Capítulo 2 002

RYAN

Se alguém tivesse me dito que surpreender minha esposa no trabalho acabaria me levando a encontrá-la nos braços de outro homem, eu teria rido. Eu teria dito que era impossível. Eu teria jurado que não conheciam a Emily do jeito que eu conhecia. Eu poderia até ter ficado bravo só com a sugestão, na defensiva, pronto para lutar pela honra dela.

Emily era minha esposa. Meu porto seguro. Minha certeza. Eu nunca, nem em um milhão de anos, teria esperado vê-la daquele jeito.

Eu estava animado naquela noite. De verdade, animado. Eu tinha fechado um grande negócio naquela tarde, um que finalmente tiraria a pressão das nossas costas. Menos noites viradas. Mais tempo em casa. Um futuro melhor. Peguei a comida para viagem favorita dela no caminho, sorrindo sozinho ao imaginar o rosto dela se iluminando quando eu a surpreendesse. Eu achava que estava sendo um bom marido.

Encontrei a Carla, a assistente da Emily, bem quando eu estava prestes a entrar no prédio do escritório. Ela quase esbarrou em mim e então parou, congelada, quando percebeu quem eu era. Na mesma hora, pareceu nervosa, transferindo o peso de um pé para o outro, mexendo na alça da bolsa como se quisesse desaparecer.

— Sua esposa — ela disse com cuidado, a voz tensa. — Ela não está na sala dela agora.

Franzi a testa.

— Não está na sala dela? — Minha voz saiu mais baixa do que eu esperava, a confusão se insinuando. — Achei que ela ainda estivesse trabalhando.

Carla hesitou, os olhos correndo para o corredor.

— Ela está. Só não está lá. — Ela engoliu em seco. — Ela está com o chefe. Na sala dele. Você vai ver ela lá se entrar.

As palavras me atingiram como um raio bem no peito. Meu estômago despencou na hora, como se o chão tivesse sumido debaixo de mim. Meu pulso disparou tão rápido que eu conseguia ouvir as batidas martelando nos ouvidos. Algo frio se espalhou pelo meu peito, agudo e sufocante. Minhas mãos começaram a tremer, e eu as fechei em punhos para me firmar.

Quase como se a Carla quisesse que eu visse. Quase como se ela esperasse que isso acontecesse.

Eu não respondi. Virei e segui direto pelo corredor dos escritórios, o coração batendo tão forte que eu achei que ia estourar minhas costelas. Cada passo parecia mais pesado do que o anterior. Minha mente gritava para eu parar, para dar meia-volta, para ir embora e fingir que aquele momento nunca tinha existido. Mas a curiosidade, a descrença e uma sensação crescente de pavor me empurraram adiante.

Abri a porta.

E lá estava ela.

Minha Emily. Minha esposa. Sentada no colo de outro homem.

Por uma fração de segundo, meu cérebro se recusou a processar o que meus olhos estavam vendo. Aí a realidade caiu sobre mim de uma vez. Meu coração se contorceu dolorosamente no peito, agudo e insuportável, e então se partiu por completo. Algo dentro de mim rachou — algo que eu nem sabia que podia quebrar.

Eu congelei. Meu corpo se recusou a se mover, se recusou a reagir do jeito que deveria. Eu a vi se afastar dele em pânico, se atrapalhando para se levantar, o rosto sem cor.

— Desculpa — ela repetia. — Me desculpa, me desculpa.

O chefe dela, Fredrick, parecia calmo demais para a situação. Havia um meio sorriso no rosto dele, como se soubesse exatamente o que tinha feito, como se tivesse orgulho daquele momento. A raiva explodiu em mim na mesma hora, quente e cegante. Eu mal conseguia respirar.

Os olhos de Emily encontraram os meus, arregalados e desesperados.

— Ryan, eu...

Eu não deixei ela terminar. Eu não conseguia. Se eu ficasse mais um segundo, eu poderia fazer algo de que não teria como voltar atrás. Girei nos calcanhares e saí do escritório em disparada, o peito apertado, os pensamentos entrando em espiral fora de controle.

A sacola da comida para viagem parecia ridícula nas minhas mãos agora. Idiota. Inútil. Alcancei a lixeira mais próxima e joguei lá dentro sem pensar duas vezes. O barulho ao bater no fundo soou definitivo, de algum jeito.

Quando cheguei ao saguão, minhas mãos tremiam incontrolavelmente. Meu coração batia tão forte que doía.

Carla veio correndo até mim de novo. “Sr. Ryan, o senhor está bem? Aconteceu alguma coisa—”

Eu lancei um olhar fulminante para ela, a raiva subindo quente e rápida. Então algo no rosto dela me deteve. Medo. Culpa. Arrependimento. Soltei o ar com força.

“Obrigado”, eu disse, a voz baixa, mas firme apesar de tudo.

O rosto dela corou na hora. “Eu… eu não queria que o senhor visse aquilo”, sussurrou.

Eu a encarei com um olhar capaz de congelar fogo e, em seguida, me virei e saí sem dizer mais nada.

“Amor, amor”, a voz da Emily chamou atrás de mim, suave e em pânico, tentando me parar, tentando me fazer ficar.

Mas eu não parei. Eu não conseguia.

Cheguei ao carro e saí dirigindo imediatamente, ignorando as ligações dela, ignorando a presença dela quando correu para fora. Passei por ela sem sequer olhar para trás. Minha visão embaçou quase na mesma hora; as lágrimas transbordaram antes que eu pudesse impedir.

Eu chorei como uma criança o caminho inteiro de volta para casa, de um jeito feio e cru, arfando por ar entre os soluços. Cada lembrança se repetia com crueldade. Cada sorriso. Cada promessa. Cada noite até tarde que eu tinha me convencido de que valia a pena.

Eu sabia que tinha estado ocupado. Eu sabia que tinha estado distraído. Eu sabia que tinha perdido jantares, conversas e momentos que importavam. Mas eu nunca esperei por isso. Nunca esperei que a Emily me traísse.

Quando entrei na garagem, meus olhos estavam inchados, e meu peito apertado de raiva e de uma tristeza que se recusava a sossegar.

Fiquei sentado no carro por um instante, as mãos agarradas ao volante, tentando respirar apesar da dor. Depois entrei e comecei a andar de um lado para o outro na sala, de um lado para o outro, o silêncio me esmagando. Esperei por ela. Se é que ela ia voltar para casa.

A ideia de que talvez eu tivesse interrompido algo pior me revirou o estômago. A imagem dela nos braços dele se repetia de novo e de novo, cruel e nítida. Soquei a parede uma vez, precisando da dor, acolhendo-a. Mal senti.

Então ouvi a porta do carro batendo lá fora.

Meu pulso disparou violentamente.

Ela entrou, e quase tirou o ar dos meus pulmões. Ela estava perfeita. Perfeita demais. Bonita demais. O cabelo caía macio sobre os ombros como sempre, os olhos brilhando de lágrimas. Mesmo agora, mesmo depois do que eu tinha visto, a presença dela fazia coisas no meu peito que não tinha o menor direito de fazer.

“Amor”, ela disse baixo, como sempre dizia, como se nada tivesse mudado.

Parei de andar e me virei para ela. Minhas mãos tremiam ao lado do corpo. “Por quê?”, perguntei em voz baixa. “Por que você fez isso?”

“Me desculpa”, ela sussurrou, a voz falhando.

Balancei a cabeça, a incredulidade me inundando. “Eu vinha aqui para te surpreender”, eu disse. “Para comemorar. Eu fechei o negócio, Emily. Aquele de que eu te falei. O que ia mudar tudo para nós.”

Ela estremeceu, a culpa atravessando o rosto.

“Você sequer pensou em mim?”, perguntei, a voz subindo enquanto eu voltava a andar. “Em nós?”

“Eu me senti sozinha”, ela disse baixo. “Eu me senti deixada de lado.”

Aquela palavra quebrou alguma coisa dentro de mim.

“Deixada de lado?”, repeti. “Você faz ideia do quanto eu tenho tentado? Todos os dias?”

Ela deu um passo mais perto, as lágrimas escorrendo livremente agora. “Eu não queria que acontecesse.”

“Você é minha esposa”, eu disse, a voz quebrando apesar de mim. “E eu nem sei quem eu sou para você agora.”

“Eu cometi um erro”, ela sussurrou.

“Um erro?”, perguntei, incrédulo. “Você me traiu.”

Ela chorou baixinho, pedindo desculpas sem parar, as palavras se misturando, indistintas.

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