Capítulo 3

Nos cinco anos seguintes, eu desempenhei dois papéis completamente diferentes em Nova York.

De dia, eu era a sócia corporativa implacável e a ditadora jurídica do império da família Scott. Usei as ações que Elias me deixou para esmagar os tios gananciosos dele na sala do conselho, garantindo o legado pelo qual ele sangrou.

De noite, eu era a guardiã rígida e sem emoção do irmão mais novo dele, Lucas. Eu abafava os escândalos dele e o obrigava a voltar para a faculdade.

Eu construí uma fortaleza impenetrável ao redor do meu coração, trancando meu luto e minha culpa lá dentro.


Naqueles dias, Lucas tinha transformado o velho armazém empoeirado da propriedade num estúdio improvisado para a exposição final dele.

Todas as noites, eu deixava em silêncio um copo de leite quente e uma refeição rica em proteínas à porta dele. Sem palavras. Sem me demorar. Só uma transação para mantê-lo vivo.

Mas naquela noite, quando passei pelo armazém, ouvi um estrondo ensurdecedor.

Empurrei as pesadas portas de ferro e entrei. O estúdio estava um desastre.

Lucas tinha sido arremessado contra a parede de tijolos, ofegante, com os nós dos dedos em carne viva e sangrando. A peça central dele — uma escultura enorme de mármore na qual trabalhara por meses — tinha rachado bem ao meio. Ele agarrou um martelo pesado de aço, erguendo-o para reduzir a peça arruinada a pó.

— Não — rosnei, avançando e segurando o pulso dele.

Ele me lançou um olhar fulminante, o peito subindo e descendo sob a camiseta encharcada de suor. — Sai daqui. Você não entende porra nenhuma de arte. Está destruída!

Eu não discuti. Apenas soltei o braço dele e me ajoelhei na poeira branca. Nos últimos anos, para evitar que ele fosse expulso, eu tinha assistido como ouvinte a incontáveis aulas de escultura e ajudado a terminar trabalhos.

Mas, mais do que isso, eu passara horas observando-o trabalhar em segredo, principalmente quando ele esculpia, de forma obsessiva, busto após busto de Elias. Eu tinha decorado a física da pedra só de vê-lo tentar trazer o irmão de volta à vida.

— O ponto de tensão está errado — murmurei, seguindo com a ponta dos dedos a fenda irregular na pedra fria. — Você calculou mal o centro de gravidade. Mas, se injetarmos epóxi industrial aqui e reforçarmos o ângulo lateral com pinos de aço, vai aguentar.

Lucas congelou, e o martelo foi escorregando devagar da mão dele.

Nas três horas seguintes, ficamos sentados ombro a ombro no chão sujo. Eu guiei as mãos dele, mostrando como distribuir a pressão. A tempestade rugia lá fora, mas, ali dentro, o único som era a nossa respiração sincronizada.

Quando finalmente limpei a poeira de mármore da testa, às três da manhã, me virei para olhar para ele.

Lucas não estava olhando para a escultura. Estava me encarando.

Os olhos cinzentos dele estavam escuros, ardendo, seguindo a linha do meu maxilar e a sombra dos meus cílios sob a lâmpada fraca.

O ar entre nós, de repente, ficou perigosamente denso. Meu coração deu um solavanco estranho e violento que me apavorou.

Eu me levantei na mesma hora, sacudindo a poeira da minha saia de alfaiataria, recolocando minha máscara de gelo no lugar. — Limpe isso. Não perca o prazo.

Saí sem olhar para trás, me recusando a reconhecer o calor no olhar dele.


Mas eu não conseguia fugir do ontem. 12 de outubro.

O aniversário da morte de Elias.

Cancelei todas as reuniões e passei a tarde inteira sentada ao lado da lápide dele. O vento cortante de outono atravessava meu sobretudo, mas eu não conseguia sentir o frio.

— Eu garanti a fusão dos Scott, Eli — sussurrei, passando um dedo trêmulo pelo nome gravado. — E o Lucas... ele realmente vai terminar a exposição. Ele não desistiu desta vez. Ele está crescendo. Está tão parecido com você agora. Às vezes, isso me assusta.

Minha voz falhou. Eu chorei até os pulmões queimarem. Apertei a mão contra a parte baixa do meu abdômen, bem sobre o rim que ele tinha me dado em segredo. Minha vida foi comprada com a dele. Cada batida do meu coração era tempo roubado.

Quando voltei para a mansão Scott vazia, eu estava tremendo e completamente esvaziada por dentro.

Passei direto pelo meu quarto e fui até a adega. Peguei uma garrafa de Château Margaux 1982 — o favorito de Elias — e nem me dei ao trabalho de pegar uma taça.

O álcool atingiu meu estômago vazio como um trem de carga. Os corredores grandiosos da mansão ficaram borrados, inclinados.

Cambaleei até a sala de estar escura, e a garrafa vazia escorregou dos meus dedos e se espatifou no assoalho de madeira.

— Stella?

Uma voz cortou a escuridão.

Pisquei através da névoa de lágrimas e de uma embriaguez pesada. Uma figura estava sentada no sofá, banhada pelo brilho azul da tela da TV.

Lucas tinha acabado de voltar de sua última exposição. Vestia um terno preto sob medida, a gravata afrouxada no pescoço, um par de óculos com filtro de luz azul apoiado no nariz. Estava segurando um controle de videogame.

Minha respiração falhou.

O terno impecável. Os óculos. Os ombros largos. O perfil exatamente igual.

Elias.

— Você voltou — engasguei, com os joelhos cedendo.

Ele largou o controle e me segurou antes que eu atingisse o chão. As mãos dele eram incrivelmente quentes, firmes e vivas.

— Stella, você está bêbada — ele disse.

— Você finalmente voltou — eu soluçava, enterrando o rosto no pescoço dele. Ele cheirava a madeira de cedro, chuva e algo nitidamente masculino.

Ergui a mão; meus dedos trêmulos se enroscaram no cabelo escuro dele, puxando seu rosto para perto do meu.

Ele enrijeceu com violência.

— Stella, você sabe o que está fazendo?

— Eu senti tanto a sua falta — sussurrei, frenética, contra os lábios dele, meu hálito encharcado de vinho se misturando ao dele. — Eu estou tão cansada.

Ele congelou. Os anos de tensão reprimida e proibida entre nós — o desejo que ele escondera atrás de seus sorrisos de escárnio rebeldes — se romperam brutalmente.

Com um gemido baixo e áspero, a boca dele desabou sobre a minha.

Não foi um beijo gentil. Foi uma tomada faminta, desesperada. A língua dele avançou pelos meus lábios entreabertos, com gosto de menta e de uma fome masculina crua, sem freios, invadindo fundo minha boca e engolindo meus gemidos impotentes.

Ele me ergueu do chão com uma facilidade assustadora, as mãos grandes agarrando minhas coxas nuas, e me carregou escada acima, pela grande escadaria, sem nunca interromper o beijo.

Ele chutou a porta do meu quarto para fechar, me pressionando fundo contra o colchão de seda.

— Stella... — ele rouquejou, a voz carregada de um desejo escuro e ardente.

Ele arrancou meu trench coat, os dedos impacientes rasgando os botões da minha blusa de seda.

O ar frio atingiu minha pele nua por apenas um segundo antes de ser substituído pela boca escaldante dele, deixando beijos molhados, mordidos, descendo pela minha mandíbula, meu pescoço e pelo volume sensível dos meus seios.

Eu gemi baixinho, às cegas puxando a gravata dele, desesperada pelo peso sólido do corpo dele. Minha mente turva, encharcada de álcool, borrava as bordas da realidade. Eu só precisava do calor.

Ele tirou a camisa, prendendo os meus dois pulsos acima da cabeça com uma mão forte. O peito dele era duro, irradiando um calor ardente enquanto acomodava o corpo pesado entre minhas pernas abertas.

— Você está me deixando completamente fodido da cabeça — ele rosnou no meu ouvido, o hálito quente roçando minha pele, enquanto a mão livre deslizava pela parte interna da minha coxa, afastando minha calcinha.

Os dedos dele me encontraram já molhada, tremendo e dolorida. Ele me tocou num ritmo implacável e agonizantemente lento, que fez minha coluna arquear com violência para fora da cama.

Soltei um soluço num gemido sem fôlego, minhas unhas cavando meias-luas nos ombros largos dele.

— Por favor...

Com um som gutural, feral, ele segurou meus quadris e se enterrou fundo dentro de mim num único golpe poderoso. O tamanho e o calor escaldante dele arrancaram um arquejo alto da minha garganta.

— Olha pra mim — ele ordenou, rouco, os quadris investindo contra mim com uma intensidade esmagadora e incansável. — Sente isso, Stella.

O resto da noite foi um borrão caótico de fricção ardente, suor escorregadio e lençóis embolados.

Ele era insaciável, completamente consumido pela própria necessidade desesperada, me virando e me tomando de novo e de novo.

Ele devorava meu corpo como se estivesse tentando marcar a existência dele na minha própria alma. E cada vez que eu gritava, num torpor bêbado encharcado de prazer, ele metia mais fundo, me beijando até eu perder o senso.


O sol da manhã atravessou as cortinas pesadas, cravando-se direto nos meus olhos.

Minha cabeça pulsava com uma ressaca cruel, martelando. Meu corpo doía em lugares que eu não sentia havia cinco anos.

Minha perna nua roçou em um músculo sólido, escaldante.

Um braço pesado e forte estava enrolado possessivamente na minha cintura nua, me prendendo com firmeza ao colchão.

Meu sangue congelou na hora.

As lembranças fragmentadas da noite anterior explodiram na minha cabeça como uma onda gigante. O terno. Os óculos de luz azul. O cheiro de cedro. Os lençóis frenéticos, suados. Os gemidos.

Devagar, dolorosamente, virei a cabeça no travesseiro.

Deitado ao meu lado, respirando fundo no sono, não estava meu noivo morto.

Era Lucas.

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