O nome Radsford
Elas deslizaram para o canto mais afastado do banheiro feminino dos alunos—um recanto escondido da confusão da cantina do campus. Ann encostou as costas na parede fria de azulejos e soltou um suspiro trêmulo, fechando os olhos enquanto tentava fazer seu coração parar de bater tão forte. Seu peito subia e descia em rajadas rápidas, as palmas das mãos suadas, a testa úmida. Seu corpo inteiro vibrava como se ela tivesse acabado de sair de um campo de batalha. De certa forma, tinha mesmo.
O que acabara de acontecer... não era normal.
Foi um pouco traumático, honestamente. O jeito como a cafeteria inteira caiu naquele silêncio assustador—o peso de todos os olhares voltando-se para ela, suas próprias palavras ecoando com uma clareza devastadora. Ela não tinha a intenção de gritar. Simplesmente... explodiu. A irritação. A pressão. O monólogo apaixonado de Judith. Sua própria confusão.
E agora? Agora ela tinha certeza de que tinha dito algo irreparável. Algo estúpido. Algo alto o suficiente para alimentar os sussurros por semanas.
De repente, seus olhos se abriram. Como se tivesse sido atingida por algo importante. Seu estômago revirou e um arrepio percorreu sua espinha. Seu olhar se voltou para Judith, que ainda se recuperava da tempestade de sua saída.
“Quem—quem é ele?” Ann perguntou urgentemente, a voz tremendo ligeiramente. “Quem é esse Rex Radford?”
Judith piscou, sua boca se abrindo, mas nenhuma palavra saiu a princípio. Ela ficou congelada como um computador travado.
“Você... Você não sabe? Eu—eu pensei que você estava brincando?” finalmente disse, olhando para sua melhor amiga como se ela tivesse crescido uma segunda cabeça. “Você realmente não sabia quem ele era? Você não fazia ideia de quem ele era? E você—você simplesmente ficou lá e—oh meu Deus, Ann.”
Judith jogou as mãos para o alto e começou a andar de um lado para o outro como um pássaro preso.
“Meu Deus, você realmente insultou Rex Radford. Publicamente. Em voz alta. Enquanto ele estava olhando diretamente para você. Você o destruiu como se fosse uma noite de microfone aberto! E eu te apoiei como uma idiota! Ah, minha vida finalmente acabou! Eu pensei que você estava brincando sobre não conhecê-lo!”
Ann abriu a boca, mas Judith balançou a cabeça, já em espiral.
“Eu deveria ter te parado, eu deveria ter sabido que você realmente não o conhecia. Eu sabia que ele estava vindo e deveria ter dito algo. Mas então eu o vi sorrir e foi como algo saído de um filme—fiquei hipnotizada! Até ele abrir aquela boca irritante e se transformar em uma máquina de compactar lixo de besteiras.”
Ela finalmente parou e se virou para Ann com uma descrença genuína. “Você realmente não sabe quem ele é?”
Ann franziu a testa, ficando cada vez mais confusa—e frustrada.
“Não, Judith,” ela disse com crescente irritação. “É isso que eu continuo perguntando. Quem é ele?”
Judith suspirou e tentou encontrar um ponto de partida. “Ok. Lembra daquele carro esportivo branco que vimos no shopping no mês passado durante as promoções de meio de ano? Aquele que eu não parei de falar por uma semana?”
A testa de Ann se franziu ainda mais, mas então ela assentiu lentamente. “Aquele que tinha paparazzi em volta? Sim. Eu lembro. Dois celebridades saíram—Frank Lai e seu amigo.”
“Certo,” disse Judith, feliz por estarem na mesma página. “Você pesquisou no Google, lembra? Disse que o carro valia dez milhões de dólares.”
Ann assentiu novamente, piscando enquanto sua memória se aguçava. “Sim, sim, eu lembro agora. Foi... fabricado pela Radfords Automobile Company, não foi?”
“Exatamente.” Judith apontou para ela como se estivesse lhe dando uma estrela de ouro. “E quem o Google disse que é o dono da Radfords Automobile?”
“Alfred Radford,” Ann disse lentamente, lembrando como se fosse ontem.
Os olhos de Judith se estreitaram com um toque dramático. “E quem é o pai de Rex Radford?”
As sobrancelhas de Ann se juntaram. “Você mencionou Alfred Radford... espera—”
Ela nem conseguiu terminar a frase. Seus olhos se arregalaram de puro horror, sua boca se abrindo em um suspiro tão profundo que parecia que ela tinha levado um soco no estômago. Seus dedos perderam o controle da mochila, que caiu no chão com um baque pesado.
Judith mal conseguiu segurá-la quando ela cambaleou para trás, seu rosto perdendo toda a cor.
“Oh não,” Ann sussurrou, enquanto a realização a atingia como um trem de carga. “Oh não, não, não.”
Judith a ajudou a se equilibrar, o pânico crescendo em seu próprio peito. “Ann, respira. Você está me deixando nervosa.”
Mas Ann não conseguia falar. Seus lábios se moviam, mas nenhum som saía. Era como se sua mente estivesse em curto-circuito.
Elas saíram do banheiro em um silêncio tenso. Judith manteve um aperto suave no pulso da amiga, certificando-se de que Ann não desabasse de pura mortificação.
A caminhada pelo campus parecia um sonho febril. As cores eram brilhantes demais. O ar, pesado demais. Os poucos alunos que passaram por elas sussurravam atrás de mãos em concha, lançando olhares curiosos em sua direção.
Ann mal notou.
Quando chegaram ao carro de Judith e dirigiram até o modesto apartamento de Ann, o silêncio entre elas se tornou insuportável. Judith estacionou a van e ajudou Ann a entrar.
O apartamento era pequeno, mas aconchegante. Cores quentes, almofadas macias, livros gastos empilhados nos cantos. Um refúgio do caos do mundo exterior. Mas não hoje. Hoje parecia que o ar tinha sido sugado dali.
Ann desabou no canto mais distante do sofá como alguém que acabara de sobreviver a um desastre. Judith se acomodou na extremidade oposta, observando-a com olhos arregalados.
Ann não se mexeu. Ela estava olhando para o nada.
Judith pigarreou, tentando aliviar o clima. "Ok, então... hoje foi um pouco intenso, mas—ei—talvez ele esqueça que aconteceu? Quero dizer, ele provavelmente é insultado por garotas e garotos ciumentos o tempo todo. Certo?"
Nenhuma resposta.
"Quero dizer... Avirina e suas seguidoras não vão deixar isso passar, obviamente. Mas honestamente? Elas já estavam atrás de você. Qual é o problema de mais um motivo?" Ela forçou uma risada que não teve muito efeito. "Meu Deus... Eu sabia que este ano estava amaldiçoado. Não fui à igreja no dia 31 de dezembro para rezar. Foi aí que errei."
Ela fez uma pausa. "Estamos condenadas. Nossas vidas acadêmicas acabaram. Vou ter que me transferir para uma escola só de meninas no meio do nada. Provavelmente na floresta. Com cabras."
Ainda sem resposta.
Judith se inclinou para frente, franzindo a testa. "Ann?"
Então, de repente—Ann se levantou. Rígida. Determinada. Ela caminhou até a porta, abriu-a e apontou para fora.
"Saia."
Judith piscou, atordoada. "O-Q-Quê?"
Ann não vacilou. "Fora. Agora."
"Você está me expulsando? Eu?"
"Eu preciso de paz," disse Ann, com a voz firme. "Preciso de ar. Preciso pensar. E você não está ajudando. Você está jogando gasolina em uma fogueira e meu cérebro é a lenha."
Judith se levantou lentamente, mordendo o lábio. Ela sabia que estava tagarelando. Não tinha a intenção de piorar as coisas. Só estava tentando consertar. Mas talvez, só talvez... ela fosse parte do problema.
"Desculpa," ela sussurrou, recolhendo suas coisas. "De verdade."
Quando ela saiu, a expressão de Ann não mudou. A porta se fechou atrás dela com um leve baque, mas soou como um estrondo de trovão nos ouvidos de Judith.
Judith caminhou lentamente até seu carro, evitando contato visual com os transeuntes. A van parecia fria quando ela entrou. Pela primeira vez, ela nem queria música. Nenhuma distração. Apenas ela e seus arrependimentos.
Lá dentro, Ann finalmente se permitiu respirar. Ela afundou no chão, a cabeça contra o braço do sofá, os olhos ardendo. Suas mãos tremiam em seu colo.
Era demais. Tudo isso.
A memória se repetia em sua mente. O silêncio constrangedor. A maneira como os olhos dele a avaliavam, como se ela fosse um item de inventário. Aquele sorriso. Aquele insulto.
Aquela audácia.
E então a maneira como ela explodiu. A verdade que falou sem se censurar. O desgosto. A raiva. O veneno em sua voz que não veio do nada, mas de sua antipatia por ele desde o primeiro encontro.
Veio de algum lugar profundo.
De algum lugar velho. Machucado. Cicatrizado.
E agora tudo fazia sentido.
Rex Radford. Claro que ele era filho de Alfred Radford. Só o nome já torcia algo dentro dela. A assustava até os ossos.
Ann cerrou o maxilar, o peito apertando. Ela não apenas se envergonhou na frente do cara mais poderoso do campus. Ela despertou fantasmas que precisava temer.
Fantasmas com nomes. Fantasmas com legados.
Seus punhos se fecharam em seu colo, as unhas cravando na pele.
Rex Radford. Ele ainda não sabia—mas ele começou algo.
Algo que não terminaria naquela cafeteria.
Não para Ann.
