Capítulo 3 Capítulo 1.1 Clara Rodrigues

Fico me lembrando de como conheci a Vivian, eu tinha finalizado meu estudo e estava à procura de emprego, pois a bolsa que tinha ganhado quando sair do orfanato já tinha finalizado, eu gostei e foi bom para meu conhecimento, ela sempre comunicativa me ajudou e daí então nós tornamos grandes amigas, ela gostava do que fazia, ela era artista mais também trabalhava em um restaurante, assim tirava o sustento dela e da Tintin, pois a vida de espetáculo nunca foi fácil e nem sempre rendia bem. Na época que ela iniciou no restaurante, ela tinha se envolvido com pai da Tintin, eles só tiverem um lance, que acabou ele quebrando o coração dela, e indo embora a deixando grávida, a mãe dele ainda ameaçou a minha amiga, até mesmo cartas ela enviou dizendo que o seu filho tinha se casado e já estava construindo a família dele com filhos.

Na época que a conheci a Tintim tinha apenas dois aninhos, naquela época fiquei apaixonada pela pequena. E me empenhei para ajudar a minha amiga. Desde então nunca mais nos separamos, ela virou uma irmã mais velha, ela sabe de onde eu vim e nunca me julgou, pelo contrário sempre manteve o carinho por mim. O nosso propósito era voltar para o Brasil nos três, mas infielmente nem tudo saiu como planejamos, mas antes dela morrer tinha me pedido para cuidar da pequena, ela fez toda documentação para que eu pudesse ter a tutela da Valentina definitiva.

Então com isso estou me preparando para voltarmos para o Brasil.

Só esperando as documentações que ficaram em andamento para ter a guarda da Valentina, e juntando o dinheiro do antigo trabalho da Vivian, e do meu para poder fazemos nossas vidas lá quando chegamos. Eu sei que nada será fácil, mas não iria me deixar abater.

Assim, quando chegamos posso correr atrás de um trabalho. Já tinha informado a irmã Cida, ela vai me ajudar, já tem até uma indicação de trabalho para mim, o que me deixou bastante esperançosa. Só estou esperando a liberação para seguimos para o Brasil.

Eu estou contando os minutos para voltarmos, quem sabe podemos viver melhor, e fazer a minha pequena feliz.

Sinto o corpo da pequena relaxado, ela já estar dormindo, ela tem poucos traços da Vivian. Como pode um pai renegar assim uma filha? A pequena é tão preciosa. Acabo adormecendo enquanto fico alisando seus cabelos...

Acordo com meu celular tocando. Abro meus olhos e tento sair da cama para não acordar a pequena.

Chego ao corredor atendo a ligação. E quase caiu de tanta emoção! Advogada conseguiu a liberação para irmos embora! Ela disse que já conseguiu reservar a passagem para hoje à noite, então eu tenho pouco tempo para organizar as nossas coisas! E avisar a irmã Cida que já estamos voltando!

Só Deus sabe o quanto eu estava esperando por essa notícia.

Deixo a pequena dormindo e vou para banheiro e tomo um banho para me desperta e após começar organizar tudo! Ligo para orfanato e por sorte consigo falar com a irmã Cida, que ficou emocionada por saber que finalmente estou voltando. Ela disse que já estava tudo certo, e até mesmo viu uma casinha perto, assim ela pode me ajudar com a Valentina. A agradeço e informo que assim que chegar ao Brasil eu irei ao orfanato.

Já estou finalizando as malas da pequena e algumas coisas que vamos levar de lembrança de sua mãe. Vou à cozinha e preparo nosso café, e volto até o meu quarto. Chego à pequena continua dormindo, vou até ela e começo a beijar sua cabecinha e fazendo cosquinha em sua barriguinha e ela começa abrir um sorriso lindo!

— Bom dia, minha pequena! Eu tenho uma mega novidade! Mas só contarei quando você levantar para tomar café da manhã comigo! — assim que falo ela começa a pular na cama!

— Vai tia conta! Eu tô curiosa! É de comer?— ela fica me perguntando.

— Não, meu amor! Essa mega novidade não é de comer! Mais é algo que estávamos planejando algum tempo! — confesso e nos sentamos e começo a montar o prato, ela está com olhos brilhando. Nem parece que teve um pesadelo durante a madrugada.

— Tia é a viagem que a mamãe sempre falava?— ela me pergunta, é muito esperta essa Tintin.

— Sim, meu amor, agora pouco recebi uma ligação de que já podemos viajar, e vamos sair hoje à noite! Estar preparada para viajar comigo?

— Sim!

— Então vamos terminar o nosso café e tentar deixar tudo organizado, já fiz a sua mala e só faltam poucas coisas!

— Eu posso levar o cobertor e o travesseiro da mamãe?

— Claro que pode! Até mesmo já tinha separado! Agora coma tudo para ficar fortinha!

Terminamos o nosso café da manhã, deixo tudo organizado a cozinha, e vamos para meu quarto. Eu não tenho muita coisa, mais faço questão de cuidar bem das que tenho e guardo tudo com a Tintim! Até mesmo algumas cartas e diário da Vivian, quando a Valentina tiver idade para compreender darei a ela o diário de sua mãe.

Colocamos as malas na parte da sala, e termino de deixar tudo arrumado. Essa casa é alugada e assim que sairmos já tem pessoas que viram morar. Por isso gosto de deixar tudo organizado. Na hora do almoço, faço algo forte assim, no jantar só lanchamos, não quero passar mal e nem deixar a pequena enjoada.

Algumas coisas que separei para doação avisou a dona da casa, e ela disse que um rapaz viria pegar para levar para doação. Foi à parte mais dolorosa o ver levando as coisas da Vivian. Mas eu não podia levar tanta coisa assim para o Brasil. Apenas peguei algumas coisas pessoais para ficar de lembrança para Valentina.

Após o jantar a Tintim tirou um cochilo. E nessa hora me bate um nervosismo.

Será que eu estou fazendo o certo?

Será que a Tintim vai se adaptar no Brasil?

Infelizmente a minha liberação para permanecer no país já acabou, também não sei se conseguirei ficar por aqui sem a minha amiga!

Tudo parece doloroso!

Você tem que ser forte Clara! Grito em pensamento...

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