Capítulo 3

Emily parecia um pouco inquieta e cumprimentou, com suavidade:

— Olivia.

Luna se apressou em intervir para apaziguar o clima:

— Ei, você já é praticamente da família. A Emily viu as notícias e ficou preocupada, por isso veio ver como você estava.

Olivia não disse nada, apenas encarou Emily com um olhar de quem pedia desculpas.

Ela estava noiva do irmão de Emily, Chase Wilson, mas esse noivado, originalmente, deveria ter sido da Luna.

Depois, Luna alegou que Olivia ainda não era casada e que quebrar a tradição seria inadequado, então o noivado acabou passando para Olivia.

Aiden e Harper concordaram sem grandes objeções.

O motivo era simples: a família Wilson era boa, mas não tão boa assim.

Era mais do que adequada para Olivia, mas, para Luna, eles achavam um pouco abaixo do que ela merecia.

No meio do silêncio, Luna de repente levou a mão à boca, como se tivesse acabado de se lembrar de algo:

— Ah, é mesmo, o que o Chase acha de tudo isso?

Ela estava perguntando para Emily.

— Você acha que o Chase pode ter desenvolvido algum sentimento pela Olivia, depois do que aconteceu? Mas o Chase é um cara bom. Você devia falar bem da Olivia pra ele. — Luna perguntou e respondeu ao mesmo tempo.

Os rostos de Olivia e Emily escureceram.

Ver Olivia sofrer sempre deixava Luna de bom humor, quase sem conseguir esconder a alegria interior, mas ela ainda fingiu arrependimento:

— Se eu soubesse, não teria deixado o pai e a mãe passarem o noivado pra Olivia. Parece que a Olivia está contrariada. Será que ela já tem outra pessoa em mente?

Luna acrescentou:

— Afinal, a Olivia não é do tipo que fica se envolvendo por aí.

Essa frase deixou o clima completamente congelado.

Olivia, ao notar o semblante de Emily ficando cada vez mais sombrio, não conseguiu segurar por mais tempo e encarou Luna:

— Por que você estava justamente do lado de fora do banheiro?

Olivia completou:

— Aquele lugar não fica no caminho de nenhum lugar aonde você costuma ir. Você nem sabia onde eu estava ontem à noite. Como é que pode ter sido uma coincidência?

Algumas coisas ela conseguia entender sozinha, mas não discutiria com Luna.

Na criação que recebera, sempre lhe ensinaram que a irmã mais velha deve ceder à irmã mais nova.

Luna, que estava cheia de satisfação momentos antes, de repente mudou de expressão. Ficou com um ar desagradado, mas ainda assim se recusava a recuar. Rasgou de vez a máscara de preocupação que fingia ter por Olivia:

— Você ainda tem cabeça pra pensar nisso agora? Já que o noivado está decidido, você devia se concentrar em acalmar a raiva do pai.

Luna completou:

— E também em como vai explicar tudo pro seu noivo e pra sua futura cunhada.

Dito isso, virou as costas e foi embora sem a menor hesitação.

Olivia sentiu uma pontada amarga no peito. Virou-se para Emily, que ainda parecia abatida, e explicou:

— Emily, você sabe que eu nunca tiraria de você alguém de quem você gosta. Eu vou dar um jeito de romper esse noivado.

A Emily de sempre, animada, que vivia grudada nela, agora não conseguia sorrir. Ela olhou para Olivia com tristeza e, por fim, apenas tirou dois tubos de pomada da bolsa:

— É pros hematomas. Se cuida.

— Emily... — chamou Olivia.

Emily não olhou para trás e saiu imediatamente.

Olivia sentou-se no quarto escuro, a mente vagando. Mesmo em plena luz do dia, nenhum raio de sol conseguia entrar ali.

Todos os cômodos bem iluminados tinham sido tomados por Luna como escritório, jardim de inverno ou quarto para suas coleções. O único cômodo que sobrou para Olivia foi aquele espaço escuro, quase como um depósito.

Olivia nem sempre tinha sido tão miserável. Foi apenas a partir de certo momento, no ensino fundamental, que ela passou a ver Luna chorando e correndo para os braços de Aiden e Harper, enquanto ela observava de longe, como uma estranha.

Aiden e Harper diziam que Luna era a irmã mais nova e que Olivia, como irmã mais velha, devia cuidar bem dela.

Foi a primeira vez que Aiden e Harper falaram com Olivia com tanta seriedade, e isso a fez se sentir incrivelmente importante, por isso ela se lembrava muito bem.

Durante tantos anos, ela cumpriu seu dever, seguindo o princípio de que uma irmã mais velha deve ser compreensiva. Assumia a culpa pela Luna, apanhava, e ainda trabalhava meio período em um bar porque Luna queria experimentar por diversão. Mas depois de assinar um contrato, ficou com medo de que Aiden e Harper descobrissem, então fez Olivia continuar trabalhando em seu lugar.

Até então, Olivia era grata por isso, porque aquilo lhe permitia ganhar uma renda extra considerável.

Tudo em casa era para Luna, e os itens de luxo de Luna nunca eram suficientes. Naturalmente, a mesada de Olivia também acabava sendo da Luna.

Quase no mesmo instante em que a mesada caía na conta de Olivia, o dinheiro já era transferido.

No seu vigésimo aniversário, Luna pegou uma grande quantia de dinheiro com a desculpa de que iriam comemorar juntas, sem tocar no assunto com Olivia depois.

Olivia já tinha se acostumado, então juntou o dinheiro que ganhava nos trabalhos de meio período para comprar uma pulseira que desejava há muito tempo, como um presente para si mesma.

Era seu único consolo em uma vida monótona e cheia de dificuldades.

Ela levou a mão ao pulso e percebeu que ele estava vazio.

Olivia ficou chocada. Como aquilo podia ter sumido?

Ela começou a procurar às pressas por todos os lados, mas não encontrou nenhum sinal da pulseira.

Depois de levar um chute e ainda tomar um banho gelado, o frio e a dor a atingiram de uma vez só. Olivia deu alguns passos antes de desmaiar de dor, usando suas últimas forças para apertar a campainha dos empregados antes de perder a consciência.

Quando acordou de novo, o lado de fora já estava escuro.

Olivia olhou para o teto e percebeu que estava na cama.

Pelo menos não estava no chão.

Pelo menos os empregados ainda tinham um pouco de consciência.

“Srta. Olivia Smith, tome um pouco de mingau.” A empregada entrou sem bater, já tendo aprendido com Luna a ignorar a privacidade de Olivia.

Olivia normalmente não ligava para essas coisas, então apenas assentiu e pediu: “Você pode me ajudar a procurar uma coisa? É uma pulseira.”

A empregada recusou na hora: “Não tenho tempo. Preciso fazer a canja de galinha da Srta. Luna Smith.”

Instintivamente, Olivia lançou um olhar para o seu mingau de fubá, um sorriso surgindo no canto dos lábios. “A Luna é a única dona desta casa?”

Normalmente, ela não diria esse tipo de coisa, provavelmente porque tinha acabado de acordar e sua cabeça ainda não estava clara.

A empregada também ficou surpresa, sem entender a atitude de Olivia, e passou a falar com mais cuidado: “A senhora entendeu mal. A canja da Srta. Luna Smith é algo que a Sra. Harper Smith faz questão todos os dias. Não podemos atrasar.”

Olivia já tinha ouvido falar dessa sopa antes e certa vez tinha dado de cara com essa cena, vendo o rosto constrangido de Harper.

Ela não suportou aquela expressão sem graça, então fingiu indiferença, dizendo que a família Smith tinha dinheiro para mais de uma tigela de canja de galinha e que, se quisesse, pediria aos empregados que fizessem para ela também.

Agora, Olivia se lembrou disso de repente e falou sem pensar: “Faz uma tigela pra mim também. Peguei um resfriado por causa do banho gelado.”

A empregada ficou visivelmente tensa, mas ainda assim concordou em silêncio e saiu.

Olivia fechou os olhos, sentindo-se exausta.

Em menos de dois minutos, a porta se abriu de novo. Desta vez, Harper entrou em silêncio e disse para Olivia: “Se você quiser canja de galinha, pede pros empregados prepararem amanhã. Hoje só tem o suficiente pra uma pessoa.”

“Entendi.” Olivia não abriu os olhos, respondendo com preguiça.

A pessoa ao lado da cama pareceu ficar ali parada por muito tempo antes de sair.

Quando ouviu a porta se fechar de novo, Olivia teve apenas um pensamento: parecia que a pulseira estava perdida de vez.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo