa: se vier trabalhar para mim, vai fazer por merecer cada dólar do seu salário. Eu não faço caridade, lembra?"

"Eu sei."

"Durante o expediente, você vai me chamar de Sr. Astor. Eu vou chamar você de Srta. Harrison. Limites completamente profissionais." A voz dele baixou, íntima e rouca. "Mas, depois do expediente, quando estivermos em casa..." Ele se inclinou, os lábios quase roçando minha orelha. "Depois do expediente, você é minha."

O calor se espalhou no meu estômago. "Sua?"

"Minha", ele confirmou, afastando-se para me olhar. "Minha esposa. Em todos os sentidos da palavra."

Durante o jantar, Ethan estava mais quieto do que o normal, os olhos acompanhando cada movimento de Julian com uma hostilidade mal disfarçada. Quando a mão de Julian pousou casualmente na minha lombar ao pegar o sal, o maxilar de Ethan se contraiu.

"Então você vai ficar esta noite?" Ethan perguntou, em um tom cuidadosamente neutro.

"Sim", Julian respondeu com calma.

O garfo de Ethan bateu no prato com estrépito.

"Ethan", adverti baixinho.

"Somos casados", Julian disse, com uma voz razoável, mas firme. "É natural que casais casados morem juntos. Embora eu entenda que isso seja uma adaptação para você."

"Uma adaptação", Ethan repetiu, sem expressão. Levantou-se abruptamente. "Vou para o meu quarto."

Depois que ele saiu, suspirei. "Ele vai aceitar. Só precisa de tempo."

"Eu sei." A mão de Julian encontrou a minha sobre a mesa.

Julian se levantou, me puxando com gentileza em direção ao quarto.

"Vamos", murmurou. "Está tarde."

Hesitei junto à porta, de repente consciente demais da minha camiseta de dormir fina e do short — algodão velho que abraçava minhas curvas mais do que devia, o tecido sussurrando contra minha pele a cada respiração.

Julian se virou da janela, a silhueta dele nítida contra a noite. Os olhos âmbar dele percorreram meu corpo lentamente, escurecendo ao demorarem nas minhas pernas nuas, na curva suave dos meus seios, na linha vulnerável da minha clavícula.

O ar ficou mais denso; ele me olhava como se eu fosse a ruína dele, com uma fome no olhar que fez meu pulso disparar.

"A cama é pequena", ele disse, rouco, fechando a distância em duas passadas, a colônia dele — limpa, masculina — me envolvendo.

"Eu posso—"

"Não." Os dedos dele roçaram meu braço, espalhando faíscas pela minha pele, enquanto me guiava até o colchão.

Deslizei para debaixo do lençol gasto, fresco contra meu corpo afogueado. Ele veio atrás, e a cama afundou bruscamente, forçando nossos corpos a ficarem colados — o peito dele nas minhas costas, a coxa encaixada entre as minhas, o braço se enrolando na minha cintura.

"Relaxa", ele murmurou, os lábios roçando minha nuca, a respiração quente. A mão dele se abriu sobre meu estômago, os dedos traçando círculos preguiçosos sob a barra da minha camiseta, descendo aos poucos em direção ao meu quadril.

Cada carícia acendia fogo nas minhas veias; arqueei instintivamente, querendo mais, mesmo quando o pânico cintilou — a cicatriz no lado esquerdo da minha cintura, irregular por causa do acidente, um segredo que eu enterrara bem fundo.

"Julian..." Fiquei tensa, a mão pairando para impedi-lo, envergonhada daquela marca feia. Os dedos dele desceram mais, roçando a barra do meu short, tão perto de expor a cicatriz que prendi a respiração, com o coração batendo descompassado.

Então meu celular vibrou bruscamente na mesa de cabeceira, despedaçando a névoa.

Número desconhecido: Srta. Harrison, RH da Astor Capital. Entrevista final na sexta-feira, às 10h. Confirma?

Apanhei o celular às pressas, com a respiração irregular, digitando um sim rapidamente.

"Boas notícias?" A voz de Julian estava rouca, a mão dele imóvel, mas ainda quente, sobre a minha pele.

"Entrevista final." Alívio e arrependimento se misturaram no meu peito.

Ele soltou o ar, me puxando para mais perto. "Ótimo."

Mas a interrupção permaneceu, com uma tensão elétrica vibrando entre nós.

Dormir? Impossível.

O polegar de Julian traçou um círculo lento no meu estômago, descendo mais, acendendo faíscas que atravessaram meu corpo inteiro.

Ele se aproximou ainda mais, o peito sólido contra mim, a coxa abrindo caminho entre as minhas. "Agora, onde é que a gente estava?"

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