Capítulo 5
Três dias depois, na manhã do simpósio, Rose ficou diante do espelho na entrada de casa e tirou as roupas leves e soltas que vinha usando nos últimos dias.
Quando seus dedos roçaram o blazer escuro, bem cortado, pendurado cuidadosamente entre as outras peças, hesitou por um breve instante antes de retirar ele do cabide e vestir.
Na parede próxima, o calendário ainda trazia as marcas dos últimos dias: um traço vermelho depois do outro, cada linha mais pesada que a anterior.
Rose se aproximou, pegou a caneta e traçou mais uma linha firme sobre a data daquele dia, com cuidado e precisão.
Contagem Regressiva para o Divórcio: D-27.
Finalmente, estava um passo mais perto da liberdade.
Com aquele pequeno ritual diário concluído, pegou a bolsa e saiu sem olhar para trás.
Chegou bem antes do horário marcado, mas mal tinha entrado quando uma agitação repentina irrompeu perto da entrada dos fundos.
O burburinho se espalhou pelo salão como uma pedra lançada em água parada, atraindo todos os olhares naquela direção.
Rose ergueu os olhos e seguiu o som.
Samantha fazia sua entrada cercada por uma multidão compacta, que se espremia por todos os lados.
As câmeras pairavam tão perto que quase tocavam seu rosto, deixando pouquíssimo espaço para ela se mover. A cena parecia menos um encontro profissional e mais a chegada de uma celebridade a uma estreia.
"Por favor, pessoal, cuidado. Não empurrem", disse Samantha com um sorriso sereno, que não vacilava nem um pouco. Sua compostura era impecável até no menor detalhe. "Vou reservar um tempo para cada entrevista, uma de cada vez."
Ondas de pessoas passavam apressadas por perto de Rose. No ambiente lotado, as vozes ecoavam claras, carregadas de uma admiração nada sutil.
"A Sra. Hill é extraordinária. Só tem vinte e sete anos e já está fazendo avanços em novos tratamentos para doenças crônicas. É uma das pesquisadoras clínicas mais promissoras do país."
"Ouvi dizer que a agenda de entrevistas dela está lotada até o começo do ano que vem. E ainda é linda. Sua base de fãs era imensa."
"Escuta", alguém baixou a voz, embora não o bastante, com um tom cheio de intriga, "aquele escândalo no hospital, um tempo atrás? A história virou completamente. Estão dizendo que a Sra. Hill teve uma emergência médica repentina, e o Sr. Knight levou ela correndo para o hospital durante a noite e ficou ao lado dela o tempo todo. Agora estão chamando isso de amor verdadeiro."
"O quê? Então foi isso que aconteceu de verdade?"
Uma onda de exclamações abafadas se seguiu, espalhando-se rapidamente pela multidão.
Parada ali, Rose achou toda a cena estranhamente absurda, quase risível na própria ironia.
Enquanto Samantha avançava mais para dentro, a multidão continuava empurrando. Rose levou mais de um esbarrão de quem passava e precisou dar um passo para trás para se equilibrar.
Então, sem aviso, alguém a empurrou com força pelas costas.
Ela cambaleou, quase perdendo o equilíbrio.
Uma mão surgiu naquele exato momento e se fechou com firmeza em torno de seu pulso.
Rose ergueu os olhos e se viu presa ao olhar escuro de Ryan.
O calor da palma dele chegou a pele dela. Por dois segundos breves, ficou paralisada, esquecendo até de se afastar.
"Ryan?" A voz de Samantha soou não muito longe.
Rose virou a cabeça e encontrou os olhos dela. Samantha ofereceu um sorriso discreto, deixando o olhar se demorar em Rose por apenas um instante antes de voltar para Ryan.
"Estou aqui."
No segundo seguinte, Ryan a soltou.
Não lançou um segundo olhar para Rose. Em vez disso, virou-se e atravessou a multidão direto até Samantha, deixando Rose sozinha, parada no mesmo lugar, como se nunca tivesse feito parte daquele momento.
É claro que Rose entendia exatamente o que Samantha estava fazendo.
Era uma declaração, clara e impossível de ignorar, encenada diante de todos os presentes.
Os murmúrios começaram quase na mesma hora, contidos, mas afiados o bastante para que cada palavra chegasse aos seus ouvidos com dolorosa nitidez.
"Você viu? Ele segurou a mão dela, e ela nem se afastou."
"Tsc, provavelmente esbarrou nele de propósito. Será que ela não vê quem está ao lado do Sr. Knight? Tentando se aproveitar da situação, aposto."
"Mulheres assim só querem uma coisa: dinheiro."
Rose permaneceu onde estava, ouvindo os sussurros passarem por ela como um eco insistente.
Então, lentamente, o canto de seus lábios se curvou no indício mais leve de sorriso, tão sutil que beirava a indiferença.
Não disse nada.
Não fazia sentido discutir com pessoas que preferiam uma mentira bonita a uma verdade inconveniente.
Virou-se e começou a andar. Não tinha a menor vontade de ficar ali ouvindo estranhos romantizarem a história de amor entre seu marido e a amante dele.
Tinha dado apenas alguns passos quando um grito agudo cortou o ar.
"Socorro! Alguém ajuda!"
A atenção de Rose se voltou imediatamente para aquela direção.
Uma jovem mãe segurava uma menininha de no máximo cinco ou seis anos.
O rosto da criança estava pálido como papel, o corpo mole, a consciência já escapando.
Reprimindo a onda de emoção que subiu em seu peito, Rose correu até elas e caiu de joelhos ao lado das duas.
Seus dedos mal tinham alcançado a pálpebra da menina quando alguém a empurrou violentamente por trás.
Rose caiu para trás no piso frio de pedra, batendo as costas com força enquanto uma onda aguda de dor atravessava seu corpo.
Ao erguer os olhos, encontrou a expressão contrariada de Samantha.
"Saia da frente. Deixa eu ver!" A voz de Samantha se ergueu, autoritária e urgente.
A urgência aparentemente justa em seu tom convenceu a multidão de imediato.
"Ela tem razão. Deixem a Samantha cuidar disso! Saiam!"
Apoiando uma mão contra a dor latejante na lombar, Rose se forçou a sentar e observou, com frieza, Samantha se ajoelhar ao lado da criança e começar aquilo que claramente pretendia ser primeiros socorros.
Ryan permanecia à margem da multidão. Seu olhar deslizou brevemente até Rose, notando a direção em que ela tinha caído, mas seus pés não se moveram nem um centímetro na direção dela.
Ele tinha visto.
Só não se importava.
Rose se levantou devagar, a dor surda nas costas ainda persistindo.
Seu olhar voltou para Samantha e para a criança.
No segundo seguinte, sua expressão mudou bruscamente.
Os lábios da menina começavam a ficar azulados, mas Samantha continuava pressionando o peito dela, com uma técnica errada em todos os aspectos possíveis: posição errada, força errada, ritmo errado.
Se aquilo continuasse...
A criança estaria em perigo real.
O pensamento ainda mal se formava, e Rose já se movia: o corpo reagindo mais rápido que a razão.
Em duas passadas rápidas, chegou até elas, agarrou o pulso de Samantha e tirou a mão dela de cima da criança.
"Pare!"
"Me solta!" Samantha cambaleou meio passo, pega de surpresa, o rosto ficando vermelho de raiva. "Estou tentando salvar ela. O que você está fazendo?"
A voz de Rose cortou o burburinho, afiada e inflexível.
"Você está matando essa menina!"
