Capítulo 4 Capítulo 4: Negócios perigosos

Ponto de vista de ARIA

Eu estava sentada num canto do corredor vazio, com os joelhos puxados contra o peito. As risadas ainda ecoavam nos meus ouvidos. A voz debochada do Zane. Os celulares gravando tudo. O jeito como todo mundo tinha olhado para mim como se eu fosse uma piada.

Como eu pude ser tão idiota?

E o Reed tinha estado lá. Sentado duas mesas adiante com os irmãos, assistindo a tudo. A essa altura, eles já sabiam. Provavelmente achavam que eu era ainda mais patética do que antes.

— Ora, ora, ora. Olha só o que temos aqui.

Ergui o olhar e vi Bianca Sterling se impondo sobre mim, o cabelo loiro perfeito caindo em cascata sobre os ombros. As amigas dela a cercavam como abutres.

Antes que eu pudesse me mexer, ela agarrou meu cabelo e me puxou para ficar de pé. Uma fisgada de dor atravessou meu couro cabeludo.

— Sua vadia nojenta! — ela rosnou. — Você realmente achou que podia ficar com o meu homem?

— Me solta! — Tentei arrancar os dedos dela, mas o aperto era de ferro.

— O Zane é meu, sua esquisita! Como você ousa sequer pensar em transar com ele?

— Eu não transei com ele! — As palavras explodiram. — Ainda não, pelo menos.

Eu… eu acabei de dizer isso?

Os olhos de Bianca faiscaram de raiva.

— Ainda não? Você acha que algum dia vai ter essa chance?

Ela me empurrou contra os armários. Minhas costas bateram no metal com um baque dolorido.

— Vou te dizer uma coisa, Ômega — ela sibilou, o rosto a centímetros do meu. — Eu já transei com o Zane. No fim de semana passado, inclusive. E ele foi incrível. A melhor noite da minha vida.

Cada palavra era feita para ferir, e funcionou. Ciúme e humilhação arderam dentro de mim.

— Ele sabe exatamente o que fazer com as mãos, com a boca, com o… — Ela sorriu com crueldade. — Mas você nunca vai saber, vai? Porque você não é digna. Você não tem experiência. Você é só uma esquisita patética que se masturba no quarto.

Meu sangue gelou.

— O que foi que você disse?

— Ah, você achou que eu tinha esquecido? — Bianca riu. — Eu encontrei seu diarzinho no ano passado, lembra? Todos aqueles pensamentos imundos que você escreve. Todos aqueles brinquedinhos que você usa porque ninguém quer encostar em você.

Não. Não, não, não.

— Fica longe do Zane Parker — ela avisou, baixando a voz. — Ou eu vou fazer questão de que a escola inteira saiba do seu segredinho nojento. Imagina todo mundo sabendo que tipo de putinha desesperada você realmente é.

Ela me empurrou no chão. Caí com força de joelhos enquanto ela se afastava, a risada ecoando pelo corredor.

Mas quando eu me levantei, sacudindo o jeans, alguma coisa mudou dentro de mim. Em vez de me sentir derrotada, eu senti raiva.

Eu vou mostrar pra ela. Vou mostrar pra todos eles.

Eu ia dormir com Zane Parker. Eu ia fazer ele me querer tanto que ele imploraria por mais. E então eu iria embora, deixando-o tão humilhado quanto ele tinha me deixado.

Consegui evitar todo mundo quando cheguei em casa. A mansão dos Steel era grande o bastante para eu subir sem ser notada. Ou pelo menos foi o que eu pensei.

No meu quarto, tranquei a porta e desabei na cama. Minha mente disparava com planos. Como eu podia fazer o Zane me notar? Como eu podia fazer ele me desejar?

Talvez se eu aprendesse mais sobre sexo. Talvez se eu praticasse…

Enfiei a mão debaixo da cama e peguei a caixinha que eu tinha escondido ali. Minhas bochechas queimaram quando puxei os brinquedos que eu tinha juntado no último ano — o vibrador, o dildo que eu tinha ficado nervosa demais para usar de verdade.

Deitei de costas na cama, o coração martelando. Talvez, se eu entendesse melhor o meu próprio corpo, eu pudesse…

A porta se abriu.

— Mas que… — Eu me sentei num salto, agarrando um travesseiro para esconder o que eu estava segurando. — A porta estava trancada!

Reed parou na porta, segurando uma chave-mestra. Seus olhos escuros varreram a cena — eu na cama, os brinquedos espalhados ao meu redor, meu rosto em brasa.

— Sai daqui! — eu gritei, a mortificação me inundando.

Ele entrou e fechou a porta atrás de si. — Vim checar uma coisa aqui dentro. Não esperava encontrar... isso.

— Só vai embora, por favor! — implorei, tentando enfiar tudo de volta na caixa.

Mas Reed se aproximou, o olhar intenso. — Eu estava no almoço hoje. Vi a sua confissãozinha pro Zane.

Eu queria desaparecer. — Não...

— Você realmente quer transar com ele? — Reed perguntou, direto.

A pergunta ficou suspensa no ar. Eu não consegui encarar os olhos dele.

— Isso não é da sua conta — sussurrei.

— Você tá fazendo tudo errado, sabia. — Ele gesticulou para os brinquedos. — Se você tá tentando aprender sobre sexo, isso não vai te ajudar a seduzir ninguém.

Meu rosto queimou ainda mais. — Eu sei o que eu tô fazendo.

— Sabe? — Ele chegou mais perto, parando na beira da minha cama. — Porque, pelo que eu vi hoje, você não sabe nada sobre sedução. Nada sobre o que de verdade faz um homem te desejar.

— Para com isso — eu soprei, mas meu corpo já estava reagindo à proximidade dele. O mesmo calor da noite passada voltava a crescer.

— É mais excitante do que você imagina — Reed disse, a voz baixando. — Sexo de verdade. Prazer de verdade. Nada parecido com o que você tá fazendo com você mesma, sozinha, nesse quarto.

Ele se inclinou sobre mim, apoiando as mãos de cada lado do meu corpo. Eu caí de costas nos travesseiros, presa.

— O que você tá fazendo? — sussurrei.

— Te dando uma opção. — Os lábios dele roçaram minha orelha. — Eu posso te ensinar. Te dar uma educação sexual de verdade. Assim, quando você for atrás do Zane, você vai saber o que tá fazendo.

— Por que você...

A boca dele cortou minha pergunta, tomando a minha num beijo que incendiou meu corpo inteiro. A mão dele deslizou pela minha coxa, os dedos desenhando caminhos que me arrancaram um suspiro.

— Não recusa — ele murmurou contra meus lábios. — Eu posso te ensinar tudo. Como tocar, como se mexer, como fazer um homem perder a cabeça de vontade de você.

As mãos dele passearam pelas minhas curvas, explorando cada linha e relevo. Eu sabia que devia empurrá-lo para longe, mas meu corpo se arqueou contra o toque dele.

— Isso é loucura — ofeguei.

— É? — O polegar dele roçou meu mamilo por cima da camiseta, e eu gemi. — Ou é exatamente o que você precisa?

Eu devia dizer não. Isso é errado. Ele é meu meio-irmão. Ele me odeia.

Mas quando a mão dele escorregou por baixo da minha camiseta, tocando minha pele nua, todos os meus protestos morreram.

— A gente podia fazer um acordo — Reed sussurrou, os dedos descendo mais. — Eu te ensino tudo. Você fica com o Zane Parker. Todo mundo sai ganhando.

— Eu... eu... — eu não conseguia pensar direito com as mãos dele em mim daquele jeito.

— Diz que sim, Aria. — A boca dele encontrou meu pescoço, sugando de leve. — Deixa eu te mostrar como é o prazer de verdade.

Eu abri a boca para responder, mas então eu ouvi — a porta se abrindo de novo.

Virei a cabeça e congelei.

Cole e Jasper estavam na entrada, os olhos escuros com a mesma fome que eu via nos de Reed.

— Parece que chegamos bem na hora — Cole disse, fechando a porta atrás deles.

— O quê... — tentei me sentar, mas Reed me segurou.

— Relaxa — Jasper ronronou, indo para o outro lado da cama. — Você queria aprender sobre sexo, não queria? Considera isso... uma lição avançada.

Meu coração disparou, enlouquecido, enquanto os quatro irmãos me cercavam, as mãos se estendendo, os olhos prometendo coisas que eu não entendia, mas desejava desesperadamente.

No que foi que eu me meti?

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