Capítulo 4 A coisa certa a se fazer agora
Senhor M O R G A N – Narrando ♔
Assim que vi Aria cair na minha frente, foi como se algo dentro de mim tivesse se partido.
— Cássio, seu merda! – Resmunguei, segurando-a para que não batesse a cabeça no chão.
Aria foi levada ao hospital por Alex, sua melhor amiga.
— Você realmente não vai junto? – Perguntou Thomas, me encarando.
— Vamos no meu carro! – Respondi, vendo Thomas assentir e me seguir.
Alex estava na frente e eu a segui, sem desviar os olhos enquanto dirigia.
— Morgan... – Thomas ameaçou falar, se virando para me olhar.
— Hm? – Respondi comum resmungo, sentindo o olhar do loiro queimar meu perfil.
— Você não ia a propor em casamento? Por que está tão distante? – Perguntou ele, me fazendo o questionar com o olhar a respeito de ele estar falando de forma tão informal.
— Eu deveria? – Perguntei, tocando meus lábios, enquanto desviava meu olhar para a vista do lado de fora. — A partir de agora, Tomás, não fale informalmente comigo.
— Desculpa senhor! – Respondeu ele, desviando o olhar e então, eu o ouvi resmungar. — Sou Thomas e não Tomás.
—E eu sou Senhor Morgan e não Morgan!
E finalmente, o silêncio reinou.
Chegamos no hospital e eu desci do carro apressado, seguindo Alex.
Aria foi levada ao quarto e enquanto Alex foi preencher os papéis, eu fiquei um instante com ela.
Enquanto ela dormia na cama, me aproximei um pouco para a olhar.
Aria dormia calmamente e de forma tranquila. – Ela ainda estava linda, mesmo depois de tudo.
Ela tinha dois olhos grandes e levemente puxados, como os de uma boneca. Uma franja não muito cheia cobria seu rosto e as pequenas sardas castanhas se apagavam ao tom escuro de seus cabelos.
Toquei a franja dela com a ponta do indicador para vê-la com mais precisão e então, escutei a se porta abrir.
— O senhor o que é da paciente? – Perguntou uma enfermeira, me olhando com uma expressão séria.
— Namorado. – Respondi, sentindo aquilo entalar na minha garganta.
A mulher, ao me ouvir, verificou algo no papel e sorriu para mim, se aproximando.
— Senhor Cássio Morgan, certo? Tentamos contato, mas o seu número parece indisponível! – Disse ela, me fazendo lembrar do antigo telefone que eu havia deixado em casa.
— E como ela está? – Perguntei me virando para olhar Aria, vendo-a acordar e me olhar com confusão.
— Ainda não saíram os resultados dos exames. Sugiro que ela continue a descansar e que não passe mais estresse. – Respondeu a enfermeira, se retirando em seguida.
Um silêncio pairou sobre mim e Aria, mas os olhos dela carregavam bastante perguntas.
Não demorou muito até que ela fizesse a primeira:
— E então? Vai me dizer quem é aquela mulher? – Perguntou ela, começando novamente o assunto.
— Sou mesmo obrigado a ficar aqui e ser interrogado? Onde está Alex? – Resmunguei, olhando para a porta.
— Cássio!
— Que saco, Aria! – Respondi, me virando novamente para a olhar. — Me fala, o que você quer. Dinheiro? Uma casa? Um cargo ou quem sabe ações? O que você quer para me deixar em paz?
Perguntei entre dentes, olhando-a com raiva e em questão de segundos, os olhos dela marejaram.
Ela se sentou na cama e ficamos um de frente para o outro, nos olhando diretamente.
— Cássio, eu prometo que não vou mais te atormentar. Apenas me diz onde eu errei. Você foi a primeira pessoa com quem eu me relacionei. Me entreguei para você e pensei que estava tudo bem. Por que me traiu?
— Eu não te traí! – Respondi entre dentes, encarando-a com fúria. —Eu jamais te trairia.
— Então, quem é aquela mulher? Por que ela espera um filho seu? – Disse ela, me fazendo rir.
— Não sou eu o pai daquela criança, Aria! Quer saber de uma coisa? Eu não tenho que te dar satisfação.
Sai de perto dela a dando de costas e quando estava prestes a dar mais um passo, a enfermeira voltou com um médico atrás dela.
— Que bom que encontramos os dois reunidos! – Disse o médico, com um certo humor, intercalando os olhares entre nós.
Vinquei as sobrancelhas mostrando a minha confusão.
—O que quer dizer com isso? -Perguntei, vendo-o se aproximar e tocar meu ombro.
E então a frase saiu da boca do médico “Slowed”
— Pa-ra-béns, vo-cês- es-tão grá-vi-dos!
Em depois disso, um choro lamentoso ecoou pelo quarto.
—NÃO! – Ária gritou entre lágrimas.
Saí daquele quarto no mesmo instante, vendo vermelho.
Se eu não fosse para fora naquele instante, com toda certeza destruiria tudo ali dentro até conseguir me acalmar.
Eu estava além do meu controle.
Minha respiração era pesada e minhas vistas estavam turvas. Eu não fazia ideia de como eu tinha conseguido ir até o estacionamento naquela situação.
De repente, a voz de Thomas me trouxe de volta.
— Senhor Morgan? – Chamou ele me encarando e então, me desviei e chutei uma lixeira que estava próxima, a arremessando para longe.
— DROGA! DROGA CÁSSIO! – Gritei exaltado, tendo alguns olhares sobre mim e em questão de segundos, Thomas se aproximou e me segurou.
—Calma! Não faça isso, ou será capa das notícias amanhã. – Disse ele com coerência, tentando me acalmar.
Missão falhada!
As coisas estavam fora do meu controle. A empresa, meus pais, Ellen e agora isso.
Dei alguns passos para longe de Thomas na tentativa de tomar um ar e quando eu estava colocando as ideias no lugar, meu celular tocou dentro do bolso do terno.
Ao olhar o nome pelo visor da tela, atendi sem esperar tocar mais uma vez.
— Ei e aí? – Perguntei, tentando manter a voz calma.
— As coisas estão fora de controle, você precisa voltar para casa, Morgan! – Disse Ellen, com um timbre de voz aflito.
Naquele momento, levei meus olhos para a porta do hospital e prendi meus olhos, me repreendendo mentalmente pelas coisas não estarem saindo como planejei.
Respirei fundo e entrei dentro do carro, dando um soco no volante antes de dar partida.
—Morgan, você ainda está aí? Não temos muito tempo... – Disse ela, me trazendo de volta.
Respirei fundo, voltando a olhar para o hospital, me praguejando por ter que sair daquela forma.
— Eu já estou indo!
