Capítulo 3 O que ele fez?

Aria S W A N – Narrando ♕

Sala de Reuniões da Morgan’s Company, 10:00 am...

Cássio já estava falando a mais de uma hora e confesso que, não ouvi nada do que ele dizia. Minha mente estava em outro lugar.

— Quando ele me deu banho? – Perguntei baixo, me sentindo confusa.

— Do que está falando? – Perguntou Milena, cutucando o meu braço. — Quem te deu banho?

— Nós terminamos? – Perguntei, vendo-a vincar as sobrancelhas.

— Tem algo a perguntar, senhorita Swan? – Perguntou Cássio, com um tom frio.

— Não, senhor, me desculpa. – Falei, tendo os olhares de todos e de forma curiosa sobre mim.

Talvez porque eu nunca fosse do tipo que responde meus superiores.

— Ótimo, então, venha até a minha sala! – Disse ele, com um tom seco, juntando os papéis em cima da mesa, caminhando em seguida até a porta.

Fiquei parada por um instante, tentando assimilar o que estava acontecendo. Eu não estava prestando atenção em nada. – Completamente aérea.

— Aria! – Chamou Alex, cutucando meu braço. —O chefe está te chamando!

Olhei para porta, sentindo o olhar escurecido de Cássio sobre mim e então, me levantei apressada, indo até ele.

Nós nos olhamos por um instante e confesso que, eu não queria ter recebido aquela atenção.

Eu nunca o vi me encarar com tanto desprezo e aquilo fez com que meu coração se apertasse.

— Me segue! - Disse ele em um tom gélido, saindo da sala.

Respirei fundo e o segui.

Assim que entrei na sala dele, levei um susto ao ouvi-lo bater à porta.

E quando me virei para o olhar, Cássio estava tirando o paletó, afrouxando a gravata com aspereza.

Ele se sentou na cadeira e abriu o notebook, digitando algo com precisão.

Fiquei um tempo ainda o observando, até vê-lo levantar o olhar e me encarar com frieza.

—Senhorita Swan, vai ficar aí me olhando ou vai trabalhar? – Ele perguntou, segurando meu olhar por um instante.

Caminhei até ele e me sentei na lateral da mesa, onde havia outro notebook me esperando.

Assim que digitei a senha, meu coração gelou.

Havia uma foto nossa no protetor de tela.

— Cássio...- Chamei com a voz fraca, tendo os olhos dele sobre mim.

— O que foi agora? – Perguntou ele, respirando fundo e com irritação.

Nitidamente ele estava enfrentando algo sério na empresa e não queria falar.

Meus olhos encontraram os dele e eu balancei a cabeça em negação.

— Não é nada. Quer que eu vá buscar um café? – Perguntei, vendo-o se recostar na cadeira.

— Só quero que fique calada e trabalhe, Aria. – Disse ele, voltando a atenção para o notebook em sua frente.

— Certo! – Respondi, me levantando.

Caminhei até a mesa de canto, me servindo com um copo de água. Assi que terminei de beber, me virei e o olhei por mais alguns instantes.

Cássio era muito lindo, mas estava diferente. – Ainda mais atraente.

Ele tinha os braços fortes e as pernas torneadas. A pele dele era clara, os cabelos eram castanhos escuros e o olhar era tão intenso, que me dava calor.

Mas eu nunca havia notado antes que, aqueles olhos eram tão felinos e vorazes.

Me perdi com os meus pensamentos e de repente, ele se virou e nossos olhos se encontraram, causando um choque pelo meu corpo todo.

— Olhou o suficiente? – Perguntou ele, travando o maxilar e se levantando em seguida.

Ele se aproximou lentamente e aquilo fez com que meu coração acelerasse.

— O que tanto pensa que está te deixando desligada?

— Quando deixou de me amar? – Perguntei baixo e sem pensar, o vendo arquear uma sobrancelha. — O que eu fiz para você?

Perguntei, levantando minha mão para tocar seu rosto, vendo-o se desvencilhar do toque, batendo nela para me afastar.

— Não sou obrigado a ficar explicando quando não quero algo! – Disse ele sem me olhar, voltando para o seu lugar.

Ele voltou a digitar, fingindo ignorar completamente a minha existência e aquilo fez com que o meu peito doesse.

Bati no notebook em cima da mesa para o fechar e saí da sala mordendo os lábios, segurando o choro.

Fui até o banheiro e me tranquei lá para ficar sozinha um instante.

— Idiota! – Resmunguei, pegando um pouco de papel para secar meus olhos.

De repente, ouvi uma voz, percebendo não estar sozinha.

—Hm, estamos bem sogra, não se preocupe! O próximo ultrassom será na semana que vem. – Disse a mulher, com uma falsa voz doce.

Abri uma fresta na porta, vendo Ellen encostada na pia, secando as mãos.

Ela sorriu e alisou o ventre, encarando seu reflexo no espelho.

— Diga ao Sogro para não se preocupar. O senhor Morgan está cuidando bem de mim. – Ela falou, antes de desligar o telefone e se retirar.

Naquele instante, tudo girou embaixo dos meus pés.

Eu poderia ter ouvido errado, mas ela foi bem detalhista com o nome.

Senhor Morgan. Ou seja, o meu Cássio.

Saí do banheiro em passos duros, seguindo até a sala dele.

Assim que passei pela porta, a bati o vendo me olhar espantado.

— Isso são modos, senhorita Swan? – Perguntou ele entredentes.

Caminhei até ele enfurecida e ao me aproximar o acertei um tapa no rosto.

— Como ousa falar que me ama todo esse tempo e de repente termina comigo, trazendo sua amante para a empresa? – Perguntei irritada, o olhando com fúria.

Cássio virou o rosto e sorriu, tocando onde eu havia batido.

Ele empurrou a língua na bochecha com ironia e seus olhos foram até a porta.

— Estou atrapalhando? – Perguntou a mulher, com um sorriso vencido.

— Não, a senhora não está. Quer saber de uma coisa... – Falei ameaçando ir até ela e então, senti meu braço ser puxado com rispidez.

— Aria, cale-se! – Disse Cássio, com um tom autoritário, me puxando para ele.

Nós nos olhamos por um instante e então, ele travou o maxilar, me encarando com ódio.

— Se queria a minha atenção, parabéns, você a tem.

— Você está brincando comigo? – Perguntei, sentindo-o apertar meu braço brutamente.

— Precisa de algo, Ellen? – Perguntou Cássio, encarando-a sem paciência.

— Estou indo almoçar, você vem? – Perguntou ela, me olhando em seguida com desdém.

Cassio respirou fundo, mantendo o olhar sobre ela.

— Vá na frente, eu vou em seguida. – Disse ele, me olhando em seguida.

A porta da sala se fechou e então, Cássio me soltou com aspereza.

—O que pensa que está fazendo, Aria? Quer mesmo dar um show?

— Cássio, que merda é essa? Você é o pai daquela criança? Você me traiu esse tempo todo? – Perguntei, alisando o meu braço onde ele havia apertado.

Ele soltou um riso.

— Do que está falando?  – Perguntou ele com um tom sarcástico. —O que temos, Aria?

Antes de responder, senti minhas pernas fraquejarem, me fazendo cambalear.

Ele soltou um riso.

— Que patética. Acha mesmo que esses joguinhos vão me fazer mudar de ideia?

Antes que ele terminasse de falar, senti tudo rodar em minha volta.

—Cássio...por favor, me ajude!

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