Capítulo 7

Ponto de vista de Katherine

A manhã chegou rápido demais. Vesti um suéter branco, leggings pretas, meias e botas de trilha. Peguei minha garrafa d’água e saí de mansinho de casa, caminhando por ruas em decadência até a entrada da floresta ali perto.

A reserva florestal da região de Portland me recebeu com seu cheiro terroso familiar. Hoje escolhi um caminho diferente, determinada a me familiarizar com o terreno — um conhecimento crucial para a minha missão. Eu já tinha mapeado várias trilhas conforme me adaptava à geografia de Portland. Se uma evacuação de emergência se tornasse necessária, eu precisava saber como fugir em segurança, possivelmente levando os trigêmeos comigo.

Lá no fundo da mata, detectei movimento — galhos estalando sob pesos pesados. Parei, vasculhando com o olhar na direção do som, mas não vi nada. Se membros da Alcateia do Norte estivessem patrulhando, eu teria sentido a presença deles independentemente de quão densa fosse a floresta. Continuei a caminhada e voltei para casa, encontrando Mary acordada na cozinha. Passei por ela sem dizer uma palavra, peguei roupas e fui direto para o banheiro.

Depois de tomar banho e me vestir para a escola, conferi se tinha tudo de que precisava. Desci as escadas, ignorando Mary na cozinha, e saí pela porta da frente. Olhando para o relógio, calculei mentalmente meu cronograma semanal de injeções de acônito, garantindo que minha herança de lobisomem permanecesse escondida no ambiente escolar.

No caminho para a escola, parei numa cafeteria local. A cafeína era necessária depois da minha noite conturbada. Ao chegar, encontrei Jasmine esperando perto da entrada principal.

— Oi — eu disse.

— Ei, cansada? — Jasmine perguntou, olhando meu café enorme.

— Sim, noite difícil — respondi de forma vaga, sem querer compartilhar os problemas de casa.

— Entendi. Animada para hoje? — Jasmine perguntou.

— Por quê? O que vai acontecer?

— A Bella tá surtada. Ela odeia que você tenha peitado ela ontem. — Eu apenas revirei os olhos.

— Vadias assim nunca sabem a hora de parar — suspirei.

Entrando na escola com Jasmine, notei as pessoas encarando.

— Que porra tá acontecendo? — perguntei.

— Você sabe que a Bella não consegue ficar de boca fechada.

— Então ela tem falado de mim pra escola inteira.

Jasmine olhou em volta, balançando a cabeça. — Acho que ela tem ameaçado ir atrás de você.

Caspian se aproximou de nós. Jasmine cumprimentou ele primeiro, já que eu não deveria conhecê-lo. Na superfície, para Jasmine, ela conhecia esse estudante “comum” do ensino médio melhor do que eu.

Espero que você esteja pronta para hoje, Caspian me disse pela ligação mental.

Do que você tá falando?

Ela tá planejando te derrubar na aula de educação física e fazer parecer um acidente. Assenti, mantendo a expressão neutra.

Jasmine parecia cada vez mais preocupada enquanto eu, calma, pegava os livros no meu armário.

O que você vai fazer? Caspian perguntou por telepatia, inaudível para Jasmine.

Essa puta não vai me derrubar, respondi. Ele esboçou um leve sorriso.

Tanto Caspian quanto Jasmine viraram para olhar pelo corredor. Segui o olhar dos dois e vi os trigêmeos se aproximando. Eles passaram, como eu esperava, mas cada um — Samuel, Edward e Lucius — me observou atentamente enquanto caminhava. Minha pele formigou em resposta ao olhar deles, o vínculo de companheiros vibrando logo abaixo da superfície, apesar dos meus esforços para suprimi-lo.

Peguei o olhar estranho de Caspian e entendi que o dia traria problemas. Suspirei e continuei pelo corredor com Jasmine e Caspian.

O dia avançou com os trigêmeos garantindo que se sentassem ao meu redor em todas as aulas e na mesa ao lado durante o almoço. A presença deles deixou todo mundo na nossa mesa nervoso, mas eu tentei ignorá-los, sem vontade de revelar minha verdadeira identidade como a companheira destinada deles.

Depois do almoço, eu sabia o que me esperava. Jasmine e eu fomos para o vestiário, nos trocamos e seguimos para a quadra.

Jogamos vôlei de novo, mas dessa vez eu estava no primeiro grupo, e Bella se voluntariou para jogar também. Caspian ficou sentado na arquibancada, esperando a segunda rodada.

Percebi que os trigêmeos estavam no meu time hoje, enquanto Bella ficou do outro lado da rede, com um sorriso maldoso.

— Hoje eu não vou pegar leve, sua vadia — disse Bella. Eu devolvi com um sorriso de desdém.

— É isso que eu espero — respondi, controlando em silêncio o poder do FOGO que pulsava dentro de mim.

Assim que o jogo começou, Bella mirou todas as bolas em mim até que o treinador finalmente mandou eu me afastar da rede.

Mesmo depois que recuei, Bella continuou insistindo, me escolhendo como alvo a cada posse. Os trigêmeos se posicionaram de forma protetora à minha frente — Samuel atento, Edward quase ansioso por briga, e Lucius preocupado.

Caspian estava por perto, observando Bella com concentração. “Ela vai mirar na garota do seu lado pra bola quicar e acertar você”, ele avisou por telepatia.

E, de fato, quando a pancada de Bella acertou a garota ao meu lado, eu me inclinei para trás, e a bola só roçou meu rosto. Ajudei a garota ferida a se levantar; ela precisava ser substituída. O treinador, porém, não repreendeu Bella.

“Por que o treinador ainda não tirou a Bella do jogo?”, perguntei mentalmente a Caspian.

“Ele está com medo demais. Ela é filha do Beta Noah”, Caspian respondeu.

Quando o jogo terminou, uma Bella furiosa passou por baixo da rede e veio direto na minha direção, os punhos cerrados ao lado do corpo.

— Bella — chamou Samuel, a voz carregada de comando Alfa. Ela o ignorou e avançou em mim. No instante em que estendeu a mão para me agarrar, eu saí de lado e a empurrei no chão.

Todo mundo congelou. Eu fiquei de pé sobre Bella, com um sorriso de desprezo. Sem se deixar abalar, ela varreu minhas pernas e eu caí com força no piso. Dessa vez, quando tentei me levantar, Bella foi mais rápida. Os olhos dela brilharam em dourado, sinal de que a loba estava perto da superfície. Ela me agarrou pela garganta, me erguendo um pouco.

— Você acha que é especial? — ela sibilou. — Você não é nada.

Eu me debati para quebrar o aperto sem revelar minha verdadeira força, as bordas da minha visão começando a escurecer. No momento em que considerei liberar meus poderes, Samuel apareceu atrás de Bella, a mão dele se fechando no pulso dela com força brutal.

— Solta ela. Agora. — A voz dele era baixa, perigosa, impregnada de poder Alfa.

Edward se colocou ao lado dele, com um sorriso predatório no rosto.

— Péssima ideia, Bella.

Lucius ficou do outro lado dela; os olhos normalmente gentis estavam frios.

— Não torne isso pior pra você.

A pressão na minha garganta sumiu quando Bella me soltou, tropeçando para trás, afastando-se dos trigêmeos. Eu puxei o ar com sofreguidão, a mão indo por reflexo ao meu pescoço.

— Isso não acabou — Bella cuspiu para mim antes de recuar.

Samuel se abaixou e me ofereceu a mão. Hesitei antes de aceitar; um choque elétrico subiu pelo meu braço com o toque dele. Os olhos de Samuel se arregalaram de leve — ele também sentiu.

— Você está bem? — perguntou, com uma voz mais suave do que eu jamais tinha ouvido.

— Estou bem — consegui dizer, puxando minha mão depressa demais. — Eu não preciso ser salva.

— Dá pra ver — disse Edward com um sorriso torto, observando Bella se afastar. — Mas foi divertido de assistir.

— Katherine, vá para o vestiário — o treinador finalmente interveio. — Jasmine, vá com ela.

Jasmine me puxou para longe enquanto todo mundo encarava. Peguei seu olhar de soslaio quando entramos no vestiário.

— Como foi que você quase derrubou uma lobisomem? — Jasmine murmurou para si mesma, mas eu ouvi, percebendo que quase tinha exposto minha identidade de sangue misto.

Ainda mais preocupante era o calor persistente na minha mão onde Samuel tinha me tocado, e a estranha sensação de segurança que eu sentira cercada pelos trigêmeos. Eu estava chegando perto demais, sentindo demais. Isso não fazia parte do plano.

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