Capítulo 10 10
Natália — Narrando
Se ele gostava tanto de provocar, então eu também sabia jogar.
E, sinceramente, depois de tudo o que tinha acontecido naquela noite, eu já estava começando a me divertir com aquela situação.
TK queria bancar o homem sério, poderoso e impossível de abalar.
Pois muito bem.
Eu podia ser paciente.
Mas também podia ser extremamente provocadora.
Tirei a blusa que estava usando e me acomodei na cama, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
Eu realmente gostava de dormir com roupas confortáveis.
E não tinha intenção alguma de mudar meus hábitos só porque estava dividindo o quarto com ele.
Pelo canto do olho, percebi a reação de TK.
Ele ficou completamente imóvel por alguns segundos.
Eu quase ri.
Quase.
Virei-me de costas e puxei o cobertor, tentando parecer inocente.
Só que eu sabia muito bem o que estava fazendo.
E sabia também que ele estava tentando manter a postura.
O silêncio no quarto ficou estranho.
Pesado.
Eu conseguia perceber a inquietação dele mesmo sem olhar.
Aquilo me divertia.
Se eu teria que passar algum tempo convivendo com aquele homem, pelo menos poderia aproveitar para descobrir até onde ia a paciência dele.
Afinal, ele tinha passado o dia inteiro me provocando.
Agora era minha vez.
Fiquei quieta.
Muito quieta.
Mas por dentro estava quase explodindo de tanto segurar o riso.
Alguns segundos depois, ouvi um suspiro.
Depois outro.
— Está tudo bem? — perguntei, fingindo inocência.
— Está.
A resposta veio rápida demais.
Sorri.
— Tem certeza?
— Tenho.
— Você parece nervoso.
— Não estou nervoso.
— Parece.
Ele bufou.
Tive que morder o lábio para não rir.
Eu estava me divertindo demais.
Então TK simplesmente levantou.
— Onde você vai?
— Banheiro.
— Ah.
Ele caminhou até lá.
Assim que a porta fechou, sentei no meio da cama e comecei a rir baixinho.
— Meu Deus...
Eu não acreditava que tinha conseguido deixá-lo sem saber o que fazer.
E aquilo me deu uma sensação estranha.
Não de poder sobre ele.
Mas de que, finalmente, eu estava mostrando que ele não seria o único capaz de provocar.
Quando a porta do banheiro se abriu, voltei rapidamente a uma expressão séria.
TK apareceu alguns segundos depois.
Olhou para mim.
Depois para o lugar onde eu estava sentada.
E imediatamente percebeu.
— Você está rindo de mim?
— Eu?
— Você.
— Claro que não.
Ele estreitou os olhos.
— Está sim.
— Prove.
Ele soltou uma pequena risada.
— Você é impossível.
— E você gosta.
Ele ficou em silêncio.
Dessa vez, foi ele quem não conseguiu responder.
Aproximou-se da cama.
Meu coração acelerou.
Ele parou diante de mim.
Por alguns segundos, simplesmente nos olhamos.
Não havia mais brincadeira.
Aquele momento tinha mudado.
TK sentou-se ao meu lado.
Sua expressão estava diferente.
Menos arrogante.
Mais cuidadosa.
Ele levantou a mão e tocou meu rosto.
O gesto foi inesperadamente delicado.
Eu não disse nada.
Ele também não.
Apenas passou os dedos suavemente pelo meu cabelo.
Aquele homem parecia ter duas versões completamente diferentes dentro dele.
Uma era o homem autoritário que queria resolver tudo do próprio jeito.
A outra aparecia em momentos como aquele.
Mais silenciosa.
Mais humana.
Mais vulnerável.
— Você está bem? — ele perguntou.
Assenti.
— Estou.
— Tem certeza?
— Tenho.
Ele continuou me olhando.
— Se alguma coisa incomodar, você me fala.
A frase me surpreendeu.
Talvez porque fosse a primeira vez que ele realmente me perguntava o que eu queria.
Sorri.
— Está tudo bem.
Ele se aproximou.
Nossos lábios se encontraram novamente.
Dessa vez, o beijo foi diferente.
Não havia pressa.
Não havia disputa.
Era apenas uma aproximação carregada de tudo aquilo que nenhum dos dois conseguia colocar em palavras.
Eu sabia que aquilo era perigoso.
Sabia que estava indo rápido demais.
Mas também sabia que havia alguma coisa entre nós que não conseguíamos ignorar.
Quando nos afastamos, encostei minha testa na dele.
— Você ainda é muito mandão.
Ele sorriu.
— E você ainda é muito abusada.
— Combinação perfeita.
— Talvez.
Ri.
Ele me abraçou.
E, pela primeira vez desde que o conheci, não senti necessidade de me afastar.
Ficamos assim por alguns minutos.
Conversando baixo.
Rindo de coisas sem importância.
Contando pequenas histórias.
Descobrindo detalhes um do outro.
A tensão continuava ali, mas havia algo além dela.
Havia curiosidade.
Havia carinho.
Havia uma sensação difícil de explicar.
E, naquela noite, deixamos de lado as discussões.
O que aconteceu entre nós ficou apenas entre nós.
Sem promessas.
Sem cobranças.
Sem discursos.
Quando finalmente nos deitamos, eu estava cansada.
Muito cansada.
TK me puxou para perto e fiquei acomodada ao lado dele.
Minha cabeça repousou em seu peito.
Ouvi o coração dele bater.
Forte.
Regular.
Por algum motivo, aquilo me acalmou.
— Nat?
— Hm?
— Você vai continuar me provocando amanhã?
Sorri.
— Provavelmente.
Ele riu.
— Eu sabia.
— Você começou.
— E você terminou.
— Não tenho culpa se você é fácil de provocar.
— Fácil?
Levantei o rosto para olhá-lo.
— Muito.
Ele balançou a cabeça.
— Você ainda vai acabar comigo.
— Talvez.
Fechei os olhos.
E, pela primeira vez desde que tinha voltado para aquela cidade, não pensei no passado.
Não pensei nos motivos que me fizeram partir.
Não pensei nas lembranças que ainda evitava.
Não pensei no trabalho.
Naquela noite, simplesmente deixei que o momento acontecesse.
Na manhã seguinte
Acordei com a sensação de que tinha dormido por apenas alguns minutos.
Abri os olhos lentamente.
A primeira coisa que percebi foi o braço de TK ao redor de mim.
A segunda foi que eu estava completamente confortável.
A terceira foi que eu definitivamente não queria admitir isso para ele.
Fiquei alguns segundos em silêncio.
Então ouvi a voz dele.
— Bom dia.
Fechei os olhos novamente.
— Não fala comigo.
Ele riu.
— Por quê?
— Porque ainda estou tentando entender como vim parar nessa situação.
— Você entrou no meu quarto.
— Você me trouxe para cá.
— Porque você desmaiou.
— Detalhes.
Ele riu novamente.
— Está arrependida?
Abri os olhos.
Olhei para ele.
Por alguns segundos, não respondi.
— Não sei.
— Mentira.
— Você se acha demais.
— Mas você está sorrindo.
Passei a mão pelo rosto.
— Não estou.
— Está sim.
Eu não conseguia segurar.
Acabei sorrindo.
— Talvez.
Ele ficou me olhando.
Aquele olhar estava diferente.
Não era apenas desejo.
Havia alguma coisa mais profunda ali.
E isso me assustou um pouco.
Porque eu começava a perceber que aquela história poderia se tornar muito mais complicada do que eu imaginava.
Levantei-me.
— Preciso ir para casa.
Ele também se sentou.
— Eu te levo.
— Não precisa.
— Natália.
— Eu consigo ir sozinha.
Ele suspirou.
— Você sempre precisa provar que consegue fazer tudo sozinha?
Parei.
A pergunta me pegou desprevenida.
— Não.
— Parece.
— Talvez porque eu precisei aprender.
Ele ficou sério.
Não perguntou mais nada.
Talvez tivesse percebido que havia uma história por trás daquela resposta.
Eu também não estava pronta para contar.
Ainda não.
Peguei minhas coisas.
Antes de sair, olhei para ele.
— TK?
— Oi?
— Não pense que o que aconteceu muda alguma coisa.
— O quê?
— Você continua sem mandar em mim.
Um sorriso apareceu no rosto dele.
— Eu sei.
— E eu não sou sua propriedade.
— Eu sei.
— Então estamos entendidos.
Ele se levantou e caminhou até mim.
Parou bem perto.
— Estamos.
Sorri.
— Ótimo.
Quando saí do quarto, respirei fundo.
Meu coração estava acelerado.
Eu tinha passado uma noite ao lado de um homem que conhecia havia pouquíssimo tempo.
E, contra todas as minhas expectativas, não queria fingir que nada tinha acontecido.
Talvez fosse cedo demais.
Talvez fosse uma loucura.
Talvez eu estivesse cometendo um erro.
Mas uma coisa eu já sabia.
TK tinha conseguido entrar na minha vida.
E eu tinha conseguido entrar na dele.
O problema era descobrir até onde aquela aproximação nos levaria.
Porque, embora nenhum dos dois tivesse coragem de admitir ainda, aquilo já não parecia apenas uma atração passageira.
Alguma coisa estava começando.
E eu tinha a sensação de que, dali em diante, minha vida ficaria muito mais complicada.
Principalmente porque TK não parecia disposto a me deixar escapar tão facilmente.
E, sinceramente?
Eu também não tinha certeza se queria escapar.
