Capítulo 8

Fiquei parada em frente à sede da Sterling Global Holdings, apertando a pasta como se ela fosse explodir.

O prédio se erguia do Distrito Financeiro de Boston como um monólito de vidro e aço. Cinquenta andares de poder e dinheiro. O tipo de lugar onde pessoas como eu vinham para entregar coisas e iam embora o mais rápido possível.

É só entrar, deixar a pasta e sair.

Passei pela porta giratória e entrei no saguão.

A mulher atrás da mesa ergueu os olhos. "Posso ajudar?"

"Sou da Garrison Industries", eu disse. "Estou aqui para entregar documentos no escritório do Sr. Sterling."

"Um momento." Ela pegou o telefone.

Esperei, transferindo o peso de um pé para o outro.

Um homem apareceu alguns minutos depois.

Eu o reconheci. Ele estava no baile de gala. Ao lado de Adam.

"Srta. Bennett?" A voz dele era educada, mas seca. "Sou James Cooper, assistente executivo do Sr. Sterling. O Sr. Sterling está em uma reunião, mas vou levá-la até o escritório dele. A senhorita pode esperar lá."

Esperar?

"Posso apenas deixar isso com você?" perguntei. "Eu realmente preciso voltar."

James balançou a cabeça. "Receio que a senhorita precise entregá-los diretamente ao Sr. Sterling. Por aqui, por favor."

Segui James até os elevadores.

As portas se abriram no último andar.

James me guiou por um corredor ladeado por arte moderna e janelas do chão ao teto. No fim do corredor, havia uma porta imensa.

Ele a abriu. "Escritório do Sr. Sterling. Ele deve terminar a reunião em breve."

Eu entrei.

James fechou a porta atrás de mim.

Sentei-me na beirada do sofá, coloquei a pasta na mesa de centro e cruzei as mãos no colo como uma colegial esperando do lado de fora da diretoria.

É só esperar. Ele vai entrar, você vai entregar a pasta a ele e vai embora.

Fácil.

Dez minutos se passaram.

Depois vinte.

Olhei meu celular. Nenhuma mensagem de Julian. Nenhuma chamada perdida.

Onde diabos ele está?

Levantei-me e fui até a janela. O porto se estendia lá embaixo, pontilhado de veleiros, o sol de verão brilhando na água. Daqui de cima, tudo parecia limpo e organizado.

Lá embaixo, a vida era feita de trens perdidos, contas atrasadas e buscas impossíveis na creche.

Ouvi a porta se abrir atrás de mim.

Eu me virei.

Adam entrou.

Terno sob medida. Maxilar marcado. Olhos verde-acinzentados que poderiam cortar aço.

Ele fechou a porta. O clique ecoou no silêncio.

"Sr. Sterling", eu disse, mantendo a voz firme. "Estou aqui para entregar a proposta revisada da Garrison Industries."

Os olhos de Adam se voltaram para a pasta na mesa de centro. Depois, de volta para mim.

Ele não disse nada.

Ele apenas andou na minha direção. Lentamente.

Recuei instintivamente, mas a janela estava logo atrás de mim. Não havia para onde ir.

Ele parou a poucos passos de distância.

"Pode deixar na minha mesa", ele disse.

A voz dele era fria. Distante.

Assenti e fui até a mesa. Coloquei a pasta com cuidado, como se ela pudesse se estilhaçar.

"Isso é tudo?" perguntei.

"Não."

Eu congelei.

Adam cruzou os braços. "Explique a proposta para mim."

"Eu... o quê?"

"Explique", ele repetiu. "Mostre-me os detalhes."

Fiquei olhando para ele. "Com todo o respeito, Sr. Sterling, tenho certeza de que o senhor é mais do que capaz de lê-la sozinho."

Seus olhos se estreitaram. "Essa é a sua opinião profissional, Srta. Bennett?"

Meu maxilar travou. "Sou apenas uma assistente. Não fui eu quem trabalhou na proposta. Se você tem dúvidas, posso providenciar para que alguém da equipe venha e—"

"Não", ele interrompeu. "Eu quero que você explique."

Que diabos é o problema dele?

Peguei a pasta e a abri. Minhas mãos tremiam um pouco, mas eu as forcei a ficarem firmes.

"Esta é a proposta revisada para o projeto do Sterling Horizon Tech Park em Austin", comecei. "A Garrison Industries propõe fornecer componentes de radar a laser e empacotamento de chips para a cadeia de suprimentos de veículos autônomos."

Virei para a página seguinte. "O cronograma projetado é—"

"Continue lendo", Adam disse.

Olhei para cima. Ele agora estava sentado em sua cadeira, recostado. Seus dedos batucavam no apoio de braço.

Ele nem está ouvindo.

Continuei lendo. Página após página. Minha voz soava plana e monótona.

"O detalhamento dos custos está descrito na Seção Quatro. A Garrison Industries estima um investimento total de—"

"Pare."

Olhei para cima.

Adam estava olhando fixamente para mim. Seu maxilar estava travado. Sua mão agarrava o apoio de braço.

"Saia", ele disse.

"O quê?"

"Saia. Agora."

Peguei minha bolsa e andei em direção à porta o mais rápido que pude sem correr.

Minha mão estava na maçaneta quando ele falou de novo.

"Maya."

Virei-me devagar.

Ele estava de pé agora. Bem atrás de mim. Perto o suficiente para que eu pudesse sentir o cheiro do seu perfume.

"Julian Garrison", ele disse. Sua voz era baixa. Perigosa. "Ele é o cara rico que você estava procurando?"

Meu coração parou.

"O quê?"

"Não se faça de desentendida", Adam disse. "Você disse que queria alguém com dinheiro. Alguém que pudesse te dar a vida que você merecia. Julian é esse cara?"

Senti como se tivesse levado um tapa.

"Você não sabe do que está falando", eu disse.

"Não sei?" Ele se inclinou para mais perto. "Julian é rico. Ele tem contatos. Está desesperado para provar seu valor para a família. Alvo perfeito, certo?"

Meu peito apertou. "Você está passando dos limites."

"Estou?" Seus lábios se curvaram em um sorriso frio. "Deixe-me poupar seu tempo. Julian é um bastardo. Literalmente. Ele pode ter dinheiro, mas nunca vai se casar com você. Ele vai se casar com alguém que possa ajudá-lo a garantir seu lugar na família. Alguém que se encaixe. Alguém que não seja—" Ele fez uma pausa. "—você."

As palavras me atingiram como um soco no estômago.

Eu nunca soube que Adam poderia ser tão cruel. Na época de Cleveland, tudo o que eu ouvia dele eram palavras doces. Eu nunca soube que sua boca poderia cortar desse jeito.

Dei um passo para trás. "Por que você está me dizendo tudo isso?"

Eu nem queria me casar com Julian. Nunca tinha pensado nisso. Mas ouvir Adam dizer essas coisas... doeu. Doeu pra caralho.

"Você está dando voltas só para me avisar para não correr atrás de você, não é?" Minha voz estava firme agora. Fria. "Não se preocupe, Adam. Eu não vou. Eu não ousaria. Eu não consigo chegar tão alto de qualquer maneira." Engoli em seco. "Exatamente como você disse: cinco anos atrás foi apenas um pequeno episódio. Acabou. Ficou no passado."

O maxilar de Adam travou. Seus olhos escureceram.

"Ótimo", ele disse. "É melhor assim."

Virei-me para a porta.

"Mais alguma coisa, Sr. Sterling?" perguntei sem olhar para trás.

Silêncio.

"Não."

Eu saí.

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