Capítulo 5: Perigos ocultos

Layla

Deixo meus dedos acariciarem minha adaga para acalmar meus nervos, mas a sensação de uma ameaça iminente persiste. Alden se aproxima de mim. “Relaxa,” ele murmura, sua voz baixa, só para mim. Sua mão roça a minha, um toque fugaz que envia um choque pelas minhas veias. “Você está segura aqui. Comigo.”

Eu aceno com a cabeça, forçando um sorriso que não chega aos meus olhos. “Eu sei.” Ele é meu protetor, mas quando tive essa sensação antes, um dragão estava por perto. Sim, podemos passar despercebidos como antes, mas talvez não. Não posso arriscar que algo aconteça com Alden por minha causa. Aprendi a me importar com ele tanto quanto posso, apesar de ele não ser um dragão. Se ele fosse um dragão, eu pediria para ele ser meu Escolhido.

Meu Escolhido, algo que nunca terei. Deveria desistir completamente dessa ideia. Quando o diamante negro se fundiu com meu coração e alma, perdi qualquer chance de normalidade. Nunca terei um parceiro Escolhido, nunca terei descendentes ou um Destinado, e nunca deixarei de estar fugindo. Sinto-me segura com Alden. Se ele diz que posso relaxar, tentarei. Parece que se passaram décadas desde que pude soltar os cabelos e aproveitar o momento.

Mais tarde, quando a banda faz uma pausa e a multidão diminui, Alden sugere que saíamos para tomar um pouco de ar fresco. Eu gostei da música, mas uma pausa na ação seria agradável. Adoro estar aqui no mundo humano, pois o clima é semelhante ao mundo dos dragões. Embora o calor em Dracos fosse muito menos úmido do que aqui. Às vezes, sinto como se estivesse envolta em filme plástico em vez de roupas.

Caminhamos por uma rua mais tranquila, o único som é o estrondo distante de um bonde e o ocasional canto dos grilos. A noite está quente, a umidade grudando na minha pele como uma segunda camada, tornando cada respiração pesada, inebriante. Os cheiros de comida e pecado se misturam em um aroma embriagante. Há algo libertador nisso.

“Você ainda está se segurando,” Alden diz abruptamente, seu tom gentil, mas firme. Seus olhos buscam os meus, e me sinto desnudada sob seu olhar. “Mesmo esta noite. Mesmo comigo.”

Suspiro, passando a mão pelo cabelo. O peso de suas palavras me pressiona, um fardo que não consigo sacudir. “É difícil não fazer isso, Alden. Toda vez que baixo a guarda, algo acontece. Alguém tenta me matar, ou quase me exponho, ou…”

“Ou você se lembra que não é apenas Layla,” ele termina, sua voz suave, quase um sussurro. “Você é a portadora do diamante negro. O alvo. A caçada.”

Paro de andar, virando-me para encará-lo. A luz do poste projeta suas feições em sombra, mas posso ver a preocupação em seus olhos, as linhas de preocupação marcadas em seu rosto. “É exaustivo,” admito, minha voz mal acima de um sussurro. “Fingir ser normal. Fingir ser humana. Não ser um dragão, e não ter a única vida que conheci.”

Ele se aproxima, sua mão roçando a minha novamente, desta vez com propósito. Seu toque é quente, reconfortante. "Você é humana, Layla. E você é um dragão. E você é muito mais do que qualquer um dos dois. Mas você não precisa carregar tudo sozinha."

Desvio o olhar, minha garganta apertada com lágrimas não derramadas. "Eu sei. Mas não é tão simples assim. Se eu relaxar, mesmo que por um momento, alguém pode se machucar. Alguém de quem eu gosto."

"Como eu?" ele pergunta, seu tom leve, mas seus olhos procurando. Seu polegar acaricia o dorso da minha mão, um gesto pequeno e íntimo que me faz arrepiar.

Encaro seu olhar, meu coração batendo forte no peito. "Sim. Como você." É bom, mas vulnerável, deixá-lo saber a profundidade dos meus sentimentos por ele. Mas finalmente está tudo à vista.

Por um longo momento, apenas ficamos ali, o peso das nossas palavras não ditas pairando entre nós como uma nuvem de tempestade. Então, Alden sorri; um sorriso suave e triste que não chega aos olhos. "Você é mais forte do que pensa, Layla. Mais corajosa do que sabe. E você não está sozinha. Nunca se esqueça disso." Antes que eu possa responder, ele me puxa para um abraço, seu abraço quente e familiar. Fecho os olhos, deixando-me afundar no conforto disso, no cheiro de sândalo e fumaça que impregna suas roupas. Por um breve momento, permito-me esquecer o diamante, os dragões, o medo. Por um breve momento, sou apenas Layla. Isso me faz sentir tão bem. Alden consegue me ver de uma maneira diferente, e eu gostaria de me ver pelos olhos dele, mas tenho medo. Tenho medo de quem eu veria.

Desde que o diamante se fundiu comigo, sinto essa escuridão me envolver como um cobertor... um escudo protetor contra o mundo. Não sei se é o diamante fazendo isso para se proteger ou se são meus pais tentando me confortar de qualquer maneira que possam. No entanto, quando nos separamos, o mundo volta com força total. Minha bolha de segurança se despedaça ao ouvir o som distante de passos. Logo, vejo o brilho fraco de um cigarro, o jeito que os olhos de Alden se estreitam, seu corpo tenso como uma mola comprimida. "O que é?" pergunto, minha mão instintivamente indo para minha adaga. Meu coração bate, um tambor de aviso.

"Não tenho certeza," ele diz, sua voz baixa, perigosa. "Mas algo está estranho." Sua incerteza faz os pelos da nuca se arrepiarem. Arrepios cobrem minha pele úmida enquanto a adrenalina começa a correr pelas minhas veias.

Ficamos ali, congelados, enquanto a noite parece prender a respiração. E então, das sombras, uma figura emerge—alta, esguia, com olhos que brilham como brasas no escuro. Nossa noite de fuga se transformou em um pesadelo. Meu sangue gela, cada instinto gritando para eu correr, lutar, sobreviver.

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