Capítulo 1 Drugged Fuck
Ponto de vista de Cherry
Viro mais uma dose de tequila, fazendo uma careta quando o líquido queima minha garganta. Esse bar imundo escondido no centro de San Laurent não era minha primeira opção, mas é exatamente do que eu preciso esta noite — anonimato.
“Outra?” O barman ergue uma sobrancelha para mim.
“Por favor.” Empurro o copo para a frente, observando enquanto ele o enche de novo.
Um homem se senta no banco ao meu lado. “O que uma coisinha bonita como você está fazendo bebendo sozinha?”
Não respondo, torcendo para o meu silêncio fazê-lo ir embora. Não faz.
“Estou falando com você, loirinha.” A mão dele pousa na minha coxa.
“Não estou interessada.” Afasto a mão dele, mas alguma coisa parece errada. A sala começa a girar levemente. Eu só tomei duas doses. Eu não deveria me sentir tão desconectada.
O homem sorri, revelando dentes amarelados. “Vai estar daqui a pouco, querida.”
A percepção me atinge. Minha bebida. Ele deve ter colocado alguma coisa nela quando eu não estava olhando. Tento me levantar, mas minhas pernas parecem feitas de algodão.
Cambaleio pelo bar lotado, com o homem logo atrás. Meu coração martela no peito quando empurro a porta de saída e vou parar num beco escuro. O ar frio bate no meu rosto, clareando minha cabeça por um instante.
Passos ecoam atrás de mim. “Não faz assim, bebê. Eu só quero me divertir um pouco.”
Tento correr, mas meus pés não obedecem. As mãos dele me agarram, rasgando a manga do meu vestido. Eu grito, mas sai um gemido patético. Lutando contra o efeito da droga, arranho o rosto dele, sentindo minhas unhas rasparem a pele.
Ele xinga, afrouxando o aperto por um momento. Aproveito a chance, empurro ele e cambaleio em direção à rua. Meu vestido está rasgado, caindo de um ombro, mas fugir é tudo o que importa.
Eu saio do beco para a avenida principal, desorientada e apavorada. Faróis me cegam. Pneus cantam. Em seguida, sou arremessada ao chão. Fico ali, incapaz de me mexer.
A porta de um carro se abre. Passos se aproximam.
“Merda”, diz uma voz masculina.
O vidro traseiro do carro baixa até a metade. “Leo, que diabos está acontecendo?” Outra voz — mais grave, impaciente.
“Eu atropeli uma mulher, senhor. Ela acabou de sair correndo do beco. As roupas dela estão rasgadas.”
“Só coloca ela no carro. Me deixa primeiro no clube e depois leva ela para um hospital.”
“Sim, senhor.”
Braços fortes me levantam do asfalto. Pelos olhos semicerrados, vejo meu agressor do bar parado na entrada do beco. Ele me olha uma vez e recua de volta para as sombras.
O interior do carro é espaçoso. Minha mente entorpecida pela droga registra um homem sentado no banco de trás, a camisa branca parcialmente aberta, revelando a pele bronzeada por baixo. Meu corpo parece em chamas, cada terminação nervosa gritando por alívio do calor que a droga criou dentro de mim.
Dou por mim me aproximando dele, atraída como uma mariposa pela chama. A pele dele está quente contra a minha — ou talvez estejamos os dois queimando. No meu estado confuso, só sei que o carro deste homem acabou de me salvar de um predador e está me levando ao hospital. Ele deve ser bom. Ele deve ser seguro.
Ele tenta me empurrar para longe, mas eu me agarro a ele. “Por favor”, arrasto as palavras. “Eu fui drogada. Me ajuda.”
Ele congela, as mãos parando no meio do movimento. “Você foi o quê?”
Eu me derreto contra o peito dele, meus dedos atrapalhados nos botões que restam da camisa. “Alguém drogou a minha bebida. Por favor, me ajuda.”
A voz dele desce para um tom baixo e perigoso. “Qual é o seu nome? Você entende o que está fazendo?”
“Eu sou a Cherry...” Abro a camisa dele. “Você parece uma pessoa boa. Por favor. Eu preciso que você me foda.”
A droga assume o controle por completo quando eu pressiono meus lábios contra o peito dele, o pescoço, a mandíbula, sussurrando: “Só sexo, por favor, eu não aguento essa queimação.” Para minha surpresa, ele não resiste mais. Em vez disso, as mãos dele começam a me ajudar a tirar a roupa rasgada.
O carro para de repente.
“Senhor, chegamos.”
“Saia.” A ordem é áspera.
“Senhor? Tem certeza que quer... com ela?”
“Eu disse para sair. Agora.”
O motorista desce, deixando nós dois a sós.
As mãos ásperas dele deslizam pelas minhas coxas, empurrando para o lado os restos do meu vestido rasgado. Meu corpo se arqueia em direção a ele quando sinto a rigidez dele pressionando contra mim através da calça. Eu me atrapalho com o cinto, libertando-o, meus dedos se fechando em torno do pau grosso e quente. Os dedos dele encontram meu centro encharcado, escorregando para dentro.
Não há delicadeza, só necessidade — as estocadas dele, quando ele me penetra, são profundas, urgentes, e minhas paredes se apertam ao redor dele. Cada movimento manda choques de alívio pelo meu membro em chamas. Quando tudo acaba, eu desabo contra o banco de couro, tremendo, o efeito da droga finalmente afrouxando.
E então a realidade despenca sobre mim com uma clareza devastadora. O que foi que eu acabei de fazer? Minha mãe me chamou de Cherry esperando que eu entendesse a importância da minha virtude. Agora eu a perdi para um desconhecido.
Olho ao redor, absorvendo o luxo do veículo. O homem ao meu lado está deitado com os olhos fechados, o perfil definido e bonito na luz fraca. Pelo menos não acabei com o tarado do bar.
Olho pela janela, mortificada com a ideia de alguém ter nos visto, mas o vidro parece escuro.
— É vidro espelhado — ele diz, lendo meus pensamentos.
Eu me sobressalto com a voz dele.
— Me desculpa — deixo escapar. — Eu fui drogada. Obrigada por me salvar.
Os lábios dele se curvam em algo entre um sorriso e um sorriso de canto enquanto ele pega a carteira.
— Não precisa me agradecer. Eu já vi mulheres como você. Vou te dar um dinheiro. Você vai embora e não conta a ninguém o que aconteceu.
Minha gratidão evapora na hora. O que ele acha que eu sou?
— Obrigada pela sua generosidade — respondo, a voz pingando sarcasmo. — Aqui vai minha contraproposta: eu te dou o dobro desse valor se você me deixar em paz e nunca mencionar isso para ninguém.
Ele chega a rir.
— Você tem personalidade. Que tal nenhum de nós pagar nada ao outro? Onde você mora? Vou mandar o Leo te levar pra casa... ou pra um hospital, se você precisar ser examinada.
— Não, obrigada. Eu dou conta. — Estendo a mão para a maçaneta da porta. Já estou atrasada para voltar.
Ele segura meu pulso, a pegada firme, mas sem doer. Abre um compartimento e puxa um conjunto de roupas femininas.
— Seu vestido está destruído.
Vendo a lógica na sugestão, aceito as roupas. Ele sai do carro para me dar privacidade, esperando do lado de fora enquanto eu me troco.
Quando eu saio, agradeço de novo, ansiosa para deixar esta noite para trás.
Ele pega minha mão antes que eu possa ir embora, pressionando um cartão na minha palma.
— Fica com isto. Se você se sentir mal ou tiver algum problema, liga para esse número.
O cartão só tem um número de telefone.
— Como eu devo te chamar?
— Pode me chamar de Nick.
— Tá, Nick. Até nunca.
Ele franze a testa, aparentemente surpreso com a minha pressa de ir embora. Mas não me impede quando eu me afasto.
Só quando estou a vários metros do carro é que percebo onde estamos — o infame Clube Purgatory, o estabelecimento exclusivo, só para membros, pertencente à família criminosa Salvatore, cuja clientela é uma mistura de magnatas do mundo dos negócios e figurões da política. Só de pensar nessa família eu volto à realidade dura da minha própria situação: os Salvatores são justamente a família com a qual eu devo me casar.
E aquele homem, Nick, deve ser membro desse clube. Não é à toa que ele tinha roupas de mulher escondidas no carro — provavelmente sempre preparado para situações como esta. E a pressa dele em enfiar dinheiro em mim, em me tirar da vida dele, faz sentido agora. Ele deve estar apavorado com a possibilidade de manchar a própria reputação e os negócios.
Eu me apresso, com medo de ser vista. A última coisa de que eu preciso é que meu futuro marido me encontre desgrenhada do lado de fora do clube dele depois de dormir com um desconhecido.
Quando finalmente chego em casa, meu pai está esperando na porta, o rosto carregado como uma nuvem de tempestade.
— Cherry Miller! Você sabe que horas são? — ele exige. — Você está prestes a se casar e fica por aí vagando a noite inteira. Cadê as suas roupas originais?
Eu aceito a bronca em silêncio. Mamãe e eu somos hóspedes nesta casa; enfrentá-lo só resultaria em punição para nós duas.
— Os Salvatores mandaram representantes para a cidade — ele continua. — O próprio Nicholas, o chefe atual. É assim que eles estão levando este casamento a sério. Vamos nos encontrar com ele amanhã para discutir o seu noivado.
