Capítulo 1 Uma noite de curtição

Dentro do iate, Júlia Almeida ajustou a máscara ornamentada com serpentes que remetiam a Medusa. 

— Não devíamos estar aqui, Fabíola — ela reclamou com a sua melhor amiga. — E se descobrirem que somos penetras?

Júlia tinha sido convidada por sua amiga pra participar de uma festa fantasia de um bilionário. Seria apenas uma noite de curtição se ambas não tivessem entrado ali com a ajuda de um dos tripulantes com quem Fabíola estava saindo.

Dispersa, Júlia olhou para o lado e não notou que sua amiga colocou algo em sua bebida.

— Beba tudo de uma vez — sugeriu Fabíola. — Isso vai te relaxar.

De imediato, Júlia virou o copo. 

— Corre, o segurança está vindo pra cá! — Fabíola avisou de supetão.

Quando se deu conta, a sua melhor amiga já tinha sumido de seu campo de visão. Nervosa, Júlia se esgueirou por entre pessoas que curtiam a música numa pista de dança. 

— Ei, você! — O brutamontes de terno berrou.

Ela tirou o salto alto e correu até entrar no elevador. De repente, a sua visão começou a ficar turva. Tateando a parede, tentou buscar apoio.

"Fabíola sempre me mete em furada", estava perdida em seus pensamentos quando o som da campainha a despertou. Ao sair, ela se deparou com outro segurança que deu a ordem:

— Parada aí! 

Júlia recuou, mas acabou batendo com as costas em outro grandalhão.

— Acho que essa é a ragazza que o chefe mandou levar para o quarto do neto dele, — disse um dos caras. — Pelo visto, ela já está doidona.

— Leva logo essa mulher pra lá antes que o Don Gotti apareça.

“Meu Deus, o que vou fazer?", Júlia se perguntou, enquanto tentava buscar refúgio, mas não conseguia enxergar um palmo à sua frente.

Um deles a agarrou pelo braço e a puxou para a suíte. 

— Espera aqui, o chefe está vindo! — falou o brutamontes antes de bater a porta.

Lá dentro, ela largou os sapatos. Cambaleou pelo ambiente mal iluminado até parar ao lado da enorme cama King size. Estava tão dopada que mal conseguiu reparar no luxo da decoração à volta. 

De repente, a porta se abriu e logo um homem com a voz embargada pela bebida adentrou.

— Pelo menos, você é gostosa — o jovem alto, e bem apessoado, soluçou e ajeitou a máscara preta. — Qual o seu nome?

Por alguns segundos, ela titubeou. Tocou na máscara e sentiu o detalhe das serpentes antes de lhe responder:

— Medusa!

Os olhos de Júlia voaram para cima até ter um vislumbre da máscara toda preta que cobria parcialmente o rosto com o queixo marcado.

— Quem é você?

— Eu sou o Batman — disse ele num tom enrouquecido. 

Apesar de sua mente estar envolta numa névoa, a droga acendeu um impulso inconsequente em suas veias. O medo se misturou à adrenalina quando, movida pelo efeito do entorpecente, ela sussurrou:

— Quer ver a Medusa mais de perto?

O sorriso malicioso do belo homem se expandiu. 

— Safadinha… — ao comentar, ele mordiscou o lábio inferior. — Dessa vez, o meu nonno caprichou no presente de aniversário — a voz dele estava arrastada pelo álcool.

Após tirar o blazer, o homem mascarado jogou na poltrona enquanto a observava.

Júlia prendeu o fôlego quando o cara alto começou a abrir a camisa até o abdômen. Logo, o tecido cedeu, revelando o peito largo que subia e descia devagar.

Ela deu alguns passos para trás, puxou as alças de seu vestido e deixou o pano deslizar até o chão. Ficou ali, parada, encarando a sombra dele enquanto o ar frio do quarto batia direto na sua pele.

O estranho avançou, prendeu a sua cintura entre os dedos rígidos e a ergueu do chão sem esforço antes que as pernas de Júlia dessem qualquer sinal de fraqueza.

A madeira da cama nem rangeria se ele não a tivesse deitado com um impacto bruto, fazendo o ar escapar de seus pulmões. As mãos ásperas dele desceram por seus joelhos e subiram pelas coxas com uma pressão possessiva, forte o suficiente para deixar marcas vermelhas em sua pele.

— O que você quer? — Ele murmurou contra o seu pescoço.

Júlia tentou puxar o ar, mas o peso dominante do corpo dele travou seus movimentos. 

Sem a menor paciência, as mãos ásperas dele puxaram o elástico da sua calcinha vagarosamente, raspando a lateral do seu quadril até ele rasgar o tecido de renda num puxão. Excitada e, ao mesmo tempo, nervosa, Júlia não tinha ideia se o que sentia era pavor, um desejo alucinatório ou apenas a vontade de se vingar de seu ex-marido.

Os lábios dele desceram, travando em sua costela com uma mordiscada leve que fez Júlia arquear as costas e arranhar o lençol. Ela piscou rápido, tentando enxergar o rosto dele no escuro, mas só viu os ombros largos bloqueando a pouca luz da janela.

— Abre mais as pernas, — a voz dele veio grave, colada em sua orelha, enquanto a ponta dos dedos buscava o ponto exato de calor bem no meio das suas coxas.

Júlia soltou um arfar preso, sentindo o atrito do corpo dele contra o seu, pronto para o encaixe perfeito, quando um estalo alto fez o homem misterioso parar exatamente um milímetro antes de começar a penetrá-la.

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