Capítulo 2 🧸 Eu não vou sozinha

POV Scarlett

💍🧸💍

A página de resultados apareceu na tela então fiquei olhando para ela por alguns segundos, sentindo que acabara de cometer um erro. Havia anúncios de todos os tipos.

Namorado de aluguel para eventos.

Acompanhantes românticos de alto padrão.

Companhia masculina para casamentos, viagens e ocasiões especiais.

Seu par perfeito por algumas horas.

— Isso só pode ser uma péssima ideia — murmurei.

Mesmo assim, continuei pesquisando.

O primeiro site parecia ter sido criado por alguém que confundia elegância com excesso de brilho. O fundo era dourado, havia corações vermelhos por todos os lados e fotografias de homens sorrindo como se estivessem vendendo planos de academia.

Fechei a página e decidi procurar pelo navegador do notebook.

O segundo site encontrado prometia “paixão sob medida” e “experiências inesquecíveis”. Aquilo parecia menos um serviço de acompanhantes e mais uma armadilha financeira.

O terceiro, porém, chamou minha atenção. Era simples. Fundo branco, letras pretas e fotografias discretas. Nenhuma promessa exagerada. Nenhuma frase sobre encontrar o amor da sua vida.

No topo da página, havia uma frase:

“Você não precisa de um namorado. Mas pode querer alguém ao seu lado.”

O site se chamava Liaison Privée. Segundo a descrição, a agência oferecia acompanhantes para eventos sociais, viagens, jantares de negócios e situações familiares delicadas. Todos os profissionais passavam por entrevistas, verificações de identidade e avaliações de comportamento.

Também havia regras claras sobre privacidade, consentimento, limites físicos e encerramento dos contratos.

Aquilo era muito mais organizado do que eu esperava.

Cliquei na aba “Profissionais disponíveis” e uma sequência de perfis apareceu. Havia homens de diferentes idades e estilos. Alguns pareciam modelos. Outros tinham aparência de executivos, professores, chefs de cozinha ou atletas.

Passei por vários.

Bonitos demais. Sorridentes demais. Perfeitos demais.

Eu não precisava de um homem que parecesse ter sido criado em um laboratório para agradar as mulheres. Precisava de alguém convincente. Alguém que não me tratasse como uma cliente desesperada tentando comprar afeto.

Foi quando encontrei o perfil de Adrian Laurent.

A fotografia mostrava um homem sentado em uma poltrona de couro, usando uma camisa branca com as mangas dobradas até os antebraços. Ele tinha cabelos escuros, mandíbula marcada e olhos claros. Não sorria diretamente para a câmera. Apenas a observava com uma expressão tranquila, quase indiferente.

Aquela falta de esforço me incomodou.

Homens bonitos geralmente sabiam que eram bonitos. Adrian parecia não se importar.

Cliquei em seu perfil.

Especialidades: eventos familiares, viagens internacionais e relacionamentos de aparência natural.

Adrian tinha trinta e dois anos, falava francês, inglês, italiano e português. Possuía formação em administração e experiência em eventos de luxo. A descrição dizia que ele era discreto, educado, observador e capaz de se adaptar a diferentes ambientes sociais. Logo abaixo, uma frase se destacava:

“Adrian não interpreta um personagem. Ele oferece presença.”

— Isso foi escrito por ele mesmo? — perguntei, descrente.

Rolei a página.

As avaliações eram curtas.

“Extremamente pontual e educado.”

“Soube lidar com minha família sem parecer artificial.”

“Não faz perguntas invasivas.”

“Conseguiu convencer até meu ex-marido de que estávamos juntos.”

Parei nessa última.

— Isso é um talento — murmurei abrindo a galeria de fotografias.

Adrian aparecia em um salão sofisticado, usando um terno escuro. Em outra imagem, estava ao lado de uma senhora durante um evento beneficente. Na terceira, encontrava-se em uma varanda com vista para o mar. Nenhuma fotografia parecia vulgar. Nenhuma transmitia a impressão de que ele estava desesperado para ser desejado.

Ainda assim, havia alguma coisa nele. Seria o tipo de homem que não precisava levantar a voz para ser notado. E, naturalmente, o tipo de homem que provavelmente nunca olharia duas vezes para mim.

Meu pensamento me irritou um pouco, porque eu não precisava que ele olhasse duas vezes, precisava apenas que fingisse olhar uma.

Voltei ao início do perfil e encontrei o botão:

“Solicitar disponibilidade.”

Cliquei e um formulário apareceu.

Nome completo... Preenchi.

Motivo da contratação... Preciso de um homem bonito para impedir que minha família perceb-

Apaguei a frase antes mesmo de terminá-la então digitei:

“Acompanhamento para casamento familiar na França. Necessito de uma relação convincente, discreta e socialmente adequada.”

Perfeito.

Duração estimada... Três semanas.

Nível de interação... Companhia social.

Hesitei diante da opção “Afeto público”. O casamento teria abraços, fotografias, mãos dadas, danças e, provavelmente, beijos então decidi marcar a opção. Meu coração acelerou, mas ignorei. Antes mesmo de enviar, meu celular tocou. Era minha amiga Camille.

— Oi, Cam.

— Você está ocupada?

— Um pouco.

— Isso significa que está trabalhando ou que está fazendo alguma coisa que não quer me contar?

Camille Moreau tinha um talento irritante para perceber quando eu escondia alguma coisa.

— Estou trabalhando.

— Você mente muito mal.

— Sou uma excelente mentirosa.

— Não quando está nervosa. Sua voz fica mais fina.

Olhei para a tela do computador. O perfil de Adrian continuava aberto.

— Estou pensando em contratar um acompanhante.

Houve silêncio.

— Um acompanhante?

— Para o casamento do meu padrinho.

— Você quer contratar um namorado de aluguel?

— Tecnicamente, sim.

— Scarlett.

— Não diga meu nome desse jeito.

— Desse jeito como?

— Como se eu tivesse acabado de anunciar que vou fugir para Las Vegas com um desconhecido.

— Você está falando de contratar um homem que não conhece para fingir que ama você diante da sua família.

— Quando você coloca dessa forma, parece estranho.

— Porque é estranho, sua maluca!

— Eu não vou sozinha, Camille — murmurei — Não quero passar uma semana ouvindo minha mãe comparar meu corpo com o da Margot. Não quero que meu pai pergunte se ainda estou “focada demais no trabalho”. Não quero ser a única pessoa solteira em todas as fotografias.

— Você não precisa provar nada para eles.

— Eu sei.

— Sabe mesmo?

Olhei novamente para a fotografia de Adrian.

— Dessa vez, eu quero que eles pensem antes de falar.

Camille suspirou.

— E se você acabar se apaixonando pelo homem?

— Ele é um profissional.

— Profissionais também têm olhos, boca e sentimentos.

— Eu não vou me apaixonar.

— Essa frase nunca terminou bem para ninguém.

Sorri sem humor.

— Eu só preciso de alguém por alguns dias.

— Scarlett…

— Eu vou ficar bem.

— Essa não foi a minha pergunta.

Ficamos em silêncio por alguns segundos. Depois, prometi que ligaria quando tivesse notícias e desliguei. O formulário ainda estava aberto. Adrian Laurent me observava da fotografia com aquela expressão calma, como se já soubesse que eu estava prestes a tomar uma decisão questionável.

Talvez fosse um erro. Talvez eu estivesse prestes a transformar um problema familiar em algo muito pior. Mas eu já havia prometido a Gabrielle que iria à França. E eu não voltaria atrás.

Cliquei em Enviar solicitação, segundos depois a tela exibiu uma mensagem:

“Seu pedido foi recebido. Um consultor entrará em contato em breve.”

Respirei fundo.

Meu celular vibrou quase imediatamente. Uma nova mensagem havia chegado.

“Liaison Privée: Adrian Laurent recebeu sua solicitação. Ele deseja conversar com você.”

Abaixo, havia apenas uma pergunta:

“Você está disponível para uma chamada agora?”

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