Capítulo 3 THE HALES.
— Eu conheço você — sussurrei, dando um passo para trás.
Mas o homem apenas me encarou. Os olhos dele se encheram de divertimento e de alguma outra coisa que eu não soube nomear.
Ele parecia estar gostando daquilo.
Mas talvez eu estivesse errada. Talvez ele realmente não fizesse ideia do que estava acontecendo.
— Você é um deles — disparei, acusadora.
— Hale. Você é o tio do Ryan.
— Por mais que eu odeie admitir, sim. Agora, você vai aceitar a minha oferta de me dar uma carona?
— Você zombou de mim! — gritei, e isso quase o fez recuar.
— O quê? — ele soltou uma risadinha, divertido.
— Você acha isso engraçado? Você ficou aqui… só ficou aqui enquanto todos riam de mim. Você ficou aqui enquanto me olhavam como se eu fosse uma piada! Enquanto faziam de mim motivo de chacota!
— Não, Serena. Ninguém zombou de você — ele deu um passo à frente, a voz baixa, mas afiada o bastante para cortar minhas palavras.
— Você zombou.
Minha respiração falhou quando ele se inclinou mais perto, os olhos duros.
— Você zombou de si mesma. Você viu os sinais, sabia que muita coisa não fazia sentido, e mesmo assim continuou fingindo. Porque era cega demais, desesperada demais e ingênua demais para admitir.
Meu maxilar tremeu com as palavras cruéis que aquele estranho acabara de me lançar. Ah, ele não era estranho nenhum.
— V… você não tem o direito de dizer isso para mim.
— Bem, eu acabei de dizer. Você acreditou num garoto que nunca mereceu você. Um filhinho da mamãe idiota, tão sem coragem quanto parece. Um garoto que não consegue pensar além do próprio zíper nunca foi digno de você. Você vai se destruir por causa de um garoto desses? Não seja tola, Serena.
As lágrimas arderam nos meus olhos, a raiva borbulhando à superfície.
— Você é cruel.
— Não… eu só sou honesto — ele deu de ombros e recuou um passo.
Eu o encarei, o peito subindo e descendo, então me virei de supetão, a voz se partindo:
— Eu te odeio.
— Quer saber a única coisa capaz de derrubar a Casa Hale? — ele perguntou, fazendo com que eu parasse bruscamente.
— A própria Casa Hale — completou, e observou enquanto eu me afastava.
Ele não se mexeu, nem veio atrás de mim. Apenas me viu ir embora, até eu sumir de vista.
Dois dias se passaram, mas eu ainda não sabia o que estava me consumindo mais. Se era a merda que o Ryan tinha feito comigo e o envolvimento da família inteira, ou se eram as palavras do tio dele.
Por mais doloroso que fosse, eu sabia que aquele homem não tinha dito nada além da verdade.
Eu tinha visto os sinais.
Tantos.
Noites em que ele saía do quarto em silêncio só para atender ligações de “negócios”.
O jeito como ele se recusava a me assumir em público, alegando:
— Vai ser uma surpresa para o mundo inteiro.
Uma risada amarga escapou de mim. Agora, quem exatamente tinha sido surpreendido?
Minha mente voltou ao anúncio do noivado, ao jeito como eu tinha mostrado meu anel com orgulho para meus amigos e minha família.
Meu departamento na faculdade até tinha feito uma festa em minha homenagem na noite seguinte, depois que eu compartilhei a notícia.
E agora… como eu ia dizer a eles que o casamento nunca ia acontecer?
— Porra! — O grito frustrado rasgou minha garganta, ecoando pelo apartamento.
Naquele instante, meu celular vibrou com violência em cima da mesa, fazendo eu pular da cama.
Curiosa e tensa, eu peguei o aparelho.
Uma notificação tinha aparecido…
ÚLTIMA HORA: Ryan Hale comemora aniversário com a esposa Lisa e o filho, marcando o início da vida da família juntos.
Uma foto carregou e mostrava Ryan sorrindo ao lado de Lisa, o filho de três anos no colo dele, e a barriga de grávida dela visível.
Meu peito apertou, e cada lembrança de risadas, promessas e sonhos sussurrados com Ryan agora parecia uma mentira cruel.
Meu peito se contraiu com tanta força que eu mal conseguia respirar; minhas mãos tremiam, e os dedos fechavam e abriam como se tivessem vontade própria.
A raiva subiu como fel, a humilhação queimou na minha garganta, o luto martelou atrás das minhas costelas. Tudo se chocou de uma vez, até eu não conseguir mais distinguir qual ferida pertencia a qual dor.
Memórias de quatro anos… conversas madrugada adentro, beijos roubados, planos sussurrados… me inundaram como uma onda gigante, e cada uma parecia envenenada agora.
— Deus, você vai se arrepender — balancei a cabeça, os lábios tremendo.
Então, sem aviso, as palavras dele inundaram minha mente de novo.
“A única coisa capaz de derrubar a Casa Hale é a própria Casa Hale.”
Por que aquilo soava como uma… mensagem?
Um conselho?
Seja o que fosse…
Eu sabia que precisava me vingar do Ryan e da família inteira.
Eu precisava derrubar os Hale e tudo em que eles acreditavam.
Eu precisava de vingança.
Eu precisava de poder…
E havia apenas uma pessoa no mundo que podia me dar as duas coisas.
O homem que era mais poderoso, mais rico e mais implacável.
O homem cujo nome literalmente queimava em todos os canais de notícia, em todas as manchetes.
O homem que odiava os Hale mais do que qualquer um jamais odiaria.
O dono do império Hale.
Um reino de riqueza, influência e medo.
Eu precisava de Damien Thorne Hale.
