Capítulo 5: Segredo revelado
Com o rosto vermelho, Crema assentiu e se sentou depressa ao lado de Giovan.
Manteve os olhos no prato.
Não queria se envergonhar diante dos sogros.
Mais importante...
ela precisava descobrir como conquistá-los.
— A propósito — disse o rei Dior, pousando o garfo —, você vai participar da reunião dos líderes amanhã à noite.
Crema ergueu o olhar.
— A reunião será realizada no Blossoms.
Agora que fazia parte da família real, ela precisava participar das discussões deles.
Especialmente das que diziam respeito ao futuro da alcateia.
— Acredito que você saiba como as coisas funcionam — acrescentou o rei.
Crema endireitou as costas.
— Meus pais me prepararam bem, Vossa Majestade.
Era verdade.
A mãe a treinara a vida inteira.
Como falar.
Como liderar.
Como se tornar a Luna perfeita.
O rei Dior sorriu.
— Fico feliz em ouvir isso.
Uma pequena sensação de vitória aqueceu o peito de Crema.
Pelo menos ela parecia confiante.
Pelo menos diante de Janine.
Ela odiava se comparar à prima.
Mas Janine vinha passando dos limites demais ultimamente.
Desrespeitava Crema abertamente.
E, pior...
parecia sentir prazer em machucá-la.
Crema ainda não conseguia acreditar na facilidade com que Janine entrara na mansão real.
Claro, ela usou Crema como desculpa.
Mas a falta de vergonha dela ainda era chocante.
— Desculpe interromper, meu rei — disse Janine, com doçura. — Como assistente da Crema, eu também devo participar da reunião?
O estômago de Crema se contraiu.
Por favor, diga que não.
— Claro — respondeu o rei Dior, casualmente.
A comida diante de Crema, de repente, perdeu todo o gosto.
Do outro lado da mesa, Janine sorriu.
Por dentro...
ela comemorava.
Crema estava ficando frustrada.
E era exatamente isso que ela queria.
Janine queria que todos vissem Crema perder o controle.
Queria que a família real achasse que Crema não estava à altura.
Então...
ela tomaria o lugar dela.
A companheira de Giovan.
Ela faria qualquer coisa para que isso acontecesse.
Janine fazia pose de inocente.
Prestativa.
Gentil.
E, de algum modo...
a maior parte da alcateia acreditava nela.
Se Crema reagisse mal...
todos a culpavam em vez disso.
Giovan sabia exatamente o que Janine estava tramando.
Mas permaneceu em silêncio.
Ele tinha os próprios planos.
Planos que exigiam paciência.
Ele sentia pena de Crema.
Mas não podia demonstrar.
Não enquanto o rei Dior observava cada movimento seu.
Depois do jantar, cada um seguiu seu caminho.
Crema acompanhou Giovan de volta ao quarto deles.
Janine os observou sair.
O sorriso dela sumiu.
A raiva brilhou em seus olhos.
O rei Dior continuou sentado.
Quieto.
Pensativo.
Ele ainda tinha pendências.
Uma última missão.
Depois disso...
ele se aposentaria.
E, enfim, daria à esposa a justiça que ela merecia.
— Droga!
Janine se jogou na cama.
O quarto dela ficava bem ao lado do de Giovan e Crema.
O que só piorava as coisas.
Toda vez que os imaginava juntos...
o ciúme queimava dentro dela.
Ela não tinha ideia de que o drama já tinha acontecido antes do jantar.
— Ahhhh!
Ela gritou no travesseiro.
Os próprios pensamentos estavam deixando-a louca.
Por fim, ela se levantou.
Precisava de ar.
Saiu do quarto e foi para o jardim.
A mansão real era cercada por uma vasta floresta.
Árvores altas.
Ventos frescos.
Um lugar onde lobos se sentiam livres.
Mas, esta noite...
Janine não estava procurando paz.
Estava procurando um jeito...
de roubar o que pertencia a Crema.
Janine permaneceu em sua forma humana.
Se transformar em lobo não ajudaria.
Assim, ela controlava melhor as emoções.
Como loba, sua raiva poderia facilmente sair do controle.
— Você parece aborrecida.
Janine deu um pulo.
Virou-se depressa.
O rei Dior estava atrás dela.
O coração dela falhou uma batida.
Ela nem tinha notado a presença dele.
— Ah! — Janine forçou um sorriso. — Desculpe, senhor.
— Eu te interrompi?
O rei Dior balançou a cabeça.
— Eu costumo passar minhas noites aqui.
— Acho que você não me viu quando chegou.
Ele a observou com atenção.
— Tem alguma coisa te incomodando?
Janine sentiu o rosto esquentar.
Por mais chateada que estivesse, não podia dizer a verdade ao rei.
— Não, senhor.
— Eu só estava pensando.
— Eu precisava tomar um pouco de ar.
Ela se levantou.
— Desculpe incomodar o senhor.
— Eu já vou.
— Você não me engana, mocinha.
Janine congelou.
O rei Dior soltou um riso baixo.
Devagar...
ela se virou de volta.
— O que o senhor quer dizer com isso? — perguntou.
Mas sua voz já não estava firme.
A expressão do rei Dior ficou séria.
— Eu sei que você e Giovan já estiveram juntos.
O rosto de Janine perdeu toda a cor.
Ela não conseguia falar.
Não conseguia respirar.
O rei suspirou.
— Eu sei mais do que você imagina.
Os olhos dele se tornaram mais cortantes.
— Então me diga.
— Por que você está na minha casa?
As palmas de Janine ficaram suadas.
O medo subiu pela coluna como um arrepio.
Ela tinha se preparado para Crema.
Para Giovan.
Até para os criados.
Mas não para isso.
Não para o rei Dior.
— Você está aqui para correr atrás do meu filho?
A pergunta a atingiu como um tapa.
Janine se sentou de novo, devagar.
Não adiantava mais fingir.
— O senhor não entende — disse, em voz baixa.
— Eu não vou mentir.
— Giovan e eu já estivemos juntos.
— Mas não é por isso que eu estou aqui.
O rei Dior não disse nada.
Apenas a encarou.
Esperando.
Julgando.
E, pela primeira vez desde que chegara à mansão real...
Janine sentiu algo que não esperava.
Medo.
Medo de verdade.
Porque, se o rei Dior já sabia do passado dela com Giovan...
o que mais ele sabia?
