Capítulo 9

Ele se referia, claramente, à proposta de Evelyn de se tornar a Sra. Everett. Para ser honesto, nem um dia inteiro havia se passado, e aquela mulher já conseguira fisgar seu interesse de um modo inesperado.

Evelyn virou levemente a cabeça, baixando a voz até que fosse apenas para ele: "Julian, é melhor ter certeza do que está dizendo. Eu sou do tipo que leva tudo ao pé da letra — uma vez que se envolve comigo, não há volta."

Ela devolvia suas próprias palavras ditas pela manhã. Julian riu baixinho, a voz um murmúrio suave e provocante. "Tudo bem. Gosto de desafios. Seja o que for, dou conta."

Evelyn sustentou seu olhar, e por um segundo, seu coração acelerou sob a intensidade dele. Do ponto de vista de George e Amelia, a intimidade descontraída entre os dois parecia flagrantemente sugestiva.

Atrás deles, Emily resmungou, baixinho o suficiente para ser ouvida: "Sem-vergonha."

O rosto de George escureceu como uma nuvem de tempestade. A fúria ao ver o que considerava um comportamento indecente fez sua pressão subir visivelmente.

Evelyn percebeu a mudança no ambiente. Colocou o colar na palma da mão de Julian e disse, casualmente: "Toma — nosso símbolo. Guarde-o bem. Assim que resolver minhas pendências com os Andrews, venho buscá-lo."

"Combinado. Estarei esperando," Julian respondeu, deslizando o pingente com cuidado no bolsinho interno do paletó, sobre o peito.

Os olhos de Evelyn tremularam levemente ante aquele gesto simples, mas significativo, antes que ela se recompusesse.

Quando Julian partiu, Evelyn nem sequer lançou um olhar na direção de George ou Amelia. Ajustou o casaco emprestado sobre os ombros e subiu as escadas direto, com passos firmes.

"Esta garota está completamente fora de controle! Olhe só para essa atitude! Estraguei-a demais, é isso… É revoltante…"

A voz raivosa de George ecoava atrás dela, mas Evelyn ignorou completamente, focando apenas no aroma suave de sândalo e algo fresco que ainda envolvia o casaco — um conforto inesperado que aquecia seu peito.

Evelyn chegou ao segundo andar e dirigiu-se ao seu quarto. Mas no instante em que abriu a porta, sua expressão congelou.

Girando nos calcanhares, desceu as escadas com passos decisivos, a voz cortante como lâmina: "Dona Lee. Quem autorizou alguém a mexer no meu quarto?"

Ao se lembrar da decoração exageradamente rosa e do perfume enjoativo que invadira o espaço, seu rosto escurecia a cada segundo.

Pegando a cozinheira de surpresa, escondida nos aposentos da criadagem, Dona Lee veio correndo, com um olhar culpado que pousou instantaneamente em Emily. "Foi… foi a menina Emily, senhorita."

Evelyn lançou um olhar fulminante à meia-irmã. "Ainda moro aqui, e já há alguém tão ansiosa para assumir o meu lugar?"

"Eu… eu não fiz por mal, Evelyn. O pai disse que você logo se casaria e se mudaria, então o quarto ficaria vazio… E o meu é tão escuro… Me desculpe," Emily disse, fazendo-se de frágil e inocente, como um coelho assustado.

Evelyn soltou uma risada seca e virou-se para George, cuja fúria ainda não arrefecera. "Foi você quem ordenou que me expulsassem do meu próprio quarto?"

"Lugar de mulher casada é na casa do marido. É apenas um quarto, e você já está casada. Que a Emily fique com ele. O quarto de hóspedes serve perfeitamente para você," disse George, franzindo a testa, como se estivesse anunciando um fato óbvio. Ele falava como se o casamento a tivesse automaticamente expulsado da família Knight — como se ela já não merecesse um espaço seu.

Evelyn soltou uma risada amarga, os olhos flamejantes. "E quem essa intrusa pensa que é para tomar o que é meu? Dona Lee. Agora mesmo — restaure meu quarto ao estado exato em que estava."

"S-sim, senhorita! Imediatamente!" gaguejou Dona Lee, atordoada.

O rosto de Emily mudou instantaneamente. Ela se virou para Amelia em pânico. Cobiçava o quarto de Evelyn havia tempos — na verdade, cobiçava tudo o que Evelyn possuía. Agora que finalmente o obtivera, como poderia simplesmente desistir?

E ainda por cima, sendo expulsa assim, publicamente? Era a humilhação total.

Os olhos de Amelia estreitaram-se, calculistas. "Evelyn, você deveria estar casada agora, não é? O quarto ficaria vazio de qualquer maneira. O banheiro da Emily está com infiltração, só isso…" Ela forçou um sorriso conciliador. "Nenhuma de nós esperava que você… desistisse do casamento hoje. Olha, por que não fica no quarto de hóspedes hoje? Amanhã mesmo arrumo um para você ao lado, igualzinho ao antigo. Que tal?"

Evelyn lançou-lhe um olhar gélido, a voz como aço. "O que é meu, permanece meu. Ninguém toca sem minha permissão. Está claro?"

Amelia abriu a boca para replicar, mas Evelyn já havia se virado, subindo as escadas com Dona Lee e os criados apressados seguindo-a.

Emily correu atrás, apenas para assistir, impotente, enquanto Evelyn dava ordens precisas e os empregados removiam tudo o que ela levara para o quarto — roupas, objetos, até suas roupas íntimas.

Emily perdeu a compostura. Avançou, pronta para uma discussão, mas congelou diante do olhar que Evelyn lhe dirigiu — tão frio que fez seu sangue parar.

No fim, com os olhos vermelhos e o nariz fungando, Emily se enfiou nos braços de George, chorando com drama exagerado.

George, enfurecido, já se preparava para intervir quando foi contido pelo olhar severo do Sr. Sullivan, o mordomo, que surgira para averiguar o alvoroço.

O Sr. Sullivan servira a falecida Clara e agora respondia apenas a Evelyn. Aquele olhar de advertência silenciosa fez George hesitar.

Os Hayes — a família materna de Evelyn — não eram pessoas que ele podia se dar ao luxo de irritar.

Rangendo os dentes, George só pôde observar enquanto Evelyn refazia sua autoridade.

Do outro lado do corredor, Evelyn lançou-lhe um último sorriso frio antes de se dirigir à varanda.

Ali, sozinha, pegou seu telefone, discou um número memorizado e sussurrou, sua voz carregada de determinação absoluta: "Pode começar. Execute o plano."

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