Capítulo 1 Libertado do Inferno
A chuva batia contra as janelas do Centro de Reabilitação Mental do Vale do Éden.
Dentro do escritório do diretor, o Dr. Jenkins estava tremendo. Ele não tremia de frio, mas por causa da mulher sentada à sua frente.
Anna Rice estava sentada com as pernas cruzadas, folheando preguiçosamente seus papéis de alta. Ela vestia um simples avental hospitalar, mas parecia uma rainha inspecionando seus súditos.
"Dr. Jenkins," a voz de Anna era suave, mas enviava um calafrio pela espinha dele. "Minha mão dói por causa do tapa que te dei mais cedo. Espero que sua cabeça careca esteja bem."
O Dr. Jenkins esfregou seu couro cabeludo brilhante, forçando um sorriso aterrorizado. "F-foi uma honra, Srta. Rice. O carro da família Rice está aqui. Você está livre."
"Livre?" Anna levantou-se. "Três anos. Meu pai finalmente se lembrou de mim."
Ela saiu do escritório. No momento em que pisou no corredor, o barulho caótico do asilo instantaneamente desapareceu.
Dezenas de pacientes—violentos, instáveis, perigosos—estavam alinhados contra as paredes. Conforme Anna passava, eles abaixavam a cabeça em absoluta submissão. Ninguém ousava respirar alto.
Em três anos, Anna não apenas sobreviveu ao inferno; ela domou os demônios.
Do lado de fora dos portões de ferro, um carro esportivo vermelho estava esperando. Lucy Fox estava encostada nele, acenando freneticamente.
"Entre! Não acredito que finalmente te deixaram sair!" Lucy gritou.
Anna deslizou para o banco do passageiro, sua expressão indecifrável. "Você encontrou a informação?"
Lucy entregou-lhe um tablet enquanto acelerava. "William Sterling. O neto mais velho da família Sterling. Há cinco anos, um acidente de carro o deixou paralisado da cintura para baixo. Dizem que ele é cruel, desfigurado e possivelmente impotente."
"Perfeito," murmurou Anna, rolando o arquivo.
"Perfeito?" Lucy olhou para ela, horrorizada. "Anna, seu pai está te usando como moeda de troca! Ele quer que você se case com um aleijado apenas para garantir um acordo de negócios. Por que você concordou?"
Anna acariciou sua barriga lisa. Seus olhos escureceram.
"Porque o médico que fez o parto do meu bebê há três anos trabalha para a família Sterling."
Há três anos, ela foi drogada, dormiu com um estranho misterioso e ficou grávida. Depois de dar à luz, sua madrasta, Penelope, disse que o bebê nasceu morto e a jogou no asilo.
Mas Anna sabia a verdade. Ela ouviu o bebê chorar. Sua criança estava viva.
"Eu vou me casar com William," disse Anna firme e resoluta. "Eu vou encontrar meu filho. E quanto à família Rice..." Ela tocou a preciosa pulseira em seu pulso. "Eu vou destruir o mundo deles."
A Mansão Rice.
"Mãe! Eu não vou fazer isso! Eu não vou me casar com um monstro!" Megan Rice jogou um vaso no chão, gritando. "Papai disse que se Anna recusar, eu tenho que ir! William é um aleijado e um psicopata!"
Penelope Howard abraçou sua filha, sorrindo maliciosamente. "Não se preocupe, querida. Anna é uma paciente mental sem dinheiro e sem poder. Ela não tem escolha. Ela vai implorar e nos agradecer por encontrar um marido para ela."
"É mesmo?"
Uma voz fria as interrompeu.
As pesadas portas de carvalho se abriram. Anna entrou, vestindo um simples vestido que Lucy havia comprado, mas sua aura enchia a sala com uma pressão sufocante.
Penelope congelou. Esta não era a garota quebrada que ela mandou embora.
"Anna!" Penelope rapidamente mascarou seu choque com arrogância. "Como ousa ser tão rude, invadindo sem bater como um animal selvagem? Foi isso que você aprendeu naquele lugar?"
Anna caminhou direto até elas. Não parou até estar a poucos centímetros do rosto de Penelope.
"Aprendi muitas coisas no manicômio, madrasta," Anna inclinou a cabeça, um brilho perigoso nos olhos. "Como lidar com pragas."
"Você—"
"Ouvi dizer que você quer que eu me case com a família Sterling no lugar de Megan," Anna interrompeu, olhando para a aterrorizada Megan. "Eu concordo."
Penelope e Megan soltaram um suspiro de alívio.
"Mas," Anna acrescentou friamente. "Eu tenho uma condição."
