Capítulo 3
Ethan se levantou por instinto.
Apertei minha filha ainda mais contra o peito e corri direto para o consultório dos médicos, sem olhar para trás.
Depois de um resgate tenso, os médicos finalmente conseguiram baixar a febre dela — foi um pico agudo causado por uma infecção no pulmão.
Sentada do lado de fora, vendo meu bebê voltar a respirar com regularidade na incubadora, eu desabei numa cadeira, com cada pingo de força drenado do meu corpo.
— Sarah...
Ethan se aproximou, tentando pousar a mão no meu ombro.
— Me desculpa... Eu juro, eu não sabia que era tão grave.
Como eu não respondi, ele se agachou ao meu lado, segurando minha mão gelada, com os olhos vermelhos.
— Eu não vou a lugar nenhum. Vou ficar aqui com você e com a nossa filha até vocês duas estarem prontas pra ir pra casa. Eu prometo.
Alguns dias atrás, essas palavras teriam me feito chorar de alívio.
Agora, eu não sentia nada.
Toda a raiva e o ciúme tinham se apagado, deixando só cinzas frias e cinzentas dentro de mim.
Eu não me afastei, mas também não respondi.
— Ethan?
Uma voz pequena e trêmula quebrou o silêncio pesado.
Liam, o filho da Chloe, estava na porta, abraçado a um dinossauro de brinquedo, com lágrimas brilhando nos olhos.
— Você vai me deixar e deixar a mamãe? — ele choramingou.
Ethan ficou rígido.
— Sarah... — Ele se virou para mim, evitando meu olhar. — Vou levar ele de volta pro quarto.
Eu puxei a mão devagar, soltando a dele.
— Vai — eu disse, baixo.
O alívio tomou o rosto dele. Ethan deu um beijo rápido na minha testa.
— Já volto.
E ele ficou com a gente nos dias seguintes, do jeito que tinha prometido. Mas eu sentia que o coração dele não estava ali.
O celular dele vibrava o tempo todo: Liam teve um pesadelo, o carro da Chloe não queria pegar... Toda vez, ele me olhava com olhos culpados, como se pedisse permissão.
Eu sempre sorria e dizia:
— Vai.
No dia da alta, Ethan me disse que tinha uma reunião e que ia me buscar quando terminasse.
Eu não fiquei esperando. Em vez disso, arrumei minhas coisas, envolvi minha filha nos braços, arrastei a mala pesada e dei entrada na minha saída na recepção.
Na entrada do hospital, eu encontrei nosso vizinho, David.
A esposa dele trabalhava ali e, todo dia, ele ia buscá-la para os dois irem comer alguma coisa juntos — só eles dois.
Ele me viu e ficou chocado.
— Sarah? Você acabou de ter bebê… por que está carregando tudo isso sozinha? Cadê o Ethan? Ah, deixa pra lá — deixa eu te levar pra casa.
Ele estendeu a mão para pegar minha bolsa.
— Tudo bem, David. Eu pego um táxi. — Eu dei um passo pro lado, forçando um sorriso educado. — Você veio buscar sua esposa, né? Não deixa ela esperando.
— Tá bom, mas me liga se precisar de qualquer coisa. Sabe… o Ethan é um grande amigo, e minha esposa não vai se importar se eu te ajudar — disse David, antes de entrar.
Demorou uma eternidade, mas eu finalmente consegui chamar um táxi.
Enquanto esperávamos no sinal vermelho, no meio do centro, eu encostei a cabeça no vidro, exausta. Meu olhar foi parar na vitrine de uma loja de grife na esquina.
E, naquele instante, meu sangue gelou.
Por trás do vidro reluzente, eu vi Ethan — o mesmo Ethan que disse que estava numa “reunião de emergência”.
Ele estava com Liam no colo, um cartão preto na mão, pagando no caixa.
Em cima do balcão, havia uma bolsa verde-escura, edição limitada.
Três meses antes, eu tinha parado na frente daquela mesma bolsa, admirando por um bom tempo.
Na época, Ethan tinha me puxado, de cara fechada.
— Sarah, a gente precisa economizar pro bebê. Isso é caro demais. A gente não precisa disso.
Agora, eu o vi sorrir, condescendente, enquanto Chloe jogava a bolsa no ombro e girava na frente do espelho.
Eu olhei para minha filha dormindo e soltei uma risada seca, amarga.
O motorista me olhou pelo retrovisor e depois olhou para a loja.
— Senhora, a senhora quer descer aqui?
