Capítulo 4 Marca
Não era possível que apenas eu estivesse sentindo aquilo. Eu não conseguia acreditar nisso. Quando me dei conta, já a estava beijando.
Ela hesitou por um instante, então correspondeu.
Seus lábios se moveram contra os meus, e meu lobo praticamente rugiu dentro de mim. Apertei a mandíbula, tentando controlar a intensidade que tomou conta do meu corpo, enquanto ela levava uma das mãos até meu peito, como se precisasse se apoiar em alguma coisa.
O beijo se aprofundou por alguns instantes, carregado de uma atração que nenhum dos dois parecia capaz de explicar.
Quando nos afastamos, sua respiração estava acelerada.
Ela não disse nada, mas nem precisava.
Seus olhos haviam mudado de cor. O que me deixou mais surpreso foi que não ficaram dourados e nem pretos, como os de todos os lobos que eu conhecia.
Ficaram azuis.
E carregados por algo mais profundo.
Reconhecimento.
Como se o chamado que queimava dentro de mim também tivesse encontrado eco nela.
E, antes que eu pudesse pensar, ela avançou.
O calor do corpo dela invadiu o espaço entre nós. Não houve aviso. Nenhuma palavra.
Ela simplesmente voltou a beijar-me.
Seu gosto me atingindo como um choque quente e real.
Interrompi o beijo apenas o suficiente para afastá-la um centímetro — um único centímetro — antes de segurar seu braço e puxá-la para a pequena sala que existia ali.
O almoxarifado.
Assim que a porta se fechou atrás de nós com um estalo abafado, prensei aquela loba contra a parede. Sem qualquer anúncio, voltamos a nos beijar e nossos corpos se encontraram com uma precisão assustadora, como se tivessem sido feitos para aquele encaixe.
Minha língua invadiu a boca dela como uma promessa — quente, dominadora. Ela não resistiu. Entregou-se com a mesma intensidade, com a mesma necessidade.
Seu corpo era macio, quente. Meus lábios abandonaram os dela e deslizaram lentamente pelo seu queixo até seu pescoço. Cada respiração dela incendiava minha pele.
Minhas mãos subiram sob o tecido da sua blusa, explorando com intensidade. Quando alcançaram seus seios, um gemido involuntário escapou da sua garganta, acompanhado por um rosnado baixo meu.
Estávamos perdidos um no outro.
Afastei-me por um instante, encarando-a, dando tempo a ela de recuar.
Meu olhar não pedia permissão — atravessava, provocava, reivindicava. A química que existia entre nós não apenas despertou — ela explodiu, viva, crua, impossível de conter.
Ela podia sentir minha excitação dura contra seu ventre, e sabia, sem nenhuma dúvida, que eu podia farejar a sua.
Minha boca voltou a dela e logo em seguida desceu para seu pescoço, havia fome naquele gesto — um convite silencioso que arrepiou sua pele. Quando minha mão segurou a barra da sua blusa e a puxou para cima, ela simplesmente ergueu os braços.
Eu a olhei, como alfa, meus olhos deveriam estar totalmente pretos, selvagens, quase ferozes. Naquele instante, não era apenas o homem — era o lobo também.
— Minha. — Minha voz saiu rouca, grave, carregada de instinto, fazendo o corpo inteiro dela estremecer.
Segurei sua nuca e a puxei para outro beijo.
Quando me afastei, simplesmente a virei com firmeza, pressionando-a de costas para mim. Havia perdido o controle para meu lobo. Colei-me às suas costas, o membro rígido roçando na curva da sua bunda, a urgência evidente em cada respiração.
Não havia hesitação. Havia necessidade. Um fogo que nos consumia por dentro — que não podia mais ser contido.
O short e a calcinha que ela vestia deslizaram pelas suas pernas e caíram aos seus pés. Um arrepio percorreu seu corpo quando sentiu minha boca traçar um caminho lento e quente até a base de sua coluna.
Eu precisava prová-la. Meu lobo precisava disso.
Agachei-me atrás dela, segurando firme sua bunda, fazendo seu corpo se inclinar em minha direção. Então, eu a toquei com devoção.
Minha língua era precisa, impiedosa, como se soubesse exatamente o que ela precisava. Cada movimento parecia calculado para levá-la ao limite. E o corpo dela reagia sem reservas, tremendo, rendido.
— Isso. Por favor… — ela gemeu.
Minha língua a levou ao ápice com uma facilidade quase cruel. Quando o prazer a atingiu, ela arqueou o corpo.
Meu lobo rosnou em puro deleite, satisfeito com a rendição dela, sustentando-a enquanto ela mal conseguia se manter de pé.
Levantei-me lentamente, colando-me a ela outra vez. Inalei profundamente o cheiro do seu cabelo, do seu suor e do nosso desejo misturado. Não consegui conter o rosnado que vibrou em meu peito.
Eu ainda não tinha terminado com ela.
Sem tirar completamente a roupa, apenas o necessário, rocei sua intimidade com meu membro, devagar, como se saboreasse cada centímetro daquela conexão antes de penetrá-la completamente. Minhas mãos a mantinham ali, entregue enquanto a tomava com uma lentidão provocante, quase reverente.
— Por favor… — voltou a gemer, ofegante, as mãos espalmadas na madeira da porta. — Mais rápido…
Um som grave escapou de mim.
Meus movimentos tornaram-se intensos, ritmados, profundos. Colei-me às suas costas, uma das mãos deslizou até seu ponto mais sensível, meus dedos movimentando-se em um vai e vem delirante.
Quando meus lábios alcançaram seu ombro, o corpo dela estremeceu.
Ela estava perto. Perto demais de cair novamente.
Mas então… eu parei.
Retirando-me completamente dela, deixando-a vazia, atordoada.
Sua loba reagiu imediatamente, virando-se para mim. Aproximei-me outra vez, os olhos ainda mais pretos, a boca parada a poucos centímetros da dela.
— Meu — gemeu ela.
Sua loba reconheceu o meu lobo e, no instante seguinte, nossos lábios se encontraram com intensidade renovada.
Eu a ergui com facilidade, e ela enlaçou minha cintura com as pernas. O mundo ao redor desapareceu enquanto eu a tomava sem reservas.
Nossos movimentos eram guiados pelo instinto e pela conexão entre nós. Cada gesto dela fazia meu coração disparar, enquanto sua loba respondia em perfeita sintonia com o meu lobo.
O mundo reduziu-se ao ritmo dos nossos corpos, ao som das nossas respirações.
E quando o prazer a atingiu novamente, mais intenso que antes, ela perdeu qualquer resquício de controle. E em que eu previsse seu próximo movimento, suas presas emergiram e se cravaram na junção entre meu pescoço e meu ombro — marcando-me.
— Caralho! — grunhi, a voz tomada por uma mistura de dor e êxtase.
E naquele instante, eu soube…
Ela não apenas me marcou.
Ela me reivindicou.
