Capítulo 1

Dez anos amando Liam Rockefeller me custaram tudo.

Ele disse que o time de futebol americano tinha batido nele — então eu fui pra cima e aguentei os socos. Ele chorou que o meio-irmão ia destruir a vida dele em Yale — então eu rasguei minha carta de aprovação. Ele me segurava à meia-noite, sussurrando “sou tão sortudo por ter você” — e eu achei que aquilo significava pra sempre.

Três meses depois, eu ouvi ele rindo no vestiário — rindo de mim.

“A Iris é tipo um cachorrinho do caralho, fácil demais de enganar. Agora que a vaga em Yale ficou livre, a Emily pode ir comigo.”

O bullying foi encenação. As lágrimas eram falsas. Aqueles abraços íntimos — só ferramentas pra me controlar enquanto ele comia a outra.

Ele achou que eu ainda ia ficar na frente dele mesmo com o nariz quebrado. Achou que eu nunca ia me tocar.

Eu me toquei.

Na cama do meio-irmão dele, Sebastian.


POV da Iris

“Cara, você fingiu que tavam te perseguindo por MESES só pra largar a Iris? Que frieza do caralho!”

A risada dos meus colegas ecoou pelo vestiário do time.

Eu fiquei paralisada do lado de fora da porta, apertando minha carta de aprovação da Universidade Estadual. O papel amassou na minha mão suada.

“O que mais eu ia fazer?” A voz do Liam soou satisfeitinha demais. “Ela ficava em cima de mim 24 horas por dia, sete dias por semana. Eu tinha que dar um jeito de sair disso.”

Meu coração despencou.

Três meses atrás, o Liam — meu amigo de infância, o garoto por quem eu fui apaixonada a vida inteira — veio chorando pra mim, dizendo que o time estava pegando pesado com ele. Jogaram água com gelo em cima dele no vestiário. Empurraram ele nos treinos. Enfiaram bebida goela abaixo nas festas de fraternidade até ele vomitar sangue.

“Iris, eu não posso ir pra Yale.” Naquela noite, ele tremia nos meus braços. “Meu meio-irmão e a turma dele estão todos lá. Eles acham que eu não sou nada — só um bastardo qualquer. Vão fazer da minha vida um inferno.”

Eu fiquei com tanta dó dele. Segurei as mãos dele e decidi ali, na hora: “Então que se dane Yale. Eu vou pra Estadual com você.”

“Tá, mas pra onde você vai DE VERDADE?” perguntou um colega.

“Pra Yale.” O Liam riu. “Com a Emily. Assim que a Iris abrir mão da vaga dela, meu pai dá um jeitinho de enfiar a Emily lá dentro. Aí a gente vai junto.”

Emily White — aquela aspirante a patricinha, aluna transferida fazendo pose de coitadinha.

Eu achava que ela era só amiga dele. Pelo visto, ela era o que ele realmente queria, e eu era só um estorvo.

“Caralho, você passou por tudo isso pela Emily? Isso que é dedicação!” alguém assobiou.

“É, fazer o quê.” A voz do Liam ficou mais baixa. “A Emily é um amor. Ela realmente escuta, sabe? Não fica forçando a barra igual a Iris. A Emily me valoriza — não fica enchendo o saco o tempo todo. A Iris age como se fosse a última bolacha do pacote só porque é uma Vanderbilt. Vive mandando em mim.”

Minha garganta fechou. Eu não conseguia respirar.

“Mas a Iris abriu mão de YALE por você”, disse outro cara. “A família inteira dela estudou lá. Três gerações. Ela basicamente mandou todo mundo à merda.”

—“Foi escolha DELA.” Liam zombou. “Eu não pedi pra ela fazer isso. E, além do mais, ela devia abrir mão dessa vaga mesmo. A Emily realmente PRECISA de Yale. A família dela tá quebrada — um diploma da Ivy League é a única chance que ela tem. A Iris? Ela podia largar tudo amanhã e ainda assim tava com a vida feita. O que é que ela tem pra se preocupar?”

Minhas unhas cravaram nas palmas das mãos, me mantendo no chão.

—“E se ela descobrir?”, alguém perguntou, nervoso.

Liam caiu na risada. —“E daí? Ela vai me perdoar. Ela sempre perdoa. Lembra daquele negócio no estacionamento? Três veteranos vieram pra cima de mim e ela literalmente se jogou na minha frente. Quebrou o nariz — sangue pra todo lado — e nem piscou. Você acha mesmo que uma garota assim vai me largar?”

O vestiário explodiu. Cada risada parecia um tapa.

Eu me lembrava daquela tarde. O pôr do sol. As sombras compridas no estacionamento. Eu tinha corrido pra ficar entre Liam e aqueles caras. O soco acertou em cheio meu rosto. Meu nariz estourou. O sangue encheu minha boca. Mas eu engoli e continuei de pé.

Depois, Liam me segurou enquanto chorava. —“Me desculpa. Isso é tudo culpa minha.”

Eu tinha pressionado a mão contra o nariz sangrando. —“Tá tudo bem. Eu tenho que te proteger.”

Agora eu entendia — aqueles três “veteranos” provavelmente estavam na folha de pagamento do Liam.

Cada cicatriz. Cada lágrima. Cada sacrifício. Tudo uma piada. Eu achava que estava protegendo ele. Na verdade, eu só estava cumprindo meu papel no teatrinho dele.

Eu me encostei na parede, tentando respirar, com a cabeça voltando, em flashes, pra briga com a Genevieve duas semanas antes.

—“Abrir mão de Yale pra ir pra uma estadual?” Minha irmã tinha jogado uma pasta em mim. —“Iris, que PORRA tá acontecendo com você?”

—“O Liam PRECISA de mim!” Eu tinha berrado de volta, ignorando o sangue escorrendo da minha têmpora. —“Eu amo ele! Eu não posso simplesmente deixar ele sofrer!”

Genevieve me olhou como se eu tivesse enlouquecido. —“Jogar sua vida inteira fora por causa de um cara. Você vai se arrepender disso de um jeito…”

Eu respirei fundo. Não invadi aquele vestiário. Só virei as costas e fui embora.

No estacionamento, entrei na minha Maserati e rasguei a carta de aceitação da estadual. Os pedaços se espalharam pra todo lado, como confete — minha juventude inteira, estraçalhada.

Fiquei encarando meu celular por um segundo, depois liguei pra minha irmã.

—“Iris?” Ela atendeu na hora.

—“Gen.” Eu enxuguei os olhos, a voz firme. —“Você tinha razão. Eu faço o que você mandar. Eu vou pra Londres.”

Um silêncio comprido.

—“Você tem certeza disso?”

—“Tenho.” Eu vi o céu escurecendo. —“Mais certeza do que eu já tive de qualquer coisa.”

Gen soltou o ar. —“Eu tava esperando você dizer isso. A escola já tá toda resolvida — não se preocupa com nada. Ah, e eu tenho um amigo antigo em Londres. Ele vai ficar de olho em você.”

Depois que eu desliguei, meu celular acendeu.

Liam: “Iris, cadê você? Ótima notícia — achei um restaurante italiano incrível perto da estadual. A gente pode ir sempre!”

Outra mensagem: “Ah, e o time de futebol americano de lá parece ser bom. Você pode ir aos meus jogos. Tô muito animado com a faculdade com você.”

Eu encarei aquelas palavras. Meu coração se estilhaçou de novo.

Próximo Capítulo