Capítulo 5 Vínculo
Foi como se o mundo desaparecesse por um instante. Uma onda brutal de prazer me atravessou, arrancando de mim um gemido rouco enquanto eu me desfazia dentro dela.
Meu lobo rugiu, possessivo.
Meus olhos brilharam com a intensidade do momento e, naquele instante, eu soube: não havia mais volta.
Eu era dela.
Ao sentir sua marca, meu corpo pareceu ganhar vida própria, pulsando com uma energia crua e selvagem. Cada fibra estava incendiada, e a fome que sentia por aquela loba cresceu de forma quase insuportável — urgente, primitiva — como se cada batida do meu coração gritasse por ela.
Num movimento, coloquei-a no chão e voltei a prensá-la contra a porta. Ela me encarou em desafio por um breve instante, mas logo a virei, deixando-a novamente de costas para mim e encaixando-me nela.
Meu lobo se impôs, e a loba dela se entregou sem resistência. Mesmo sem tê-la marcado, ela já reconhecia o meu lobo, entregando-se sem reservas.
Aquilo despertou em mim uma satisfação instintiva — poder e pertencimento misturados — e voltei a me mover com intensidade, transformando cada movimento em uma promessa silenciosa.
A forma como me olhava por sobre o ombro… a maneira como se arqueava para mim… tudo nela era um convite.
Ela queria que eu assumisse o controle.
E eu assumi.
Movi-me com intensidade, sentindo cada reação dela incendiar ainda mais meus sentidos.
— Eu vou gozar…
— Goze para mim — minha voz saiu rouca, animalesca, arrancada do fundo da alma.
E quando ela se entregou ao prazer, eu fui junto.
Perdi-me outra vez naquele vínculo, como se tudo em mim — carne, alma e lobo — tivesse se rendido àquele momento.
Antes que eu pudesse recuperar o fôlego, vi seu corpo relaxar: exausto, suado, mas sereno.
Mas isso durou apenas um instante.
No momento seguinte, ela pareceu recuperar o controle de si mesma. Afastou-se e me empurrou, deixando-me completamente confuso.
— Você não tinha esse direito…
Ela tentou sustentar meu olhar, mas havia algo diferente em sua expressão.
Por uma fração de segundo, percebi o medo.
Seu olhar desviou para a marca que havia deixado em mim, por onde uma fina linha de sangue ainda escorria pela pele.
Mas ela rapidamente ergueu uma parede entre nós.
Ali percebi que havia algo errado.
Apenas a observei enquanto ela vestia as roupas sem dizer mais nenhuma palavra.
Meu lobo rosnou em frustração, querendo se impor a ela.
Mas eu o contive.
A marca dela pulsava em mim, viva, no mesmo ritmo do meu coração, como se ela tivesse deixado um pedaço de si cravado em minha pele.
Quando ela se preparou para sair, segurei seu braço.
— Para onde você pensa que vai?
Eu não conseguia entender por que ela estava fugindo. Meu lobo estava irritado e frustrado. Era evidente que ela não confiava em mim.
— Eu. Vou. Embora.
Ela pronunciou cada palavra pausadamente, sem deixar dúvidas sobre o que pretendia fazer.
Naquele momento, não contive o riso sem humor que escapou de mim.
— Você acredita mesmo que pode partir depois disso?
Fiz um pequeno movimento com o queixo, indicando a marca que ainda queimava em minha pele, mas sem desviar os olhos dela.
Seu olhar desviou para a marca, como se ainda não acreditasse que havia feito aquilo. Quando seus olhos encontraram os meus novamente, havia arrependimento neles.
E aquilo deixou meu lobo ainda mais furioso.
— Olha, eu não sei quem você é, mas posso afirmar que vai ser melhor se me deixar partir. Eu realmente sinto muito por ter sido tão imprudente.
Um novo sorriso surgiu em meus lábios, mas não havia bondade nele.
Antes que eu pudesse responder, a porta se abriu de repente.
Ela quase pulou de susto.
Tony, um dos funcionários do restaurante, também pareceu surpreso ao nos encontrar ali.
— Nossa, cara! Você quase me mata de susto.
Aquela mulher aproveitou a intromissão.
Senti a mistura de medo e alívio vibrar em seu corpo.
— Perdão por isso. Eu preciso ir — desculpou-se.
E, antes que eu pudesse impedi-la, apressou-se para deixar aquela sala que, de repente, parecia pequena e abafada demais.
Seus passos foram rápidos, quase uma corrida.
Mas, claro, eu não a deixaria escapar tão facilmente.
Desculpei-me com Tony e fui atrás dela.
Assim que cheguei ao estacionamento, encontrei-a parada, olhando para o nada.
Só então compreendi o motivo.
O ônibus que a havia trazido até ali já tinha partido.
E, pela primeira vez desde que aquela mulher havia entrado na minha vida, percebi que talvez o destino estivesse me dando exatamente a oportunidade de que eu precisava.
Aproximei-me devagar.
Ela ouviu meus passos e fechou os olhos por um instante, como se estivesse reunindo forças para lidar comigo outra vez.
— Não — murmurou, antes mesmo de se virar.
Parei a poucos passos dela.
— Ainda não disse nada.
Ela finalmente se virou.
Seus olhos agora castanhos encontraram os meus.
— Não precisa dizer. Eu sei o que vai falar.
Cruzei os braços, tentando esconder a tensão que me atravessava.
— Então me diga.
Ela respirou fundo, claramente irritada.
— Que eu não posso simplesmente ir embora.
Um sorriso involuntário surgiu em meus lábios.
— Seu ônibus partiu, e não vai passar outro tão cedo por aqui.
Não sabia explicar, mas aquela loba parecia assustada. Olhando por cima do ombro, como se estivesse fugindo de algo. Mas, quando seus olhos se voltaram para mim, havia uma raiva contida neles.
— Isso é tudo culpa sua.
Por mais que eu tentasse manter o controle, algo queimava sob minha pele — não apenas irritação, mas um instinto de proteção.
Meu orgulho ainda sangrava por ela ter tentado ir embora logo após me marcar. Mas outra parte — aquela que eu jamais admitiria em voz alta — sentia uma expectativa que não conseguia explicar.
Se ela acreditava que podia ir embora como se nada tivesse acontecido, estava completamente enganada.
