Capítulo 5 SÓ CONFUSÃO
SAMIRA
— Que bagunça é essa? — O senhor Cam pergunta. — Alguém vai me responder?
O homem está possesso. Posso sentir só de ouvi-lo.
Agora tenho certeza que minha cabeça rodará.
Ninguém consegue olhar para o senhor Cam. Ele é bravo e assustador, tanto quanto gostoso!
“Foco, Samira.”
Ele olha para todos e finalmente seus olhos param em mim. Ele desvia o olhar e espera pela resposta.
Minhas pernas estão trêmulas, e agora me pergunto por que inventei isso.
— Senhor Cam, estávamos… — Começa Salim, mas é interrompido por Cam, que está sério e visivelmente bravo.
— Quem trouxe essas coisas? É o que quero saber! — Ele fala alto, assustando a todos. — Agora vocês deram de realizar piquenique na empresa? Isso aqui parece um pátio de escola para vocês? — Ele está tão nervoso que minha barriga gela. — Vocês têm horário para comer, e esse não é o caso, muito menos local para isso!
— Senhor… — Salim recomeça a falar.
— Senhor, a culpa é minha! Eu que trouxe. — Falo sentindo um frio atravessar meu corpo.
O senhor Cam não me olha. Salim me observa, e eu o agradeço com o olhar por tentar me ajudar.
Meu chefe levanta a mão e faz sinal para segui-lo.
Entramos no elevador, e percebo o olhar dele em mim. Olho para ele, que desvia rapidamente seu olhar.
Chegando ao andar de cima, entramos em sua sala. Ele fecha a porta e encosta nela.
— Senhor, eu… Estava tentando… Ajudar… Suze… Então… — Estou tão nervosa que gaguejo e mexo nas mãos sem parar.
Ele levanta a mão, fazendo sinal para que eu pare.
**Ele me olha profundamente, e sinto meu rosto arder. Não sei por quê. **
— Sente-se, senhorita Samira. — Ele sabe meu nome!
Ele indica que eu me sente no sofá. Obedeço nervosa.
Ele me observa por um curto tempo até falar:
— Senhorita, creio que seu trabalho aqui se resume a cumprir ordens, não a fazê-las! — Isso soou tão rude, mas enfim.
Mexo nas mãos sem graça, e ele continua.
— Creio que seu trabalho foi devidamente explicado a você. Estou correto?
— Sim, mas…
— Mas nada! — Observo que ele trocou de camisa. — Comportamento como esse e o episódio do chá não são tolerados! Por mais que meu pai tenha exigido que a contratasse, eu a mandarei embora se voltar a se comportar de tal maneira. Entendido?
— Sim! — Não olho em seu rosto. Apenas continuo de cabeça baixa.
Agora sinto um nó na garganta.
Eu geralmente não sei lidar com alguém me dando carão. Sinto que vou chorar a qualquer instante.
Então, me levanto e saio pedindo licença!
Assim que saio da sala, fechando a porta, as lágrimas escorrem.
Vou em direção ao elevador quando escuto meu nome.
— Samira, o que aconteceu? — O senhor Elijah pergunta da porta de sua sala.
— N… Nada, senhor! Com licença! — De cabeça baixa, me viro para sair.
— Como nada? Você está chorando. Venha aqui. — Fala fazendo sinal com a mão, e vou até ele.
Entramos em sua sala.
— Senhor, não é nada. Não se preocupe. — Falo secando as lágrimas.
— Samira… Aposto que sei o que aconteceu. — Fala, e eu levanto o rosto para olhá-lo. — Foi Cam. Meu irmão é complicado… Ele é um homem sério e reservado, mas não é tão ruim quanto parece. Se acalme para poder voltar ao trabalho, tudo bem?
— Talvez eu nem tenha um depois de hoje. — Sussurro, ainda com a voz embargada.
— Claro que terá. Fique calma.
Ele vai até uma mesinha de canto e pega um copo com água. Ele me entrega e pede que eu beba.
Após beber a água e me recompor, levanto-me para sair.
— Voltarei para o trabalho, senhor Elijah. Muito obrigada! Com licença!
— Toda, e não se preocupe, Samira.
— Mais uma vez, obrigada. E pode me chamar de Sam. — Sorrio agradecida, e ele sorri de volta.
Quando estou saindo da sala do senhor Elijah, observo o senhor Cam saindo de sua sala.
Ele nos encara com a testa franzida, parando onde está.
— Bom trabalho, Sam.
— Obrigada, senhor Elijah.
Passo pelo senhor Cam, sem olhá-lo de cabeça baixa, entrando no elevador.
Assim que o elevador se abre, todos me olham curiosos.
Fico tão nervosa que minhas pernas vacilam, e eu tropeço.
Ainda bem que consigo me equilibrar.
— Sam, cuidado, menina! Você tá bem? — Pergunta Salim preocupado.
— Sim, obrigada, Salim.
— Não por isso. — Fala me puxando para minha salinha. — Então… O que o boy estripador falou?
— Me deu a maior bronca. — Falo toda desconcertada.
— Ah! Samizinha, por isso está com essa cara de choro… Tá tudo bem, ele é tão assustador quanto gostoso.
Sorrio nervosa.
Salim é uma figura, além de ser uma pessoa que sinto ser muito especial.
— Mas, garota, tenho que falar. Ficarei enorme de gorda se você ficar trazendo essas iguarias para cá. Comi feito uma porca!
— Que bom que você gostou. E para de exageros, você é lindo e está em forma.
— Sim, mas se me deixar influenciar por você, rapidinho não passo nessa porta aqui. — Aponta para a porta do escritório, e rimos. — Ficarei em forma, só que de bola!
— Se prepara para quando for lá em casa. Minha mãe costuma entupir todos com muita comida e guloseimas, ainda mais as visitas.
— Por Alláh! — Salim joga a mão na testa teatralmente. — Olha, todos amaram a comida da sua mãe. Devoraram rapidinho!
Salim se vai, e fico trabalhando, ou ao menos tentando.
— Sam? — Suze bate na porta, já entrando em minha salinha.
— Ah! Oi, Suze.
— Vim te agradecer. Acabei de mandar meu texto para avaliação geral. Você me ajudou muito. Obrigada!
— Ah, não foi nada.
— Claro que foi. E me desculpe. Fiquei sabendo do “boy estripador”. Espero que você não tenha tido problemas por minha causa.
— Está tudo bem, Suze. Estou feliz por ajudar. Percebi que chamam o homem de boy estripador. — Falo e deixo escapar uma risada.
— Com aquele gênio e com aquele olhar de quem vai nos matar, Sasa logo lhe deu um apelido. — Diz sorrindo.
— Sasa? O Salim, certo?
— Sim, ele é terrível, mas um amor, um dos melhores seres que já encontrei na vida!
Suze tem razão. Salim parece ser uma pessoa maravilhosa.
Suze se vai, e escuto barulhos de saltos bem irritantes.
Já sei quem vem a seguir.
Aline entra na minha salinha e fecha a porta com força.
— Você já está causando problemas, né, Samira? Como sempre, tem que chamar toda atenção do mundo para você! — Aline está visivelmente com raiva.
— Como é?
— Você tem que prejudicar e fazer merda por onde passa! — Aline está pegando pesado!
— Lili, por que tá falando assim? Você nem sabe o que houve. Eu só quis ajudar… — Ela me interrompe.
— Para, garota! Não me chama de “Lili”. Você está aqui apenas há dois dias e já não tenho paz! — Fala com raiva, gesticulando. — A senhorita Sinem ficou sabendo e veio me falar um monte. Se eu não tivesse implorado, você essa hora estaria na rua.
Aline bufa.
Ela tem vinte e seis anos, mas parece ter cem. Muito chata e metida, sem contar que discute sempre comigo, por qualquer motivo!
— Aline, você está sendo injusta! Você deveria saber primeiro o que aconteceu antes de me julgar! Você está assim só porque a mamãe e o papai me amam mais… — Falo rindo, tentando descontrair.
— Você nem é minha irmã de verdade, que inferno!
Aline se vira e sai.
Mas o que foi isso?
Como assim não sou sua irmã de verdade?
Ela só pode ter falado com raiva para tentar me atingir. Igual quando éramos crianças.
Irmãos fazem isso, apesar de que Aline está grandinha, mas gosta de me irritar até hoje.
As coisas não mudaram mesmo depois que crescemos.
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