O cara novo
Ann estava chegando ao seu limite.
Nos últimos dois dias, não se falava de outra coisa a não ser Rex Radford, por parte de sua melhor amiga Judith. Manhã, tarde, almoço, sala de estudos—Judith não conseguia tirar o nome do garoto da boca. O fato de Ann não gostar dele desde o primeiro encontro tornava tudo aquilo insuportável.
"Meu Deus, o Rex é tão lindo,"
"Você viu ele sorrindo para mim na aula de Química? Aquele sorriso de cair as calças!"
"Juro que ele estava olhando para cá! Tipo, diretamente para mim!"
"O Rex tem a mandíbula mais incrível—parece que foi esculpida por anjos!"
"O jeito que ele simplesmente fica parado—é intoxicante!"
Ann sempre zombava da expressão de Judith cada vez que alguém mencionava o nome dele. Cada elogio reverberava em seus nervos como uma facada—e, cada vez mais, ela se via prestes a explodir.
Ann segurava o garfo com um sorriso forçado enquanto se sentava em frente a Judith na mesa de sempre no refeitório. Seu purê de batatas já estava frio. Sua sanidade estava por um fio.
E então veio a gota d'água.
Judith suspirou sonhadoramente, "Sabe, acho que ele cheira a madeira de amêndoa rica e pecado—"
"Já chega!" Ann estourou, batendo a mão na mesa com força suficiente para fazer a bandeja tremer.
Judith piscou para ela.
Ann exalou bruscamente, tentando controlar o tom, mas sua irritação borbulhava como uma panela esquecida no fogão. "Essa loucura tem que parar. Eu preciso manter minha saúde mental, e esse seu constante 'Ah, Rex isso, Rex aquilo' está me fazendo perder os últimos neurônios que tenho. Eu não quero ficar sem cérebro, Jud. Então, por favor—pare por um minuto!"
Silêncio.
Ann fechou os olhos em um alívio abençoado, saboreando a rara paz... até que o silêncio se prolongou um pouco demais. Ela abriu um olho cautelosamente.
O refeitório estava em um silêncio mortal.
O que não era normal. Nem de longe.
Cada par de olhos estava fixo nela como se ela tivesse se despido e dado um mortal de costas do carrinho de sobremesas. Alguns estudantes pareciam chocados. Outros divertidos. Muitos horrorizados.
Judith estava sentada rigidamente ao seu lado, os olhos percorrendo a sala como um animal encurralado.
O coração de Ann despencou.
"...O que acabou de acontecer?" ela sibilou baixinho, já se levantando e pegando a mão de Judith.
"Hora de ir. Agora."
Elas fugiram do refeitório como fugitivas, o rosto de Ann queimando de vergonha. Ela não parou até que tivessem virado dois corredores e se escondido na antiga sala de prática de música, agora vazia e escura.
Uma vez sozinhas, Ann soltou a mão de Judith. "Ok, o que foi isso? Todo mundo estava olhando para mim como se eu tivesse incendiado o prédio! A Avirina ou uma das suas minions fez alguma coisa comigo enquanto eu não estava prestando atenção? Eu pisei em alguma mina social ou—?"
Judith tapou a boca com a mão, tentando—e falhando—parar de rir.
Ann estreitou os olhos. "Você está rindo? Eu acabei de me humilhar na frente de metade da escola e você está—?"
Judith perdeu o controle. Ela ria como uma hiena, segurando a barriga. "Ann... eu juro... o jeito que você disse!" Ela imitou em um tom dramático, "'Estou perdendo meus neurônios, Jud, e não quero ficar sem cérebro!'" Ela enxugou uma lágrima do olho.
Ann apenas ficou olhando.
Judith tentou recuperar o fôlego. "E a cafeteria inteira ouviu você! Você gritou sem perceber. E a melhor parte? Rex Radford estava sentado a duas mesas de distância."
Ann congelou. "Você está brincando."
"Quem dera eu estivesse."
Judith se encostou na parede, rindo novamente. "Mas a expressão no rosto da Avirina e do grupo dela? Inestimável. Pareciam que alguém tinha acabado de dizer que a Louis Vuitton delas era falsa."
Ann gemeu. "Judith. Por que esse tipo de caos sempre me encontra?"
Judith deu de ombros. "Sinceramente? Acho que este ano vai ser um inferno pra você. Mas altamente divertido pra mim."
Ann revirou os olhos. "Ótimo."
Uma sombra se moveu no canto do olho dela. Ela se virou—justo a tempo de sentir um leve toque no ombro.
Ela se virou devagar.
E lá estava ele.
Rex Radford.
Parado bem na frente dela.
De perto, ele era pior do que ela imaginava—alto, impecável, com uma beleza perigosa que fazia você esquecer seu próprio nome. Seu uniforme parecia ter sido feito sob medida em Milão. Seu sorriso era calmo, confiante—predatório.
Ann piscou.
Cara, quem vai por aí sorrindo assim? Quase fiquei cega.
Ele estendeu a mão para um cumprimento. "Oi," ele disse suavemente. "Sou Rex. Aquilo foi um show e tanto lá atrás."
Ann hesitou, mas se virou para longe dele.
Ele continuou, tom casual mas com algo mais afiado. "Meus amigos ali disseram que você estava só tentando chamar minha atenção. Porque você é pobre e miserável ou algo assim. Uma das muitas teorias que estão circulando."
A boca de Ann se abriu ligeiramente em descrença.
"Mas..." ele inclinou a cabeça. "Vou admitir, você é bonita. Tenho certeza de que há uma figura bonita debaixo dessas roupas largas, mas você simplesmente não é meu tipo."
A sala ficou em silêncio.
O queixo de Judith caiu. A voz dele continuou, pingando de desprezo. "Tão bonita... até você abrir a boca. Então tudo que saiu foi lixo, mais lixo, e blá blá blá."
Ann quase riu, mas sua irritação abafou o humor.
Ela virou os olhos para Rex. Seu olhar era frio. Desinteressado.
Então seu olhar passou por trás dele—para o grupo de estudantes parados perto, alguns segurando risadas, outros gravando.
Com uma voz calma e firme, Ann disse, "Por aqueles amigos seus, você quer dizer as vagabundas, traidoras, viciadas em drogas e aspirantes a Barbie de plástico que estão atrás de você, certo?"
Gritos.
O sorriso de Rex vacilou.
Ann não parou.
"Eu pensei que você tivesse alguns neurônios escondidos atrás desse seu rostinho bonito. Mas então você abriu a boca e me lembrou por que confiei nos meus instintos desde o começo. Você é só mais um mimado que acha que o mundo deve se curvar porque você entrou usando sapatos caros."
Mais um momento de silêncio.
Ann terminou com um pequeno aceno, sua voz gelada e cortante. "E as pessoas se perguntam por que eu não gosto de você. Desde o momento em que te vi e tive aquele encontro com você, soube que você não tinha bom senso. E como sempre—" ela virou as costas para ele, "—eu estava certa."
Ela pegou a mão de Judith, que agora ria tanto que lágrimas escorriam dos seus olhos, e saiu sem olhar para trás.
Atrás delas, Rex ficou paralisado, a multidão se afastando dele em um silêncio constrangedor.
Os olhos dele se estreitaram ligeiramente, a boca se apertando.
E então ele falou, voz baixa e afiada, direcionada a ninguém e a todos.
"Eu quero saber tudo sobre ela."
