Capítulo 4
Por que eu iria sair?
Eu disse baixinho ao motorista para seguir em frente. O táxi continuou andando, deixando aquela cena bem para trás.
De volta ao apartamento vazio, eu funcionava no automático — desfazendo as malas, dando comida para minha filha, trocando a fralda dela.
Eu me mantive ocupada até a noite finalmente cair e eu poder descansar por um instante.
Foi quando o Ethan chegou em casa.
Ele entrou no quarto como um furacão, claramente irritado. — Sarah, eu mandei você me esperar no hospital. Por que você voltou sozinha?
— Esperar você? Esperar você terminar de fazer compras com a Chloe, ou estourar o limite daquele cartão preto?
A raiva do Ethan travou na garganta. A expressão dele mudou de furiosa para sem graça. — Você viu aquilo? Era só pra comemorar o Liam saindo do hospital. Sarah, não seja mesquinha.
Eu cortei, apontando com a cabeça para a porta. — O médico disse que eu preciso de repouso. Se você não tem nada importante pra dizer, por favor, sai.
Ethan hesitou, depois o tom dele amoleceu. — Vai, troca de roupa. A Chloe está se sentindo péssima e quer levar a gente pra jantar pra me agradecer por ter ajudado ela e pra comemorar você ter recebido alta. Ela fez questão de que você fosse.
O restaurante era daqueles italianos chiques.
Logo de cara, Ethan tomou conta do cardápio. — O Liam adora carbonara, a Chloe não pode comer nada apimentado, então vamos pedir o risoto de frutos do mar e uma pizza napolitana...
Todos os favoritos deles.
Nem um prato sequer pensado pra mim.
Quando a comida chegou, a atenção do Ethan ficou grudada nas pessoas à nossa frente.
O Liam se recusava a comer sozinho, então o Ethan, com toda paciência, enrolava o macarrão no garfo, assoprava pra esfriar e dava pra ele garfada por garfada.
Enquanto isso, minha filha se remexia no meu colo, incomodada com o barulho. Eu só conseguia apertá-la contra mim, embalando e acalmando ela naquele assento apertado.
Quando finalmente consegui fazê-la dormir e levantei os olhos, a maior parte da comida já tinha ido embora.
Meu estômago se retorcia de fome.
Chamei um garçom com a mão. — Com licença, eu posso pedir uma sopa de cogumelos e uma lasanha, por favor?
— Sarah! — Ethan franziu a testa, me encarando como se eu tivesse enlouquecido. — Por que você está pedindo mais? A Chloe que está pagando — você está sendo muito mal-educada. Não vem bancar a ingrata, tá?
— Eu nem...
PÁ!
Um estrondo ensurdecedor me cortou.
Depois veio o som de vidro estilhaçando e gritos.
— Assalto! Todo mundo no chão!
Um grupo de homens mascarados invadiu o restaurante com armas em punho. O caos explodiu, com as pessoas correndo para todos os lados.
Naquele segundo, eu vi o Ethan, sem hesitar nem por um instante, proteger a Chloe e o Liam, guiando os dois devagar em direção a um lugar seguro.
E eu? Com minha filha agarrada ao peito, fui empurrada pela multidão em pânico — direto para o campo de visão dos assaltantes.
O Ethan não olhou para trás. Nem uma vez.
Eu tinha prometido a mim mesma que não choraria mais por causa do Ethan, mas ali, naquela hora, minhas lágrimas caíram no rosto da minha filha.
A polícia chegou rápido.
— Acabou, acabou — Ethan ficou repetindo, passando a mão no cabelo da Chloe, a voz áspera. — A polícia já está com tudo sob controle.
Só depois de ter certeza de que a Chloe e o Liam estavam bem é que o Ethan finalmente relaxou.
E então, com atraso, um pensamento se infiltrou na cabeça dele.
Cadê a Sarah?
Ele se levantou num pulo, vasculhando o tumulto em busca de qualquer sinal de mim.
— Senhor, por favor, fique onde está — um policial o impediu.
— Minha esposa... minha esposa e o nosso bebê estão lá dentro! — a voz do Ethan falhou. — Ela está com um casaco bege e segurando um recém-nascido!
O policial conferiu a lista. — Ah, aquela moça. Como ela estava com um bebê, foi uma das primeiras a ser evacuada. Os socorristas examinaram ela — mãe e criança estão bem. Eles saíram daqui faz uns dez minutos.
Ethan soltou um longo suspiro tremido, o peso no peito dele finalmente se desfazendo.
— Ela está bem, graças a Deus... — ele murmurou, e então se virou de volta para consolar a Chloe, que ainda chorava.
Ele pegou o celular e me mandou uma mensagem: [A polícia disse que mandaram você pra casa primeiro, ainda bem. A Chloe e o Liam estão muito abalados — o Liam não para de chorar e precisa de mim aqui. Vou chegar tarde hoje. Dorme, não fica me esperando.]
Na manhã seguinte, às oito, Ethan voltou para casa, com cara de exausto. Ele abriu a porta. O apartamento estava estranhamente silencioso.
— Sarah?
Nenhuma resposta.
— Talvez ela ainda esteja dormindo — ele resmungou, tirando os sapatos e indo em silêncio para o quarto. — Vou ver o bebê.
O quarto estava vazio. Sarah e o bebê tinham sumido.
Ele procurou o apartamento inteiro, mas só encontrou um acordo de divórcio e um anel de diamante deixado em cima da mesa.
As pernas dele falharam. O pânico o engoliu por completo.
Sarah queria o divórcio?
