Capítulo 2 Capítulo 2: Vergonha

Ponto de vista de ARIA

Meu corpo estava em chamas. Meus lábios estavam inchados, latejando com a brutalidade do beijo dele. Cada lugar em que ele tinha tocado — minha cintura, minha bunda, minha garganta — ardia como se ele tivesse me marcado a ferro com as mãos. A toalha pendia frouxa ao meu redor, mal cobrindo alguma coisa, e eu ainda sentia o fantasma do aperto dele na minha pele.

O que há de errado comigo?

Apertei as mãos contra as bochechas coradas, tentando me acalmar. Mas a dor entre as minhas pernas só aumentava, pulsando no ritmo do meu coração disparado. Isso não era normal. Eu nunca tinha sentido nada assim antes — essa necessidade desesperada, arranhando por dentro, que me fazia querer correr atrás dele e implorar para que terminasse o que tinha começado.

Reed tinha me beijado como se eu fosse dele, como se não conseguisse se controlar. Aí ele tinha me olhado com tanto nojo, me chamado de puta, dito que eu não pertencia àquele lugar. A contradição deveria ter esfriado meu desejo. Em vez disso, me fez queimar ainda mais.

Não. Para com isso.

Eu não podia deixar isso acontecer. Eu tinha acabado de chegar. Isso estava tudo errado.

Ele ainda estava ali, respirando pesado, os olhos passando pelo meu corpo mal coberto mais uma vez. Aquele olhar — faminto e odioso ao mesmo tempo — mandou outra onda de calor através de mim. Quando ele deu mais um passo à frente, a boca tomando a minha com aquela fome desesperada, alguma coisa dentro de mim estalou.

Eu o empurrei com força e minha mão voou pelo rosto dele.

O estalo do tapa ecoou no quarto silencioso.

A cabeça de Reed virou para o lado, mas quando ele olhou de volta para mim, não havia desculpas nos olhos dele. Só um divertimento sombrio e outra coisa — algo que parecia quase satisfação.

— Patética — ele disse, a voz fria. Levou a mão à bochecha que começava a avermelhar, os lábios se curvando num sorriso cruel. — Nem consegue se comprometer com o que quer.

Então ele foi embora, batendo a porta atrás de si.

Fiquei ali, tremendo, com a toalha mal se segurando no meu corpo. A dor dentro de mim não tinha ido embora. Se é que era possível, estava pior agora — uma pulsação funda, insistente, que deixava meus joelhos fracos.

Por que eu ainda estou tão excitada?

Ondas de calor me atravessavam, fazendo minhas coxas se apertarem uma contra a outra. Minha boceta estava molhada, inchada, praticamente chorando de necessidade. Aquilo parecia o cio de que eu tinha lido — a necessidade avassaladora, animal, que as lobas sentiam. Mas isso era impossível.

Eu não tenho um lobo. Eu sou inútil, lembra?

Minhas mãos tremiam quando tranquei a porta. Eu não conseguia pensar direito. A pulsação entre as minhas pernas exigia atenção, e eu me odiava por isso. Odiava que ele tivesse me reduzido a isso — desesperada e dolorida por alguém que me desprezava.

Eu já tinha feito isso antes, tarde da noite, quando a solidão se aproximava de mansinho. Mas isso era diferente. Era desesperado, urgente, quase doloroso. Como se meu corpo fosse entrar em combustão se eu não encontrasse alívio.

Desabei na cama, a toalha caindo de vez. Minha mão deslizou pela minha barriga, os dedos tremendo quando encontraram o vibrador pequeno que eu tinha escondido na mala — a única coisa que eu tinha ficado envergonhada demais para tirar na frente da minha mãe.

Só dessa vez. Só para fazer isso parar.

O ar frio na minha pele nua fez meus mamilos se eriçarem, duros e sensíveis. Toquei um deles, rolando entre os dedos, e ofeguei com o quanto estava dolorido de tão sensível. Tudo parecia mais intenso, mais à flor da pele.

Levei o vibrador entre as pernas e o primeiro toque no meu clitóris me fez arquear para fora da cama.

Ah, porra.

O prazer foi instantâneo, elétrico, um choque luminoso que fez meus dedos dos pés se encolherem e minhas coxas tremerem. Mordi o lábio com força, tentando ficar quieta. As paredes ali provavelmente eram grossas, mas e se alguém ouvisse? E se ele ouvisse?

O pensamento mandou um arrepio vergonhosamente excitante direto para o meu centro, me deixando ainda mais molhada. Imaginei Reed parado do lado de fora da minha porta, ouvindo cada suspiro, cada gemido baixo. Sabendo exatamente o que eu estava fazendo. Sabendo que era por causa dele.

Apertei o vibrador com mais força, circulando meu clitóris inchado num ritmo frenético. A outra mão envolveu meu seio, beliscando meu mamilo com rudeza — do jeito que eu imaginava que ele faria. Sem delicadeza. Nunca com delicadeza.

O rosto de Reed tomou conta da minha mente. Aqueles olhos escuros e cruéis. O jeito como ele tinha agarrado a minha garganta — não apertando, mas possuindo. A pegada que deixava marcas na minha bunda, os dedos cravando como se quisesse mesmo deixar sinais. A voz dele, áspera e cheia de ódio: “Você quer isso. Me quer.”

Sim. Meu Deus, sim.

Deslizei o vibrador mais para baixo, provocando minha entrada. Eu estava tão molhada que ele escorregou para dentro com facilidade, e eu gemi contra o travesseiro com a sensação de me abrir. Não era o bastante. Nem de longe. Eu queria algo maior, mais grosso. Eu queria ele, me abrindo ao meio, me fazendo aguentar cada centímetro brutal enquanto me chamava de patética, inútil e—

Meus quadris se moveram frenéticos, eu me fodendo com o brinquedo enquanto meu polegar trabalhava meu clitóris. A sensação dupla era avassaladora. Minha mão livre arranhou os lençóis, depois voltou para o meu seio, beliscando e torcendo meu mamilo até beirar a dor.

“Você parece uma puta”, a voz dele ecoou na minha memória.

A humilhação não devia me excitar. Não devia fazer minha boceta apertar em torno do vibrador, não devia fazer mais umidade inundar entre minhas coxas. Mas fazia. Deus me ajude, fazia.

Imaginei ele me observando agora. Parado ao pé da minha cama com aquele sorriso cruel, braços cruzados, os olhos escuros de desejo — um desejo que ele se recusava a satisfazer. Me vendo desmoronar, desesperada por ele. Talvez ele finalmente perdesse o controle, subisse em cima de mim, empurrasse minhas mãos para longe e trocasse o brinquedo pelo pau dele—

O orgasmo me atingiu como um raio.

Mordi com força o travesseiro para abafar meu grito enquanto meu corpo inteiro convulsionava. Onda após onda de prazer arrebentou dentro de mim, minha boceta se contraindo em torno do vibrador, meu clitóris pulsando sob meus dedos. Foi intenso, esmagador, branco e ardente.

Mas quando passou, a dor ainda estava lá. Mais fraca, mas não tinha ido embora.

Fiquei ali ofegante, suada e tremendo, encarando o teto. O vibrador escorregou para fora de mim, lambuzado da minha excitação. Eu me senti vazia. Oca. Exaurida.

No que eu me transformei?

A vergonha caiu sobre mim então, pesada e sufocante. Eu tinha acabado de me masturbar pensando em alguém que me odiava. Alguém que tinha me chamado de patética e dito que eu não pertencia ali. E não só eu tinha gozado com isso — eu tinha gozado com a crueldade em si.

Me encolhi de lado, puxando os lençóis sobre meu corpo nu. Minha pele ainda ardia. Entre minhas pernas, aquela dor persistente zumbia baixinho, à espera.

Isso não tinha acabado. Seja lá o que estivesse acontecendo com o meu corpo, um orgasmo não tinha resolvido. Se é que tinha resolvido alguma coisa, tinha piorado a fome — me mostrado um vislumbre de satisfação só para arrancá-la de mim em seguida.

A manhã chegou cedo demais. Eu mal tinha dormido, meu corpo ainda vibrando com aquela necessidade estranha e insistente. Toda vez que eu pegava no sono, sonhos febris me acordavam — mãos na minha pele, lábios na minha garganta, corpos me pressionando contra o colchão. Eu acordei três vezes, encharcada de suor e excitação, a mão entre as pernas antes mesmo de ficar totalmente consciente.

Me vesti com cuidado — jeans e um moletom largo que escondia tudo. Talvez, se eu me tornasse invisível, eles me deixassem em paz.

O cheiro de café da manhã me puxou escada abaixo. Vozes vinham da sala de jantar, e eu hesitei na porta.

Os quatro irmãos Steel estavam sentados à mesa com Marcus e a mamãe. No instante em que apareci, as cabeças se viraram.

Os olhos de Cole se estreitaram. Jasper sorriu de lado. Reed me encarou com uma expressão que eu não consegui ler. O olhar escuro de Kai acompanhou cada movimento meu.

“Aria, vem sentar”, chamou a mamãe, animada.

Eu não consigo fazer isso.

O peso dos olhares hostis me prendeu no lugar. Meu peito apertou, dificultando respirar.

“Não estou com fome”, murmurei, recuando. “Eu pego alguma coisa mais tarde.”

Eu praticamente corri para fora, o coração disparado, desesperada para escapar daqueles olhares. O ar fresco da manhã bateu no meu rosto quente, mas não fez nada para acalmar o calor que ainda fervilhava sob a minha pele.

“Precisa de carona?”

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo