Capítulo 5 Chegou tarde demais
Aria S W A N – Narrando.
Haviam se passado uma semana, desde o dia em que descobri que estava esperando um filho do Cássio.
O homem que eu amava.
Só não esperava ser abandonada por ele, ao recebermos a notícia.
Me movi na cama e ao ouvir alguém entrar, puxei a coberta para me cobrir.
— Sai Alex, eu estou horrível! – Falei, tendo a coberta puxada com rapidez.
— Anda, se levanta! Você está grávida e não com um câncer terminal. – Disse ela, indo até as janelas para puxar as cortinas.
Ouvi o barulho delas arrastando pelos trilhos na parede e suspirei, a olhando irritada.
— Eu não quero me levantar, hoje é domingo! – Falei a vendo me encarar com os olhos cerrados.
— Você tem mesmo uma desculpa para tudo, não é! – Disse ela, me apontando o dedo. — Anda, vamos caminhar. Você está a semana toda nessa cama, está dando mofo também.
Falou ela, segurando meus tornozelos e me puxando.
— An...da! – Disse ela, entre dentes.
— Tá! Você venceu. – Falei irritada, me levantando.
Fui até o closet e peguei um moletom, indo para o banheiro em seguida.
E então, a voz de Aria saiu abafada, mas com um tom animado.
— Aria, você viu o nosso vizinho? – Perguntou ela, entrando no banheiro em seguida. — Eu não fazia ideia de que morava um cara tão gato ao nosso lado!
— Alex, pega o shampoo para mim! – Pedi, estendendo a mão. Em seguida, recebi o frasco e continuei com o meu banho, mas assim que senti o perfume, senti um forte enjoo, acompanhado por um embrulho.
Com o barulho, Alex correu até mim, mostrando-se preocupada.
— O que foi? Não se sente bem? – Perguntou ela, com o olhar espantado. — Aria esse é o seu preferido, o mais suave que tem.
— Não me sinto bem! – Falei sendo segurada por ela.
Sai do chuveiro, ainda com um pouco de espuma no cabelo e assim que estávamos indo para o quarto, uma fraqueza tomou conta do meu corpo, fazendo com que as minhas pernas amolecessem.
E mais uma vez, fui parar no hospital.
Quando abri meus olhos, vi Alex sentada ao meu lado, segurando minhas mãos.
Assim que ela viu que eu havia despertado, ela me olhou de forma assustada.
— Aria, você acordou! Se sente bem? – Perguntou ela, com preocupação na voz.
— Minha cabeça dói. Como ...? – Perguntei já tendo a resposta de imediato. Alex era ágil demais para entender meu raciocínio.
— Lembra do vizinho gato que eu falei? O nome dele é Luke e ele nos trouxe. – Disse ela, ainda segurando minhas mãos e mantendo os olhos fixos em mim. —Aria, os médicos fizeram mais exames e me parece que você está passando por uma fase tão grande, que sua pressão está subindo constantemente.
— O que isso quer dizer? – Perguntei a olhando de forma confusa.
— Quer dizer que, você precisa estar mais saudável se quiser essa criança. Ou sofrerá uma pré-eclâmpsia na gestação, tornando um fator de riso para você e o bebê. – Disse ela, respirando fundo.
Eu a encarei com preocupação e então, alisei meu ventre.
— Eu não posso perder essa criança. Por mais que eu não esteja com o pai e ele parece ter sofrido algum tipo de lavagem cerebral sobre mim, esse é o fruto do meu amor e não me arrependo. – Falei a vendo sorrir fraco.
—Você realmente não precisa dele. Tem a mim e eu te ajudarei. – Disse ela, me fazendo sorrir. — Claro que um pai é muito necessário, mas existem outros homens bonitos e bem-sucedidos pela cidade e que cairiam de amores por você!
— Obrigada amiga, mas não me convenceu... – Respondi, sorrindo de forma engraçada, a vendo também com um sorriso gentil.
Eu sabia que não era o que ela realmente pensava, mas era o jeito dela de me apoiar.
— Quer saber? Vou colocar seu ex-namorado na justiça e vou pedir uma pensão bem gorda, para vivermos bem nas Maldivas. – Disse ela, com humor, se levantando em seguida.
— Aonde vai? – Perguntei, vincando as sobrancelhas e então, ela pegou um papel sobre a mesa, o balançando.
— Buscar seus remédios e algo para comer. A conta é da madrinha dessa vez! – Disse ela, com humor, me apontando o dedo. — Não ouse sair daqui!
Respirei fundo e me ajustei na cama, olhando para o teto do quarto.
Era completamente entediante, ter que ficar deitada em uma cama de hospital, apenas esperando o tempo passar. – Pensei.
E então, pela primeira vez, decidi ter o meu primeiro contato com aquele bebê.
Cobri meu corpo com o lençol e toquei meu ventre vagarosamente, acariciando minha barriga. Eu já tinha ouvido algumas vezes que, a gravidez era um momento mágico de uma mulher, onde elas podiam sentir o verdadeiro amor.
Algumas vezes, ouvia umas mulheres resmungando também, mas eu preferia focar na emoção de estar carregando o fruto do meu amor dentro de mim.
— Ei, grãozinho de arroz, fica bem aí dentro que nós vamos conseguir vencer isso juntos! – Falei, sentindo uma sensação estranha. Eu parecia uma “louca” conversando sozinha.
E então, respirei fundo puxando o lençol, e ao virar o rosto, percebi que havia alguém na cadeira.
— Falando sozinha? – Perguntou Cássio, sorrindo ironicamente.
— O que você está fazendo aqui?
— Não é óbvio? – Respondeu Cássio, se levantando e vindo até mim. — Você está grávida, eu sou o pai!
Disse ele, me fazendo revirar os olhos.
— Sendo assim, some! – Falei, apontando para a porta e então, Cássio puxou a cadeira para mais perto e se sentou.
Ele suspirou e levantou os olhos até os meus, me olhando fixamente.
— Olha Aria, eu fiz muito mal de te abandonar naquele dia! – Disse ele, tentando se explicar. —Eu fui um merda...
Eu soltei um riso.
— Jura?
— Vamos nos casar! – Disse ele, me fazendo congelar por inteira.
— O quê? – Perguntei, vendo minha voz sair mais assustada do que surpresa. —Não, eu não quero. Eu vou ser mãe sozinha e não preciso de você.
Assim que falei, ele se levantou, andando de um lado para o outro.
Cássio guardou as mãos dentro dos bolsos da calça e me encarou, me olhando com as sobrancelhas arqueadas.
— Tá! Achei mesmo que eu estava novo demais para ser pai. Trinta? Ainda dá para viver mais um pouco. – Disse ele de forma irônica, me dando de costas.
Eu me irritei e gritei.
— É ISSO! Foge, seu covarde! – Falei irritada, vendo-o parar e se virar para me olhar.
— Covarde? Aria, eu vim aqui, para me desculpar, mas você não colabora...
— Vai para o inferno, Morgan! – Falei, vendo-o travar o maxilar.
Cássio me empurrou com o corpo dele contra a cama e segurou meu queixo me obrigando a encará-lo.
— Aria, eu até vou, mas você e essa criança vem comigo!
