Capítulo 5 Preso pelas rainhas da alta sociedade

Charlotte Bennett deu um passo à frente. Seu vestido cor de carmim varreu o tapete branco como sangue derramado. Atrás dela, outras três mulheres se moveram em perfeita sincronia para bloquear meu caminho. Victoria Hawthorne, Sofia Delgado e Elena Navarro. As rainhas incontestáveis da cena social do distrito financeiro.

— Achei que a segurança tivesse apertado a lista de convidados este ano — disse Charlotte. Deixou o olhar passear da barra do meu vestido verde-esmeralda até o meu pescoço sem adornos. Um sorriso de desprezo distorceu seus traços impecáveis. — E, no entanto, aqui está você. Flutuando pela área VIP como se pertencesse a ela.

Endireitei a coluna. Forcei minha respiração a desacelerar.

— Eu pertenço aqui tanto quanto qualquer outra pessoa, Charlotte.

Sofia soltou uma risada seca. Inclinou-se mais perto de Victoria.

— Olha só pra ela. Até usa nossos primeiros nomes. Acha que é uma de nós.

— Ela está confusa — respondeu Victoria, rodopiando o champanhe na taça. — O Tristan estragou ela. Deixou andar em jatos particulares. Pagou uns jantares bons. Agora ela acha que é a dona da casa.

Elas sabiam.

Claro que sabiam. Tristan me disse que éramos um segredo. Disse que me mantinha escondida para me proteger da imprensa, do conselho, do estresse do mundo dele. Eu acreditei. Mas aquelas mulheres sabiam de mim. Sabiam que eu existia nas margens da vida dele. Só não sabiam a verdade. Não sabiam do cartório.

— Eu vi ela no mês passado — Elena se meteu, erguendo um dedo impecavelmente feito, adornado com uma safira enorme. — Do lado de fora do leilão beneficente em Kensington. Eu estava saindo pela saída privativa. O motorista do Tristan estava esperando no beco. Ela estava sentada no banco de trás.

Elena fez uma pausa para dar efeito. As mulheres se inclinaram.

— O Tristan saiu sozinho pelas portas da frente — continuou Elena. — Posou para as câmeras. Deu entrevistas. Aí escorregou pelos fundos e entrou no carro com ela. Como um homem saindo escondido de um bordel.

O calor subiu para minhas bochechas. Meu estômago revirou. Eu me lembrava daquela noite. Lembrava de estar usando um vestido lindo que ele tinha comprado para mim, empolgada para ir ao meu primeiro evento ao lado dele. Mas, na metade do caminho até o local, o celular dele tocou. Ele falou em tom baixo. Quando desligou, virou-se para mim com um sorriso culpado.

Não podemos entrar juntos, Mina. Os investidores estão lá dentro. Vai causar uma distração. Espera no carro. Eu vou compensar você.

Eu esperei três horas no escuro. Esperei porque eu o amava. Esperei porque eu achava que era a esposa dele, fazendo sacrifícios pelo nosso futuro.

— Eu tenho que ir — eu disse. Minha voz saiu fina. As bordas do meu autocontrole começaram a se desfazer. Dei um passo para a direita, mirando a brecha entre Charlotte e Sofia.

Charlotte se moveu, cortando minha fuga. Estendeu a mão.

— Me mostre seu convite.

— Sai da minha frente.

— Mostra. — Charlotte avançou a mão. Seus dedos fisgaram o pequeno cartão de acompanhante, com franja dourada, que saía da minha clutch. Ela o arrancou antes que eu pudesse impedi-la.

Ergueu o cartão contra a luz. Um sorriso zombeteiro se abriu no rosto dela.

— Mesa quarenta e dois. Entrada geral. Setor D. — Abaixou o cartão e me encarou com pena pura. — Isso é o lugar do excedente. Do lado do corredor da cozinha. Você implorou para um estagiário te dar isso?

— Me devolve — exigi.

— O Tristan nem colocou você no salão principal — observou Victoria, balançando a cabeça. — Colocou você perto da cozinha. E você ainda assim apareceu.

— Uma mulher como ela não tem vergonha — disse Sofia. A voz dela ficou mais alta. Os convidados ao redor começaram a virar a cabeça. A música continuava, mas uma bolsa de silêncio se formou em torno do nosso confronto. Olhares acompanhavam o drama. — Ela viu as manchetes sobre a fusão. Soube que ele ia pedir a Celeste em casamento hoje à noite. Veio aqui para causar uma cena.

— Eu não vim aqui para causar uma cena — eu disse. Meu peito subia e descia. O anel de platina queimava sob o meu vestido. Pesava contra a minha pele, implorando para ser revelado. Eu queria enfiar a mão pelo decote. Queria puxar a corrente, arrebentar os elos prateados e atirar a aliança no tapete.

Eu queria gritar a verdade.

Eu sou Minerva Johnston.

Mas olhei por cima do ombro de Charlotte. Do outro lado do mar de rosas brancas e cristal, Tristan estava no centro de uma multidão poderosa. Segurava um copo de uísque. Celeste estava colada ao lado dele. Ela sussurrou algo no ouvido dele. Ele assentiu.

Ele não olhou na minha direção. O pânico de antes sumiu do rosto dele. Ele parecia em paz. Parecia confortável na mentira.

Se eu gritasse a verdade agora, o que aconteceria? Essas mulheres me chamariam de louca. Os seguranças me arrastariam para fora. E Tristan? Tristan ficaria em silêncio. Ele provou isso minutos atrás. Ele escolheu a mentira. Ele deixaria arrastarem a esposa dele pela lama para proteger o império.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo