Capítulo 5
Evelyn entrou cambaleando na mansão dos Knight, uma visão de puro desastre. Seus cabelos estavam emaranhados, o rosto inchado e manchado de vermelho, o canto dos lábios sangrava levemente e hematomas começavam a surgir em sua pele.
O vestido de noiva branco, que custara uma fortuna, estava agora coberto de terra e poeira, com o tecido rasgado no ombro — pendurado por um fio.
Ao vê-la naquele estado, os membros das famílias Knight e Andrews presentes não precisaram de explicações. A imagem dizia tudo.
"Evelyn, desaparecer no meio do seu próprio casamento? O que você pensa que isso é, uma brincadeira?" O homem sentado na poltrona central explodiu, sem sequer perguntar se ela estava bem.
Era George Knight, seu pai. Seu rosto estava distorcido pela fúria.
Ao seu lado estava Margaret Reed, a madrasta de Evelyn, e logo atrás, Emily Knight, sua meia-irmã. Do outro lado da sala, Nathaniel e seus pais completavam o círculo de julgamento.
Todos os olhos na sala a fitavam com uma raiva contida e gelada. A decepção e a acusação eram quase palpáveis.
Nathaniel nem se moveu quando ela entrou — limitou-se a lançar um olhar indolente em sua direção. Mas após a explosão de George, ele se levantou com lentidão calculada e se aproximou.
"Evelyn, onde esteve? Por que… por que está assim?" perguntou ele, as sobrancelhas franzidas numa máscara de preocupação. Estendeu a mão, como se buscasse confortá-la.
Evelyn deu um passo para trás, vacilante, antes que seus dedos pudessem tocá-la.
Lágrimas fizeram seus cílios grudarem. Sua voz saiu rouca e quebrada, como a de alguém que chorara até não poder mais: "Não me toque. Estou exausta. Só quero descansar."
Bastava ouvir sua voz cansada e ver seus olhos vermelhos e inchados para saber que as lágrimas haviam sido reais. O vestido desgrenhado só intensificava a imagem de vulnerabilidade — e as expressões na sala tornaram-se ainda mais gélidas.
Nathaniel parou, a mão pairando no ar de forma incômoda. A irritação era clara em seus traços, mas, por um breve instante, quando seus olhos encontraram os dela, algo mais cintilou em seu olhar — algo rápido e calculista.
Evelyn percebeu. Ela sempre percebia essas coisas agora.
A memória veio com força avassaladora — na vida anterior, pouco antes da cerimônia, alguém a drogara e sequestrara. Acordara jogada diante do portão da mansão, despedaçada.
O portão estava cercado pela mídia. Capturaram cada grama de sua humilhação, transmitindo tudo ao vivo.
Na época, ela estivera em desespero total… até Nathaniel aparecer.
Ele pegara sua mão, doce como sempre, declarara que ainda a amava, ignorara os insultos de sua mãe, Grace Bennett, e assegurara que o casamento prosseguiria.
Depois daquele dia, ele se tornara o queridinho da alta sociedade de Lichester e a tratara com ainda mais deferência.
Se ela não tivesse sido estrangulada pelas próprias mãos dele… Se não tivesse ouvido sua confissão de que tudo fora planejado desde o início… talvez ainda acreditasse na fachada de cavalheiro perfeito.
Apergando os dentes, Evelyn conteve o impulso violento de arrancar ali mesmo a máscara dele. Com um olhar frio e distante, virou-se em direção às escadas.
"Evelyn," Nathaniel tentou alcançá-la novamente, querendo impedi-la.
"Não me toque!" ela exclamou, afastando seu braço com força.
Nathaniel não esperava a reação. Tropeçou, bateu nas costas do sofá e soltou um gemido abafado de dor.
Observando-a se afastar, sua expressão fechou-se completamente.
George não conseguiu mais se conter. Levantou-se de um salto, agarrou a xícara de chá mais próxima da mesa de centro e arremessou-a com toda a força aos pés de Evelyn.
"Fique onde está! Que tipo de atitude é essa?!"
A porcelana fina estilhaçou-se no chão de mármore, a poucos centímetros de seus pés descalços.
