Capítulo 5 Capítulo 5: A Teia do Desejo
Ponto de vista de ARIA
Encarei os quatro irmãos ao redor da minha cama, com a mente a mil. Não era isso que eu tinha combinado. Eu tinha feito um acordo com Reed — só com Reed. Não com todos eles.
Há quanto tempo eles estavam ouvindo?
O calor subiu ao meu rosto quando percebi que provavelmente tinham escutado tudo. Meu desespero para aprender sobre sexo. Meu plano de seduzir Zane. Tudo.
— O que vocês estão tentando fazer? — exigi, empurrando as mãos de Reed para longe e me atrapalhando para me sentar. — Eu fiz um acordo com uma pessoa, não com quatro!
A humilhação caiu sobre mim em ondas. Já era ruim o bastante Reed ter me pego com meus brinquedos, mas agora os irmãos dele também sabiam. Eles deviam achar que eu era algum tipo de tarada desesperada — exatamente como Bianca disse.
— O acordo acabou — falei, firme, cruzando os braços sobre o peito. — Vocês só estão tentando mexer comigo. Eu não vou cair nessa.
A expressão de Reed escureceu.
— Acabou? Você acha que pode simplesmente ir embora?
— Pode apostar. — Fiz menção de sair da cama, mas Jasper bloqueou meu caminho.
— E depois? — perguntou Cole, com a voz ganhando um tom possessivo que fez minha pele arrepiar. — Você vai encontrar outra pessoa pra te ensinar? Algum outro cara pra pôr as mãos em você?
A ideia nem tinha passado pela minha cabeça, mas o jeito como todos eles ficaram tensos com a sugestão me provocou um arrepio estranho de excitação.
— Isso não é da conta de vocês — retruquei, erguendo o queixo, desafiadora.
Mas, por dentro, meu coração disparava. O ar no quarto parecia denso, carregado de algo perigoso e intoxicante. Os quatro me observavam com uma intensidade que fez minhas coxas se apertarem uma contra a outra.
O rosto de Reed suavizou um pouco, e ele trocou olhares com os irmãos. Quando voltou a me encarar, alguma coisa tinha mudado na expressão dele.
— Você tem razão — disse, baixo. — A gente não foi exatamente… acolhedor com você.
— Isso é pouco — murmurei, lembrando de cada palavra cruel que eles tinham jogado na minha cara.
— Mas nós somos a melhor opção que você tem — acrescentou Jasper, sentando na beirada da minha cama. — A gente sabe exatamente do que as garotas gostam. O que faz elas desmancharem de prazer.
Minha respiração travou com aquelas palavras, ditas com tanta naturalidade, mas carregadas de promessa.
— Por que eu acreditaria em você? — perguntei, mesmo enquanto meu corpo me traía com a reação à presença deles. — Vocês não fizeram nada além de me humilhar desde que eu cheguei. E hoje no almoço, quando Zane me rejeitou… Reed, você estava lá. Você viu tudo.
A culpa passou pelo rosto de Reed, rápida.
— Eu sei.
— Então como eu posso confiar que vocês não estão só planejando algum jeito elaborado de me envergonhar ainda mais? — As palavras saíram mais trêmulas do que eu pretendia.
Cole se aproximou, e eu senti o cheiro da colônia dele — escura, masculina.
— Porque a gente quer alguma coisa de você também.
Pisquei, surpresa.
— O que vocês poderiam querer de mim?
— Reforço — disse Reed, simples. — A gente tá indo mal em matérias diferentes. Nosso pai tá ameaçando tirar a gente do time de hóquei se as notas não melhorarem.
— Vocês querem que eu dê reforço pra vocês? — Não consegui esconder minha descrença. — Vocês estão brincando.
— A gente parece que tá brincando? — A voz de Jasper era séria. — Você é uma das melhores da turma em quase tudo. A gente precisa da sua ajuda.
Era conveniente demais. Perfeito demais. Minha mente gritava que aquilo era algum tipo de armadilha.
Eles me odeiam. Me chamaram de patética, nojenta, interesseira. Por que, de repente, eles iam querer minha ajuda?
Mas, por outro lado, que escolha eu tinha? Eu precisava aprender a seduzir Zane, a fazer ele me querer tanto que doesse. E, apesar de tudo, meu corpo reagia àqueles quatro como a nada que eu já tivesse sentido.
— Eu não sei — falei devagar, observando os rostos deles. — Isso tudo parece muito suspeito.
— Pensa bem — insistiu Reed, estendendo a mão para afastar uma mecha de cabelo do meu rosto. O toque me atravessou como eletricidade. — A gente te ensina tudo o que você precisa saber. Você ajuda a gente a passar nas matérias. Todo mundo sai ganhando.
A parte lógica do meu cérebro sabia que isso era perigoso. Eram os mesmos caras que tinham zombado de mim, que deixaram claro que eu não era bem-vinda. Mas o jeito como me olhavam agora — como se eu fosse algo precioso e desejado — fez minha determinação vacilar.
Talvez eu possa usar isso a meu favor. Entrar no jogo e ver o que eles estão realmente planejando.
— Tá bom — ouvi a mim mesma dizer. — Mas se isso for algum tipo de joguinho pra me humilhar ainda mais, eu vou fazer questão de o pai de vocês saber exatamente por que vocês estão indo mal.
Um sorriso lento se espalhou pelo rosto de Cole.
— Fechado.
Eles saíram do meu quarto um por um, cada um me lançando um olhar que prometia coisas que eu ainda não entendia por completo. Quando a porta finalmente se fechou, eu desabei de volta na cama, o corpo inteiro tremendo.
Com o que foi que eu acabei de concordar?
Mas, por baixo do medo e da incerteza, a determinação ardia forte. Peguei meu caderno na mesa de cabeceira e abri numa página em branco.
Operação: Arruinar Zane Parker. Escrevi no topo, a caneta cravando no papel.
Passo um: Aprender tudo. Como beijar. Como tocar. Como fazer ele implorar.
Passo dois: Deixar ele sozinho comigo.
Passo três: Seduzir. Usar cada lição.
Passo quatro: Fazer ele gritar meu nome.
Passo cinco: Ir embora. Deixar Bianca assistir.
Comecei a escrever freneticamente, despejando cada pensamento, cada plano. Eu aprenderia tudo o que os irmãos Steel pudessem me ensinar. Eu me transformaria em alguém irresistível. E então eu faria Zane Parker me desejar com tanta, tanta força, que a rejeição o destruiria do mesmo jeito que as palavras dele tinham me destruído.
E a Bianca? Ela veria o namoradinho precioso dela desmoronar por causa da “Ômega patética” que ela tinha ameaçado. A ideia trouxe uma satisfação sombria.
Quando terminei, eu tinha páginas e páginas de anotações — estratégias, prazos, metas. Meu problema com desejo sexual finalmente serviria para alguma coisa. Eu usaria essa excitação constante, essa necessidade que parecia nunca desaparecer, para colocar Zane de joelhos.
E então eu iria embora, deixando-o tão vazio e humilhado quanto eu tinha me sentido naquela cafeteria.
Minha garganta estava seca de tanto maquinar. Eu precisava de água, precisava clarear a cabeça. A casa estava silenciosa quando desci de mansinho, torcendo para evitar todo mundo.
A cozinha estava escura, exceto pela luz sobre o fogão. Peguei um copo e enchi no dispensador de água filtrada, o líquido frio acalmando minha garganta ressecada.
— Não conseguiu dormir?
Eu me assustei, quase deixando o copo cair. Kai estava na porta, o cabelo bagunçado, como se tivesse acabado de acordar. Ao contrário dos irmãos, ele vestia só uma calça de moletom caída no quadril, o peito nu, coberto por músculos definidos.
— Só vim pegar água — murmurei, tentando passar por ele.
Mas ele entrou na minha frente e, antes que eu pudesse reagir, as mãos dele estavam na minha cintura, me girando e me prendendo contra a parede.
— Kai, o que—
— Você está mesmo tão desesperada por Zane Parker? — A voz dele era áspera, exigente. O corpo dele se pressionou contra o meu, e eu senti cada plano duro de músculo. — Ele vale mesmo todo esse trabalho?
Meu coração martelava contra as costelas. Tão perto, eu via o jeito como os olhos dele escureciam de desejo, sentia o calor irradiando da pele.
— Me solta — sussurrei, mas saiu fraco, nada convincente.
— Eu posso te oferecer um acordo melhor — Kai murmurou, os lábios roçando minha orelha. — Esquece meus irmãos. Esquece o Zane. Eu posso te mostrar coisas que fariam você esquecer até o próprio nome.
O quadril dele se moveu contra o meu, e meus olhos se arregalaram de choque. Através do tecido fino da calça de moletom, eu senti ele — duro e grosso, pressionando meu estômago.
Meu Deus. Ele também está excitado.
Eu tinha achado que só eu estava sentindo essa atração insana, essa necessidade esmagadora. Mas a prova do desejo dele era inconfundível, ficando mais rígida a cada segundo que passava.
— Tá sentindo? — ele rosnou. — É isso que você faz comigo. O que você faz com todos nós. Então para de correr atrás de algum babaca que não te merece e abre os olhos pro que está bem na sua frente.
A mão dele deslizou pela minha lateral, os dedos cravando no meu quadril de um jeito possessivo. Meu corpo respondeu na hora, calor se acumulando entre minhas pernas, minha respiração ficando curta e rápida.
Mas o pânico cortou a excitação. Era demais, rápido demais, intenso demais.
Eu o empurrei com força, pegando-o de surpresa. Ele cambaleou para trás, e eu passei por ele num disparo, subindo as escadas o mais rápido que minhas pernas trêmulas conseguiam me levar.
Atrás de mim, eu o ouvi chamar meu nome, mas não parei até estar de volta no meu quarto, com a porta trancada.
Apoiei as costas nela, escorregando até o chão enquanto meu corpo inteiro tremia.
O que está acontecendo comigo? Com eles?
Quatro irmãos. Quatro Alfas impossivelmente atraentes que diziam me odiar, mas me olhavam como se quisessem me devorar inteira.
E Zane Parker, o alvo da minha vingança, que nem sabia que eu existia além daquele momento humilhante na cafeteria.
Eu estava completamente fora da minha profundidade, me afogando em desejo e confusão e numa necessidade desesperada que eu não conseguia controlar nem entender.
Mas não havia mais como voltar atrás.
