Capítulo 4

Ponto de vista de Cassandra

Depois do jantar desastroso, tranquei-me no meu quarto.

A noite já estava bem avançada. Do lado de fora da janela, a chuva continuava caindo, as gotas tamborilando no vidro como uma canção de ninar irritante. Eu vestia uma camisola fina de seda cor de vinho e estava descalça no assoalho de madeira gelado, com o estômago vazio, mas sem qualquer apetite.

Toc, toc.

Uma batida suave veio do lado de fora da porta. Era o velho mordomo, Ilias.

— Madame, perdão pela intrusão. — A voz de Ilias atravessou a porta de carvalho, plana e sem inflexão. — O mestre está de um humor extremamente péssimo. Ele já estilhaçou duas taças de vinho no escritório. Parece haver algum problema nos limites da propriedade. Por favor, leve este vinho de safra para ele e... acalme-o.

Fechei os olhos e puxei o ar num suspiro profundo.

Acalme-o. Esse era o meu trabalho, o meu único valor nesta mansão gótica. Quando assinei aquele maldito contrato, estava tudo muito claro: sempre que o senhor exigisse, eu deveria oferecer meu sangue e meu corpo a qualquer hora.

Abri a porta e peguei da bandeja de prata de Ilias uma garrafa cara de Bordeaux e uma taça limpa.

O corredor da ala leste se estendia escuro e comprido à minha frente. Ao passar pela suíte recém-reformada de Serena, ouvi lá dentro a voz afetada dela reclamando com uma criada que a temperatura da lareira estava insuficiente. Cerrei a mandíbula, apressei o passo e parei diante das pesadas portas duplas de nogueira no fim do corredor.

Não bati. Apenas empurrei a porta e entrei.

O escritório estava impregnado do cheiro denso de cedro, misturado a pergaminho, uísque envelhecido e algo perigosamente metálico — sangue. Alexander estava atrás da enorme escrivaninha de mogno, com as duas mãos apoiadas na superfície. Vários relatórios em pergaminho manchados de vermelho-escuro jaziam espalhados pelo chão.

Ao ouvir o movimento, ele ergueu o olhar.

Ele não usava paletó. A camisa preta estava aberta no colarinho, as mangas descuidadamente arregaçadas até os cotovelos, revelando antebraços pálidos e fibrosos. Aqueles olhos — normalmente frios como geada de inverno — agora se revolviam com tons carmesins, e suas duas presas afiadas haviam se estendido por completo, fora do controle, pressionando o lábio inferior.

Ele parecia uma fera antiga enfurecida, pronta para dilacerar a presa a qualquer instante.

— Eu não chamei ninguém para entrar — rosnou, com a voz assustadoramente rouca.

— Ilias me pediu para trazer o vinho — eu disse, tentando manter a voz firme enquanto me aproximava com a bandeja. — Você precisa se acalmar, Alexander.

Quando parei diante dele, o olhar carmesim deslizou do meu rosto para baixo, demorando-se no meu peito subindo e descendo com a respiração, e então descendo até as coxas pálidas expostas sob a barra da camisola.

— Vinho? — De repente, ele soltou uma risada fria, um som baixo vibrando na garganta.

No segundo seguinte, eu nem vi ele se mexer.

Crash!

Com um golpe violento da mão, ele derrubou a bandeja de prata e a garrafa de vinho do meu alcance. A garrafa se estilhaçou, e o líquido cor de borgonha espirrou sobre o caro tapete persa como uma poça de sangue fresco.

— Ah! — gritei, assustada. Antes que eu pudesse recuar, o braço frio e poderoso dele se fechou em torno da minha cintura, erguendo meu corpo inteiro e me arremessando com brutalidade sobre a ampla escrivaninha de mogno.

Papéis se espalharam pelo chão sob mim.

— Você acha que o que eu preciso agora é vinho, Cassandra?

O joelho dele se enfiou entre as minhas pernas, me prendendo sem piedade contra a escrivaninha. Ele baixou a cabeça, o nariz frio quase encostando no meu pescoço, enquanto inspirava fundo, com avidez.

— Você está com cheiro... de notas azedas de ciúme, e de uma doçura maldita.

— Me solta! — Eu me debati, as duas mãos empurrando o peito dele, duro como ferro. A imagem dele favorecendo Serena no jantar ainda girava na minha cabeça — eu não queria que ele me tocasse agora. — Se você precisa se alimentar, vá para o quarto ao lado, para a sua querida irmã! Ela não acabou de completar a transformação? Ela não compartilha a mesma força vital que você?!

— Cala a boca!

Ele rosnou, usando uma mão para prender os meus dois pulsos acima da minha cabeça, esmagando-os contra a escrivaninha. A outra mão, sem a menor cortesia, deslizou pela parte interna da minha coxa e empurrou com brutalidade a minha camisola de seda para cima.

— Não fale dela para me irritar. — A voz dele carregava uma impaciência extrema. Os dedos frios e ásperos, por cima daquela camada fina de renda, encontraram meu mamilo com precisão e começaram a amassá-lo com força.

— Mmm... — Mordi o lábio inferior, tentando engolir aquele gemido vergonhoso. Mas ele conhecia meu corpo bem demais.

Os dedos dele tinham uma força irresistível quando rasgaram minha calcinha. Quando os dedos longos e frios penetraram direto no meu centro, eu percebi, com desespero, que, mesmo com a minha mente resistindo, meu corpo ainda respondia sem vergonha.

— Ainda me mandando procurar outra pessoa? — Ele pressionou e esfregou meu clitóris com uma precisão cruel, sussurrando no meu ouvido: — Seu corpo é muito mais honesto do que a sua boca, minha querida esposa. Está completamente encharcado agora.

— Não... Alexander, por favor... — O prazer subiu pela minha coluna como uma corrente elétrica até o cérebro. Lágrimas de reação fisiológica se formaram nos cantos dos meus olhos.

— Olhe para mim — ele ordenou.

Fui obrigada a abrir os olhos embaçados de lágrimas.

Ele se inclinou, a língua ardente lambendo a pele pulsante sobre a minha artéria carótida. Então, sem a menor misericórdia—

Perfuração.

Presas afiadas atravessaram minha pele num instante, enterrando-se fundo na minha veia.

— Ah—!

A dor ardente misturada ao prazer alucinógeno, orgástico, trazido pelo veneno de vampiro me inundou na mesma hora. Ele engoliu meu sangue em grandes goles; os dedos dele, lá embaixo, acompanhavam o ritmo da sucção, enfiando-se com violência dentro de mim.

— Alexander... fundo demais... eu não aguento...

Dor, humilhação e aquele prazer extremo que drenava a alma se entrelaçaram. Minhas unhas riscaram sulcos profundos na superfície de mogno da escrivaninha.

Na tontura de ter meu sangue drenado, sob aquela dedada brutal, meu corpo se arqueou com violência, convulsionando na palma fria dele, atravessado por um clímax intenso.

Quando ele finalmente retirou as presas, eu desabei sobre a escrivaninha como um peixe morrendo, ofegante, o peito completamente desarrumado.

Ele limpou o sangue do canto da boca com o polegar. O carmesim daqueles olhos havia recuado, voltando ao azul-gelo sufocante.

Ele ajeitou a gola da camisa, olhando para mim como se a besta fora de controle de instantes atrás nunca tivesse sido ele.

— Arrume suas roupas. Volte para o seu quarto. — Ele me dispensou friamente, virando-se para o armário de bebidas.

Eu cerrei os dentes, me forçando a atravessar a dor entre as coxas e a tontura da perda de sangue, descendo da escrivaninha. Segurando a camisola fechada contra o corpo, não disse nada e cambaleei para fora do escritório.

Aos olhos dele, eu não passava de uma bolsa de sangue e um escape para usar quando quisesse. Nada mais.

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