Capítulo 2 A mulher errada ao lado dele

Eu franzi a testa, encarando minha taça de champanhe. Whitmore? A família Whitmore era dona de uma das maiores firmas de investimento da costa. Tristan os mencionara algumas vezes, sempre com um tom de frustração.

— Ela vem planejando isso desde a época da faculdade — Charlotte riu. — Eu a vi mais cedo no lounge VIP. Ela está nauseantemente perfeita.

— Tristan é um belo troféu — concordou Victoria. — Frio como gelo, mas olha o império que ele controla. E, além disso, ele fica impecável de terno.

A taça na minha mão tremeu. Apertei mais os dedos em volta do vidro, os nós dos dedos ficando brancos.

Elas estavam fofocando. Era isso que essas mulheres faziam. Criavam boatos do nada para se divertir. Viram Tristan e uma executiva Whitmore na mesma sala e fabricaram um romance. Não significava nada.

Passei por elas, o peito se apertando a cada passo. O ar do salão de baile de repente pareceu denso demais, pesado demais com o perfume de rosas brancas. O cheiro era sufocante. Eu precisava encontrá-lo. Precisava que ele olhasse para mim e me desse aquele aceno quase imperceptível que significava que estava tudo bem.

Cheguei à borda da área VIP. Cordas de veludo bloqueavam o espaço perto do palco. Fiquei atrás delas, os olhos varrendo as mesas da frente.

Então eu vi o palco.

O pano de fundo não era o logotipo corporativo da Johnston. Era um brasão enorme, iluminado, feito de letras entrelaçadas.

T & C.

Tristan e Celeste.

Meu fôlego travou. O barulho do salão se dissolveu num rugido surdo, como água correndo e enchendo meus ouvidos. Eu encarei as letras. T e C. As luzes contornando as curvas das iniciais se embaralharam quando a umidade se acumulou nos meus olhos. Pisquei com força, obrigando as lágrimas a recuarem.

Não.

Isso era um engano. Um mal-entendido. Uma piada doentia.

Ergui a mão, os dedos cravando no meu peito, encontrando o contorno duro do anel sob o vestido. Ele estava lá. O metal pressionava minha pele, uma âncora física na realidade. Eu era a esposa dele. Nós ficamos diante de um juiz. Assinamos os papéis. A tinta já estava seca.

— Senhoras e senhores — uma voz retumbante ecoou pelo sistema de som, cortando o falatório.

O quarteto de cordas parou de tocar. O zumbido baixo das conversas sumiu, substituído por um silêncio expectante. As cabeças se viraram para a frente. A multidão se abriu, criando um corredor largo que levava da grande escadaria até o palco.

— Por favor, voltem sua atenção para a grande escadaria — continuou o mestre de cerimônias, a voz pingando de entusiasmo ensaiado. — É uma honra absoluta apresentar os anfitriões da celebração desta noite. Recebam o CEO do Johnston Group, o senhor Tristan Johnston, e sua futura noiva, a senhorita Celeste Whitmore.

O chão pareceu sumir debaixo dos meus pés.

O holofote atingiu o topo da escada.

Lá estava ele.

Tristan estava devastador num smoking preto impecável, a postura ereta, a expressão uma máscara impenetrável de calma. Ele parecia poder. Parecia o homem que mandava na cidade.

E, agarrada ao braço dele, sorrindo um sorriso triunfante, radiante, estava Celeste Whitmore.

Ela usava um vestido branco sob medida, coberto de cristais. O cabelo loiro caía em ondas perfeitas sobre os ombros. Parecia uma rainha subindo para reivindicar o trono. Parecia a mulher que ele prometeu que eu seria.

Eles começaram a descer. A multidão explodiu em aplausos. As pessoas gritavam, erguendo as taças num brinde ao casal perfeito, à fusão perfeita, à mentira perfeita.

Eu fiquei paralisada atrás da corda de veludo. Meu peito queimava. Eu não conseguia puxar ar para os pulmões. A dor não era uma fisgada aguda; era um peso lento e esmagador, moendo meus ossos até virarem pó.

Ele não me procurou. Os olhos dele varreram a multidão, frios e calculistas, reconhecendo os aplausos sem um vestígio de culpa. Ele desceu a escada, degrau por degrau, desfilando outra mulher diante do mundo enquanto minha aliança queimava um buraco no meu peito.

Ele chegou ao pé da escada. A multidão avançou para oferecer parabéns. Ele se virou e, por uma fração de segundo, o mar de gente se abriu.

Os olhos dele se prenderam aos meus.

A distância entre nós desapareceu. Do outro lado do salão, em meio aos gritos e às câmeras piscando, ele me viu. Viu o horror nos meus olhos. Viu os pedaços estilhaçados do futuro que me prometeu espalhados pelo chão.

A máscara escorregou. Um músculo pulsou na mandíbula dele. Os passos vacilaram.

— Tristan, querido — ronronou Celeste, alto o bastante para o microfone ali perto captar. Ela se aconchegou no peito dele, a mão pousada espalmada na lapela. No dedo anelar, havia um diamante tão grande que capturou as luzes do palco e lançou arco-íris dispersos sobre o terno escuro dele.

Tristan quebrou nosso olhar. Olhou para a mulher ao lado.

Ele não se afastou. Não soltou o braço dela.

Ele deu a Celeste um leve aceno, apertou a mão na cintura dela e virou as costas para mim, conduzindo sua nova noiva em direção ao palco.

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