Capítulo 2

Patrick Banks

Quando me sentei no meu escritório, não consegui deixar de me perguntar como chegamos até aqui. Meus olhos correram para o porta-retrato ao lado do computador sobre a mesa.

Os olhos azuis dela brilhavam intensamente na foto. Aquela era uma das características que tinham me cativado na primeira vez em que a vi na tela da televisão.

Eu sabia que precisava dela na minha vida.

A beleza de Valarie ainda tirava meu fôlego, mesmo em uma fotografia. Comecei a relembrar os dias em que ríamos juntos enquanto íamos a diferentes eventos.

Lembrei-me do nosso amor. Lembrei-me da primeira vez em que nos encontramos do lado de fora do dormitório dela. Lembrei-me de quando tudo ainda era perfeito. Não consegui deixar de me perguntar como tudo deu tão errado.

Valerie não parecia infeliz. Achei que eu tinha dado a ela tudo o que queria. Mas acho que eu estava errado. Estava tudo ótimo entre nós, mas ela foi em frente e estragou tudo.

Tudo parecia tão surreal. Eu não teria acreditado se alguém tivesse me dito que Valerie acabaria me traindo.

Mesmo que eu me sentisse inseguro às vezes por causa da profissão dela, ainda confiava na minha esposa. Ela me garantiu que nunca faria nada para me machucar.

Mas então eu percebi que as pessoas mentem.

A pior parte era que ela estava agindo como se não soubesse de nada. Ela queria muito conversar comigo, mas eu simplesmente não conseguia.

Eu não estava pronto para vê-la mentir na minha cara de novo.

Ela já vinha fazendo isso há algum tempo, mas agora eu sabia da verdade.

Valerie estava sentada no saguão havia mais de uma hora. Uma parte de mim se sentia culpada por fazê-la perder tempo. Mas ela merecia isso.

Depois do que fez, eu nem deveria mais me importar com os sentimentos dela. A recepcionista tinha me ligado várias vezes para me lembrar da minha esposa, que estava esperando por mim lá embaixo.

Eu dava a mesma resposta todas as vezes.

— Vou avisar quando estiver livre, para você mandá-la subir.

Eu não queria ver Valerie e esperava que ignorá-la simplesmente a fizesse ir embora. Mas Valerie estava determinada a me ver. Ela não se importava em esperar.

Ela tinha tentado falar comigo várias vezes em casa, mas eu sempre a dispensava. Eu não queria falar com ela, mas ela continuava insistindo.

Eu estava tentando entender toda a situação e precisava de espaço para pensar. Eu mal voltava para casa só para evitá-la.

Enquanto eu estava ali sentado, perdido em pensamentos, meu telefone vibrou sobre a mesa. Olhei para a tela, esperando que fosse a recepcionista de novo.

Mas era uma mensagem de Valerie.

[ Então você me ignorou de propósito e me fez perder tempo no saguão. Precisamos conversar, somos casados. Você não pode me ignorar para sempre.]

Soltei um suspiro pesado ao ler a mensagem.

Sim, eu não podia ignorá-la para sempre, mas não estava pronto para falar com ela. Será que ela tinha se esquecido de que era casada antes de me trair?

Inclinei-me para trás na cadeira, esfregando a têmpora.

Tudo naquela situação era exaustivo. Eu nem queria mais pensar nisso. Eu precisava de uma distração.

Peguei meu telefone e liguei para o meu melhor amigo, pedindo que me encontrasse em um bar. Felizmente, Jordan estava livre e pronto para se encontrar comigo.

Eu ainda tinha mais algumas horas antes de meu expediente terminar, mas não consegui ficar até lá. Pedi à minha assistente que remarcasse tudo o que eu ainda tinha para o resto do dia.

Logo, eu já estava sentado no meu carro.

Foi então que percebi que não tinha respondido à mensagem de Valerie. Digitei uma resposta rápida e a enviei antes de sair do escritório dirigindo.

Depois de um trajeto curto, cheguei ao bar onde pedi que Jordan me encontrasse. Quando entrei, fui até o balcão onde o bartender estava.

Jordan ainda não tinha chegado, então pedi uma bebida enquanto esperava por ele. — Me dá uma dose de tequila, por favor — pedi ao bartender, que respondeu com um aceno.

— Patrick Banks.

Ouvi a voz de Jordan ecoar atrás de mim alguns instantes depois.

— Problemas no paraíso? — perguntou com um sorrisinho, sentando-se no banco vazio ao meu lado.

Um suspiro de alívio escapou dos meus lábios quando vi Jordan. A presença dele era como terapia para mim. Éramos melhores amigos desde pequenos, e ele sempre soube como me animar.

Assenti.

— É, cara, problemas no paraíso.

Jordan deu uma risada.

— Quer falar sobre isso?

Sem hesitar, balancei a cabeça.

— Não. Não quero pensar nisso.

Eu não tinha ido até o bar para falar dos meus problemas. Só queria ficar bêbado e escapar da minha realidade.

Mas eu sabia que Jordan não me deixaria ficar bêbado em público. Da última vez que algo assim aconteceu, foi um desastre completo, e as pessoas na internet não pararam de falar sobre isso por semanas.

Isso inclusive custou a Valerie um dos papéis dela em um filme que estava por vir.

Eu sabia o que precisava fazer para que ela me perdoasse.

— Dá pra gente uma dose da sua bebida mais forte — disse Jordan ao bartender quando ele colocou a dose de tequila na minha frente.

Assenti em concordância.

— Isso, queremos a bebida mais forte.

Minha garganta queimou quando bebi a tequila, mas eu não me importei. Não era nada comparado à dor emocional que eu sentia no coração. Eu só queria anestesiar a dor.

Jordan puxou conversa sobre assuntos aleatórios para tentar aliviar o clima, mas eu ainda não conseguia parar de pensar em Valerie.

— Você sabe que vai ter que falar sobre o que está te incomodando se quiser superar isso, né? — Jordan estreitou os olhos para mim quando pedi outra bebida.

Fiz um gesto displicente com a mão no ar.

— Confia em mim, você não vai querer ouvir sobre isso — respondi com uma risadinha. Sinceramente, eu não queria contar isso a ninguém até estar pronto para falar com Valerie sobre o assunto.

— Tá bom, tudo bem. Acho melhor a gente voltar para a sua casa antes que você comece a agir de forma estranha. — Jordan se levantou do banco e fez sinal para que eu fosse com ele.

— Eu não estou bêbado.

— Eu sei que não está bêbado, mas vai ficar se continuarmos aqui por mais tempo.

Levantei e segui Jordan até o carro dele. Meu motorista buscaria o meu carro depois, porque eu não estava em condições mentais de dirigir.

Enquanto seguíamos pela cidade, meu telefone vibrou com uma mensagem da irmã de Valerie.

[Você já fez isso?]

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo