Capítulo 1 Esperando por Sua Grande Promessa

O vento cortante vindo do porto mordeu meus ombros nus quando saí do carro preto. Estremeci, puxando o xale fino de seda para mais junto do peito. Acima de mim, a imponente fachada de vidro do Grand Hawthorne Hotel parecia raspar o céu noturno sem estrelas. Flashes de câmeras explodiam como relâmpagos perto da entrada, iluminando os rostos impecáveis da elite financeira da cidade enquanto entregavam as chaves aos manobristas e deslizavam pelos degraus cobertos de veludo.

Esta noite era a noite.

Apoiei a mão espalmada sobre o estômago para acalmar o tremor nervoso sob meu vestido esmeralda. Debaixo do tecido, escondida junto à clavícula, uma corrente de prata sustentava um anel simples de platina, sem enfeites. O metal parecia quente contra a minha pele. Era o único calor que eu tinha ali fora, no frio.

Seis meses. Nós nos escondemos por longos seis meses.

Fechei os olhos e deixei a lembrança me ancorar. Eu ainda conseguia sentir o cheiro estéril do produto de limpeza do chão do fórum. Ainda conseguia ver as luzes fluorescentes refletidas nos olhos cinza-aço de Tristan enquanto ele assinava a certidão de casamento. Não havia câmeras, nem convidados, nem vestidos brancos. Apenas uma atendente cansada e o silêncio pesado de uma sala vazia.

“Só me dê tempo, Mina”, ele tinha dito, segurando minhas mãos entre as dele. Seu aperto era firme, sua voz um ronco baixo que vibrava no meu peito. “O conselho está no meu pé por causa das novas aquisições. Se a imprensa descobrir isso agora, as ações vão despencar. Vamos manter isso em segredo até o fim do trimestre fiscal. Depois, no baile de outono, eu vou apresentar você ao mundo. Vou lhe dar o casamento que você merece.”

Eu tinha assentido. Eu tinha confiado nele. Eu o amava o bastante para viver nas sombras, esperando o dia em que ele me puxaria para a luz.

Esse dia havia chegado. O baile anual de outono do Johnston Group. Ele prometeu me chamar ao palco esta noite. Prometeu acabar com os sussurros, com as noites solitárias na cobertura vazia, com a distância forçada sempre que participávamos dos mesmos eventos. Esta noite, a corrente sairia, e o anel iria para o meu dedo.

Respirei fundo, deixei o frio limpar minha mente e caminhei em direção à entrada.

O lobby do Grand Hawthorne era uma caverna de ouro e mármore. Lustres de cristal pairavam no teto abobadado como lágrimas congeladas. Um quarteto de cordas tocava num canto, suas notas se afogando no zumbido de vozes caras. Passei direto pelo principal aglomerado de paparazzi. Eles me ignoraram. Para eles, eu era só mais um rosto na multidão, uma consultora de estratégia de nível intermediário que tinha conseguido um convite. Eles procuravam os titãs. Procuravam meu marido.

Aproximei-me da mesa de credenciamento ladeada por arranjos imensos de hortênsias brancas. Uma mulher de terno preto bem cortado me ofereceu um sorriso ensaiado.

— Boa noite. Nome, por favor?

— Minerva Hayes — eu disse.

Eu odiava usar aquele nome esta noite. Queria dizer Minerva Johnston. Queria ver o choque no rosto dela. Mas Tristan me disse para seguir o protocolo padrão até o discurso dele. Eu precisava interpretar o papel por só mais uma hora.

A mulher examinou seu tablet. O dedo bem cuidado deslizou pela tela. Ela franziu a testa, tocando o vidro.

— Hayes. Hayes. Ah, sim. Minerva Hayes. Entrada geral, mesa quarenta e dois.

Mesa quarenta e dois. Perto do fundo. Ao lado das portas da cozinha.

Uma pequena pontada de irritação se acendeu no meu peito. Tristan devia ter se esquecido de mudar meu nome para a lista VIP. Ele andava tão ocupado nessas últimas semanas, trabalhando até tarde da noite, voando de um lado para o outro do país para reuniões sobre as quais não podia falar. Relevei o descuido. Ele tinha um império para comandar. Detalhes como a disposição das mesas estavam abaixo dele. De qualquer forma, assim que ele me chamasse, minha mesa designada não importaria.

— Obrigada — murmurei, pegando o cartão de acompanhamento em relevo.

Caminhei em direção ao grande salão de baile. Duas portas enormes de carvalho estavam abertas, guardadas por homens de ternos escuros com fones no ouvido. Entreguei meu cartão a um atendente, e ele se afastou, permitindo que eu entrasse.

O ar saiu dos meus pulmões.

O baile de gala dos Johnston sempre era um espetáculo de riqueza, mas isso… isso era diferente. As faixas corporativas azul e prata tinham sumido. Em vez disso, o salão imenso havia sido transformado num mar de branco. Milhares de rosas brancas caíam em cascata das varandas. Cortinas de seda pendiam do teto, suavizando as luzes duras e transformando-as num brilho romântico. As mesas estavam cobertas por toalhas de linho perolado reluzente, adornadas com candelabros de cristal e ainda mais rosas brancas.

Não parecia uma comemoração corporativa. Parecia um conto de fadas.

Avancei, meus saltos afundando no carpete espesso. Um garçom passou oferecendo uma bandeja de taças de champanhe. Peguei uma, precisando de algo para fazer com as mãos. Meu coração martelava um ritmo frenético contra as costelas.

Ele fez isso por mim? Decorou o salão inteiro como uma recepção de casamento por causa do cartório? A ideia trouxe uma onda de calor às minhas bochechas. Era exagerado. Era ousado. Era exatamente o tipo de gesto grandioso que ele prometeu.

Vasculhei o salão com o olhar, procurando uma figura alta num terno escuro sob medida, procurando aqueles olhos cinzentos e penetrantes. O salão estava lotado da elite da cidade. Reconheci fundadores de empresas de tecnologia, magnatas do mercado imobiliário e políticos. Formavam círculos fechados, rindo, brindando, trocando segredos que moviam mercados.

Abri caminho pela multidão, seguindo em direção à frente do salão. Eu queria estar perto do palco quando ele fizesse o anúncio.

— Ouvi dizer que o anel custou mais do que toda a minha carteira de investimentos — comentou uma voz à minha esquerda.

Parei. Duas mulheres estavam perto de um pilar, de costas para mim. Uma usava um vestido vermelho-carmesim chamativo; a outra, um vestido prata elegante. Eu as reconheci das páginas de sociedade. Charlotte Bennett e Victoria Hawthorne. Filhas da realeza bancária.

— Meu pai disse que Richard Whitmore iniciou o acordo meses atrás — respondeu Victoria, tomando um gole da bebida. — É genial, na verdade. O Grupo Johnston precisa do capital dos Whitmore para garantir a expansão europeia. Uma fusão por meio de casamento é antiquada, mas garante lealdade.

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