Capítulo 2

A testa de Ryan ainda estava franzida, o vinco entre as sobrancelhas sem se desfazer. Ele claramente tinha percebido a farpa no tom dela e estava prestes a insistir.

"Quem—"

Mas a mulher em seus braços se mexeu, soltando um soluço molhado e entrecortado. Ergueu o rosto na direção dele, a voz suave e ferida.

"Ryan… dói…"

Aquela queixa puxou a atenção dele de volta da tela do notebook como se ela tivesse fisgado seu corpo inteiro.

Ryan olhou para os lábios pálidos dela, e qualquer suspeita sem fundamento que tivesse cruzado sua mente um segundo antes foi engolida por uma preocupação mais urgente.

"Eu sei. Já vai acabar. Estou aqui. Você não está sozinha."

Rose observou a cena com os olhos baixos, recusando-se a olhar para ele de novo.

Com um gesto deliberado, empurrou os documentos sobre a mesa para o lado e cobriu tudo.

Também reconhecera a mulher nos braços dele: Samantha Hill, noiva de Ethan, irmão de Ryan.

Ethan estava preso havia mais de cinco meses. Mesmo assim, ali estava ela, grudada em Ryan numa intimidade que nenhuma cunhada teria o direito de reivindicar, coberta de sangue.

Uma cena que faria qualquer pessoa com olhos na cara imaginar coisas.

E Rose, sua esposa de sete anos, só estava descobrindo aquilo agora.

"Patético" ainda era pouco.

Ela endireitou a coluna e, no espaço de uma única respiração, recompôs a expressão. A médica calma e competente voltava ao posto.

Virou-se para a pia, abriu a torneira e deu uma ordem à enfermeira por cima do ombro.

"Leve ela para a sala de procedimentos. Eu cuido."

A enfermeira assentiu e foi empurrar a maca, mas Samantha estendeu a mão de repente e agarrou a grade como se estivesse se queimando. Sua voz subiu uma oitava, tomada pelo alarme.

"Ela não!" Fixou o olhar em Rose, e toda a vulnerabilidade de antes se transformou em pura defensiva. "Não quero que ela toque em mim!"

O ar da sala de exames ficou tenso. Todo mundo congelou.

Ryan, por sua vez, não demonstrou intenção de ceder, embora sua voz continuasse carregada de paciência.

"Samantha, todos os médicos lá fora são homens. Você não pode adiar isso, ainda está sangrando. Confia em mim, tá?"

A mandíbula de Samantha se contraiu, mas ela parou de discutir. Seus dedos ficaram brancos de tanto apertar a grade da maca enquanto a enfermeira a levava para a sala de procedimentos.

Quando a enfermeira a empurrou para dentro e fechou a porta, os olhos de Samantha não deixaram Rose nem por um segundo.

Como se estivesse tentando se proteger de alguma coisa.

Rose ignorou.

Levantou as mãos, entrou, calçou as luvas e se abaixou para examinar o ferimento. Cada movimento era preciso, eficiente — impecavelmente profissional.

As luzes da sala de procedimentos eram duras, aquele branco implacável que expõe cada falha e cada detalhe. Quando o olhar de Rose passou pelo tecido rasgado, ela hesitou.

A enfermeira se inclinou para olhar e soltou um murmúrio sugestivo, os olhos passando pelo rosto de Rose antes de deslizarem, de propósito, para a porta por onde Ryan tinha saído.

"Bom, isso com certeza parece…" Ela deixou a frase no ar, com a sobrancelha erguida, claramente tentando puxar Rose para a fofoca.

Rose não levantou os olhos.

Seus dedos não vacilaram, mas uma onda de náusea subiu pela garganta, amarga e sufocante. Ela precisou cerrar os dentes para conter.

Com os dedos enluvados e estéreis, separou delicadamente as bordas da lesão e avaliou a extensão da laceração.

"Laceração perineal de segundo grau, envolvendo parte da mucosa vaginal posterior. Não há sangramento arterial. Nada grave. Tente ficar calma."

"Pressão?" perguntou, sem se dar ao trabalho de levantar a cabeça.

"Noventa por sessenta. Frequência cardíaca, cento e dois", recitou a enfermeira.

Rose pressionou a gaze sobre o ferimento para conter o sangramento e continuou dando instruções.

"Pegue um acesso venoso, comece com soro fisiológico e prepare lidocaína. Dá para suturar aqui mesmo. Não precisa mandar para o pronto-socorro."

"Não!"

Rose supôs que fosse mais uma crise emocional e ajustou o tom para algo tão profissionalmente tranquilizador quanto possível.

"Senhora, você precisa confiar no julgamento médico."

Mas Samantha segurou seu pulso. Desviou o olhar para o lado, e a voz baixou para algo suave, quase tímido.

"Não é isso… é que… eu estou grávida."

"Grávida?"

A enfermeira quase gritou a palavra.

As mãos de Rose congelaram no ar. Seus dedos se apertaram ao redor da seringa que segurava, fortes o bastante para quase ameaçar o vidro.

Seu olhar desceu até a barriga de Samantha.

Até onde Rose sabia, Ethan estava preso havia cinco meses. E a barriga de Samantha não mostrava sinal algum de uma gestação de quatro ou cinco meses.

O olhar de Rose voltou ao rosto da mulher, onde uma mistura de timidez e provocação parecia aguardar, faminta pela reação dela.

A enfermeira, sem perceber nada, já se perdia nos próprios pensamentos.

"Mas fazer sexo tão no comecinho da gravidez… isso é extremamente arriscado…"

Diante daquelas palavras, a expressão de Samantha ficou ainda mais satisfeita. Os últimos resquícios de modéstia fingida se evaporaram completamente.

Rose não aguentava mais. Pousou os instrumentos e se dirigiu à enfermeira num tom cortante.

"Retire todos os anti-inflamatórios não esteroides da ficha e troque os antibióticos de amplo espectro por um da classe das penicilinas. Eu termino em um minuto."

Depois disso, praticamente fugiu.

Foi até a pia. A água corria alto o bastante para afogar o ritmo frenético da própria respiração.

Sete anos de casamento.

Rose já tinha segurado um teste de gravidez positivo, voado metade do mundo para mostrar a Ryan, e recebido nada além de um "eu não quero filho".

Então se retirou sozinha para outra cidade para criar a filha deles, deixando a menina crescer confusa, sem entender por que o pai não fazia parte de sua vida.

E agora aquilo? O que era aquilo?

Outra criança — vindo ao mundo com todo o peso da expectativa, bem-vinda a uma vida que daria tudo o que sua filha nunca teve.

Por quê?

Ariel esperara cinco anos, e tudo o que recebera era um pai que nunca quis sua existência desde o começo.

E tudo por culpa de Rose — aquela desculpa incompetente de mãe.

Ryan nunca rejeitara a paternidade. Só rejeitara a paternidade com ela.

Seu estômago embrulhou, a garganta se fechou, e ela cerrou os molares com tanta força que a mandíbula chegou a doer.

Foi apenas a memória muscular profissional — anos de treinamento que se recusavam a abandoná-la — que a sustentou pelo restante do procedimento, permitindo que terminasse a sutura e passasse as orientações pós-operatórias à enfermeira antes de abrir a porta.

"Como ela está?"

Ryan já estava ali. Passou por Rose no instante em que a porta se abriu, o olhar indo direto para Samantha, sem sequer roçar nela.

Rose permaneceu parada no lugar. Um fantasma de sorriso — amargo, zombeteiro — contorceu o canto de sua boca.

"Ela precisa descansar. Você pode levar ela para a ala de observação por um tempo e depois para casa. As orientações de cuidados estão na folha. Dá para você mesmo ler."

Ryan murmurou um reconhecimento sem levantar os olhos, abaixou-se e pegou Samantha nos braços, caminhando em direção à ala com ela aninhada contra o peito.

A imagem das costas dele se afastando foi tudo o que deixou para trás.

Atrás de Rose, a enfermeira mais jovem — mal saída do treinamento — já se aproximava da enfermeira sênior. Sua voz saiu baixa, sem fôlego, cheia de espanto incrédulo.

"Meu Deus… eles fizeram aquilo mesmo, né? Rasgou desse jeito…" Ela própria ficou vermelha e estalou a língua, chocada.

A enfermeira mais velha revirou os olhos e deu um tapa no braço dela, resmungando baixinho.

"Fica quieta, menina."

Mas a mais nova ainda não tinha terminado. Virou-se para Rose com a curiosidade descuidada de quem ainda não aprendera onde ficavam os limites.

"Doutora… a senhora é casada há anos. Já… sabe… é tão bom assim mesmo?"

Rose encarou os dois vultos que se afastavam pelo corredor. Sua voz saiu plana, deliberada, sem qualquer preocupação em baixar o volume.

"Eu não saberia dizer. Meu marido tem disfunção erétil há sete anos. Estamos tratando desde então."

O sorriso da jovem enfermeira congelou por completo. Suas orelhas ficaram escarlates quando percebeu o quanto tinha passado do limite.

"Eu… eu sinto muito. Não foi isso que eu quis…" gaguejou, encolhendo-se, a voz se perdendo enquanto mexia nos instrumentos.

Mais adiante no corredor, os passos de Ryan vacilaram.

Ele parou de repente, virou a cabeça, e seu olhar cortou a distância.

A enfermeira jovem ficou pálida. Esqueceu por completo o constrangimento, agarrou o braço de Rose e tentou puxar ela de volta para a sala de exames, balbuciando num sussurro em pânico.

"Ai, não! Ele ouviu, né? Com certeza ouviu. Vamos, vamos entrar!"

Rose não se moveu.

Manteve-se no lugar, deixando a enfermeira puxar inutilmente sua manga. Seus olhos continuaram presos aos de Ryan do outro lado do corredor, sem vacilar.

Nem um lampejo de culpa. Nem um traço de arrependimento.

Presa entre os dois, a enfermeira ficava mais desesperada a cada segundo.

Soltou uma risadinha nervosa e frágil e deu outro puxão no braço de Rose.

"Desculpa! Desculpa mesmo, foi erro nosso!"

Rose se deixou puxar um passo para trás, como se finalmente tivesse decidido permitir que a cena continuasse sozinha.

Mas, antes de se virar, acrescentou, a voz ecoando claramente pelo corredor, alta o bastante para ser ouvida.

"Bom, quem sabe? Talvez meu marido só tenha gastado toda a energia na cama de outras mulheres."

Não esperou para ver as consequências. Virou-se e entrou na sala de exames, deixando a porta se fechar atrás de si e um silêncio mortal no corredor.

Ryan, por sua vez, nem percebeu que tinha apertado os braços ao redor de Samantha até ela estremecer e soltar um pequeno protesto.

"Tá doendo."

Ele piscou, olhou para ela e travou a mandíbula.

Não disse nada. Apenas retomou os passos longos em direção à ala, o rosto esculpido em pedra.

De volta ao consultório, a compostura de Rose finalmente desmoronou.

Ela ficou encostada na porta fechada por um longo momento, o corpo inteiro tremendo sem controle, antes de se obrigar a caminhar até a mesa e afundar na cadeira.

A tela do celular brilhava com uma sequência de mensagens não lidas acumuladas na parte superior. O nome de Caleb se destacava, com mensagens curtas e urgentes:

"O que está acontecendo aí? Ouvi a voz do Ryan… ele descobriu?!"

O olhar de Rose deslizou para a pilha de documentos no canto da mesa. A página de cima trazia o título em negrito "Acordo de Transferência de Ações", e uma linha diagonal riscava o campo da assinatura — impossível de assinar agora.

A caneta estava ao lado, sem tampa, ainda úmida.

Uma risada seca e vazia escapou da garganta de Rose.

Ela nem precisava mais se perguntar se ainda queria lutar por aquela batalha.

A resposta tinha sido entregue, clara como o dia.

Pegou o celular, parou sobre o teclado por uma única respiração e digitou:

"Eu quero o divórcio."

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