Capítulo 5 Limite da educação
🎵O que no mundo
Pode te fazer tão azul?
Quando tudo que eu sempre fizer
Farei por você🎵
The Look - Roxette
Quinn
Quinn chega ao prédio da Castelamare Marketing, empresa da família de Annie. Jamais deixaria sua amiga de todas as horas na mão. Para um dia frio, veste uma calça jeans justa, uma blusa branca, uma jaqueta e botas pretas.
A arquitetura da Castelamare Marketing é imponente e contemporânea, quase todo envidraçado. Tons claros contrastam com tons escuros, as pessoas que entram e saem do prédio parecem exalar glamour.
Quinn entra e caminha até a recepção. Logo recebe seu crachá de visitante das mãos da recepcionista. Agradece e sobe para o vigésimo andar, ao encontro de sua amiga.
Na recepção do andar, é recebida por uma secretária de meia-idade que logo a encaminha para sala de Annie, que lhe recebe com um abraço.
— Finalmente voltou de Boston! Estava morrendo de saudades, Quinn.
— Credo, Annie! Foram só cinco dias! — Quinn se sente um pouco sufocada por conta do forte abraço, mas retribui. — Mas também senti saudades!
— Não parece, amiga ingrata! Achei que tinha se esquecido de mim!
— Eu até tentei! — diz Quinn, sorrindo. — Mas você não me deixa te esquecer com suas mensagens.
— Pois é! Só assim para falar contigo. Como foi por lá, Quinn?
— Ah, você sabe como não gosto daquele lugar, Annie. E ainda teve a comemoração dos vinte e cinco anos do hospital em que tive que comparecer. — Quinn revira os olhos. — E por aqui? Quais as novidades, além do seu estresse por causa do irmão ogro?
— Ah! Antes de falar dele, você não vai acreditar! — Annie se empolga. — Comecei a namorar!
— É sério, Annie? Só cuidado, amiga, para não quebrar a cara com mais um cafajeste.
— Vira essa boca para lá, Quinn! — Bate três vezes na mesa de madeira.
— Só não diga que não avisei. — Quinn olha para amiga e sorri. — Annie, namorar para quê, se podemos pegar todos?
— Esse seu lema não funciona comigo — declara franzindo a testa.
— Que pena, amiga, pois comigo funciona maravilhosamente bem.
— Você só diz isso, Quinn, porque nunca se apaixonou e não namorou ninguém.
— Do meu jeito, Annie, ninguém sofre! — diz com convicção.
Annie arqueia as sobrancelhas, ponderando o que a amiga disse. Ela acha que pode ter um pouco de verdade nisso, mas logo descarta.
— Você tem que conhecer ele! — propõe, animada.
— Acho melhor não. No momento, não estou querendo matar ninguém.
— Affh! Credo, Quinn!
— Credo nada! Você sabe muito bem que conheço um cafajeste a quilômetros de distância.
— Ah, claro! Você é uma cafajeste de saia.
— Annie, é mil vezes melhor ser assim do que uma mulherzinha romântica e tola.
Annie fuzila a amiga com o olhar e dispara:
— Um dia, Quinn.... Ouça o que estou dizendo! Você vai se apaixonar e não vai achar nada disso.
— Deus me livre! Não me jogue praga! — Junta as mãos, como se fosse rezar para que isso não aconteça.
Annie passa a mão pelos cabelos, olha para a amiga e as duas riem da situação.
— Agora, vamos lá enfrentar a fera. Finalmente irá conhecer o ogro do meu irmão. — Annie abre a porta. — Garota, te conheço há anos e não acredito que vocês não se conhecem ainda.
— Pois é! Nunca deu certo da gente se encontrar. Quando ele estava aqui eu estava viajando.
— Isso! E quando você estava na nossa casa não o via porque ele estava no trabalho.
— Ah! Não esquece o que combinamos. Não vamos dizer logo que somos amigas para ele não implicar.
— Tá bem! Okay, estressadinha!
As duas seguem para a sala de Lorenzo. Annie bate na porta e entra, deixando Quinn esperando do lado de fora.
— Lorenzo, contratei uma nova fotógrafa. Por favor, pega leve dessa vez! — anuncia, animada.
— Não diga, escolheu certo dessa vez? — Lorenzo retruca, sem levantar os olhos dos papéis que está revisando. — Se ela fizer seu trabalho direito, não teremos problemas.
— Esse seu gênio do cão ainda vai nos ferrar! — reclama.
— Exagerada você, mana.
— É sério, Lorenzo. Demitir um fotógrafo às vésperas de um evento é suicídio.
— Tem muita gente precisando de trabalho nessa cidade, já disse.
— Tá bom! — Annie concorda para não prolongar a discussão. Ela sabe que é muito difícil ganhar da teimosia do irmão. — Mas não confie na sorte e tome cuidado. Vou mandá-la entrar, então.
— Já era para ter mandado, Annie. — fala mal-humorado.
— Já estou indo, rabugento — diz saindo.
Lorenzo levanta os olhos dos papéis e vislumbra a linda morena entrando com sua irmã. Analisa a mulher lentamente dos pés à cabeça, fixando o olhar nos olhos castanhos esverdeados. A fotógrafa não se sente intimidada, fitando-o com a mesma intensidade.
— Lorenzo, essa é a nova fotógrafa, Quinn Montenegro!
Quinn lhe estende a mão, mas Lorenzo não retribui o cumprimento. Surpresa, o fuzila com o olhar e recolhe a mão para o lado do corpo, dizendo:
— O prazer é todo meu e a educação mandou lembranças!
“Que abusada! Será que ela não percebeu que não estou nem aí para o seu cumprimento e tudo que preciso de um funcionário é um trabalho bem feito? ” pensa.
Lorenzo ignora o comentário petulante de Quinn, uma vez que não há mais tempo para encontrar outro fotógrafo tão rápido. Annie, já nervosa, espalha várias fotos sobre a mesa e Lorenzo começa a olhar, uma por uma. Mesmo gostando das fotos, pensa que a fotografazinha não precisa saber disso.
— Estão boas, mas acho que pode melhorar!
— Sério, Lorenzo? — Annie se mostra indignada. — Para mim estão maravilhosas!
— Terminamos por aqui! — diz Lorenzo, fazendo sinal com a mão, dispensando-as.
— Está difícil assim, Lorenzo! — rebate Annie, recolhendo as fotos e saindo da sala com Quinn, que fica indignada.
— Annie, de onde saiu esse ser sem educação e arrogante? — Quinn dispara, já fora da sala.
— Ah! Amiga, me faço a mesma pergunta todos os dias! E olha que saímos da mesma barriga e tivemos a mesma criação. — As duas riem.
Dentro da sala, Lorenzo pensa de onde sua irmã pode ter tirado aquela fotógrafa, que, mesmo falando tão pouco, o incomodou.
